Netflix: ‘Privacidade Hackeada” expõe a guerra perversa da Internet

Documentário investiga o escândalo sobre o uso de dados colhidos em redes sociais pela Cambridge Analytica, sem o consentimento de seus usuários.

Por: Jacqueline Cordeiro Comunicar erro

Todos os dias, ao acessarmos nossos aparelhos eletrônicos, enviamos um sem número de informações sobre nossos gostos, hábitos, ideais, sentimentos, trajetos, dentre outros, a um destino desconhecido: o espaço virtual. Plataformas digitais, redes sociais e aplicativos captam esses dados e os usam como bem entenderem.

Por exemplo, você leu os termos de privacidade quando usou aquele aplicativo que muda a cor do seu cabelo, ou quando acessou um joguinho para ver quem você foi durante o Antigo Egito?

Se sua resposta é não sei ou não li, depois de assistir ao documentário “Privacidade Hackeada” na Netflix,  aposto que você terá mais cuidado com os dados que compartilha na Rede.

Crédito: Reprodução/ Divulgação Netflix 

O documentário traça uma narrativa que busca esclarecer, através de alguns personagens que ocupam diferentes posições na trama, o escândalo revelado em 2016 envolvendo a empresa Cambridge Analytica que teria usado dados de milhões de usuários do Facebook para influenciar as eleições americanas de 2016 e os resultados do plebiscito sobre o Brexit. 

Acompanhamos a jornada de David Caroll, professor de design de mídia da Parsons School for Design, de Nova Iorque, que move um processo contra a Cambridge Analytica para que ela devolva seus dados, tomados sem seu consentimento ao responder um quiz no Facebook. Com a recusa da companhia em lhe devolver seus dados, ele  passa a investigar mais profundamente como e com quais finalidades são usados os dados obtidos a partir de empresas de tecnologia na internet.

Crédito: Reprodução/ CNN EntertainmentPrivacidade Hackeada (2019), David Carroll 

Nessa investigação chega a ex-funcionários que atuam como delatores da Cambridge: Brittany Kaiser, que participou do processo de contratação da empresa para as campanhas de Trump e do Brexit em 2016 e Christopher Wylie, cientista de dados que ajudou a montar a companhia e diz se sentir responsável pelo mal que possa ter causado à sociedade através da conduta ilegal da empresa durante as eleições.

Crédito: Reprodução/ NetflixBrittany Kaiser em cena de “Privacidade Hackeada”

Assistimos também a luta da jornalista do The Guardian, Carole Cadwalladr, que se move contra a apropriação e uso ilegais de dados que interferem diretamente nas democracias e soberania dos povos.

Por motivos que se tornam claros ao longo do filme, o ex-C.E.O. da Cambridge Analytica, Alexander Nix, não dá seu depoimento para os diretores do filme. Mas aparece em um vídeo captado secretamente durante uma mesa de negociações em uma cena de arrepiar os fios de cabelo de qualquer cidadão honesto. Uso indiscriminado e ilegal de dados, aliando tecnologia, psicologia comportamental e técnicas de propaganda.

Crédito: Reprodução / Revista Rolling StoneEx-C.E.O. Cambridge Analytica Alexander Nix e à direita seu ex-funcionário Christopher Wylie

Entramos na era em que o maior bem não é mais o petróleo, mas sim a possessão e exploração de dados.

Parece ficção, mas é a realidade que não conhecíamos e que nos manipula em nossas escolhas, desde simples compras até a decisão para a eleição do supremo mandatário de um país.

Essa é a guerra a que estamos expostos se não ficarmos atentos aos direitos de posse e uso dos nossos dados. A comunicação e a tecnologia são as novas armas poderosas dessa guerra que destrói nações, modifica destinos e manipula psicologicamente a sociedade, colocando grupos e pessoas umas contra as outras. A velha técnica de guerra usada por Júlio Cesar na Antiguidade: dividir para conquistar.

Assista “Privacidade Hackeada” e leve essas informações à frente para buscarmos criar uma legislação que nos proteja dessas técnicas nefastas de manipulação em massa. Pela sobrevivência das democracias e pela manutenção da soberania das nações.

Crédito: Istock 
Por: Jacqueline Cordeiro

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