Viktor Frankl, o psiquiatra da resiliência: “Quando não podemos mudar a situação, somos desafiados a mudar a nós mesmos”
Quando não é possível mudar a realidade, a transformação deve começar na própria pessoa, ajustando atitude e forma de pensar
Em um mundo marcado por crises emocionais, pressões sociais e desafios imprevisíveis, a reflexão de Viktor Frankl, psiquiatra austríaco e criador da Logoterapia, ecoa com força singular: “Quando não podemos mudar a situação, somos desafiados a mudar a nós mesmos”. Essa perspectiva transformadora coloca a resiliência como competência central para enfrentar adversidades e encontrar sentido mesmo nas circunstâncias mais difíceis, influenciando profundamente a forma como indivíduos e grupos constroem saúde emocional e propósito coletivo.

Quem foi Viktor Frankl e por que sua mensagem continua atual?
Viktor Frankl foi um renomado psiquiatra que sobreviveu aos campos de concentração nazistas e transformou sua experiência extrema em uma das teorias psicológicas mais impactantes do século XX. Sua vivência de sofrimento profundo deu origem à Logoterapia, abordagem centrada na busca de sentido como força motivadora essencial da vida humana.
No contexto social contemporâneo, marcado por ansiedade, esgotamento e crises identitárias, sua mensagem permanece atual porque oferece uma alternativa poderosa ao vitimismo e à desesperança. Frankl reforça que, mesmo quando as circunstâncias externas não podem ser alteradas, ainda existe liberdade interior para escolher atitudes e respostas.
Como a Logoterapia contribui para a resiliência coletiva?
A Logoterapia propõe que o sentido da vida pode ser encontrado no trabalho, nas relações e na postura diante do sofrimento inevitável. Essa visão amplia o conceito de resiliência, que deixa de ser apenas resistência emocional e passa a ser reconstrução de significado em meio às dificuldades.
Quando aplicada em contextos comunitários, educacionais e organizacionais, essa abordagem fortalece vínculos e promove responsabilidade individual dentro do coletivo. Alguns pilares que sustentam essa construção de resiliência incluem:
- Reconhecimento da liberdade interior, mesmo em situações limitantes
- Valorização do propósito pessoal como motor de superação
- Transformação do sofrimento em aprendizado significativo
- Fortalecimento da responsabilidade ética nas relações sociais

Por que mudar a si mesmo é um ato de coragem social?
A frase de Viktor Frankl destaca que a verdadeira mudança começa internamente, o que exige maturidade emocional e autoconhecimento. Em vez de focar exclusivamente em fatores externos, essa perspectiva convida cada indivíduo a assumir protagonismo diante das adversidades.
Essa mudança interna não representa conformismo, mas sim posicionamento consciente. Ao transformar atitudes, crenças e comportamentos, a pessoa influencia diretamente o ambiente ao seu redor, criando impactos positivos que reverberam na família, no trabalho e na comunidade.
Quais lições práticas podemos aplicar no dia a dia?
Incorporar os ensinamentos de Viktor Frankl na rotina exige reflexão contínua e compromisso com o próprio desenvolvimento. A resiliência não surge de forma automática, ela é cultivada por meio de escolhas diárias alinhadas com valores e propósito.
Para fortalecer essa postura diante dos desafios, algumas práticas podem ser incorporadas à vida cotidiana:
- Praticar a autorreflexão para identificar o que está sob seu controle
- Buscar significado nas experiências difíceis, em vez de apenas evitá-las
- Desenvolver empatia e compreensão nas relações interpessoais
- Estabelecer metas alinhadas com valores pessoais e coletivos
- Adotar uma postura ativa diante dos obstáculos, evitando a passividade
Como a resiliência impacta pessoas e sociedade?
Quando indivíduos desenvolvem resiliência baseada em sentido, a sociedade como um todo se fortalece. Comunidades compostas por pessoas conscientes de sua responsabilidade emocional tendem a ser mais colaborativas, éticas e solidárias.
A contribuição de Viktor Frankl ultrapassa os limites da psicologia clínica e alcança o campo social, mostrando que a transformação interna é um caminho viável para enfrentar crises coletivas. Ao mudar a si mesmo, cada pessoa se torna agente ativo de uma sociedade mais equilibrada e humanizada.