Com 30 objetos tridimensionais do artista plástico Gilberto Salvador, a mostra "Gênesis", em cartaz no jardim do MCB (Museu da Casa Brasileira), promove o diálogo entre a arquitetura e a urbe e desafia o olhar dos visitantes. Especialmente elaborados para a exposição, os trabalhos revelam como elementos constantes podem criar diferentes objetos, resultando em formas, cores, ritmos e movimentos que transcendem a arte visual e se inserem de forma marcante no espaço arquitetônico.

Gilberto Salvador habitualmente trabalha com séries, diferenciando uma peça de outra, de modo a estimular um olhar especial para captar as sutilezas formuladas, por vezes com ironia, em outras demandando concentração. Parte de formas geradoras, a genesis. Cada matriz se desloca e se desvia, ora para a lateral, ora para direções opostas, pedindo para serem contornadas e permitindo, na similaridade, captar especificidades.

“Os títulos são pistas, por vezes contrárias, querendo que a significação visual e lúdica seja compartilhada pelo público, o que não é habitual, pois em geral se deseja reconhecer algo pré-existente, o que não ocorre aqui”, diz Maria Cecília França Lourenço, professora titular de História da Arte na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. “As obras carregam aspectos comuns a toda humanidade, trazendo formas geométricas regulares e irregulares, facilitando muito a interação com todos”.

A peça Tripholio, com as dimensões de 2,30 x 2,70 x 2,00m, feita com estrutura de madeira e aço inoxidável, recoberta de fibra de vidro e resina goffrato, terá seu processo construtivo demonstrado em imagens. Ali, também estarão em exposição seis peças de parede criadas por Gilberto Salvador, quatro delas cinéticas.

O artista tem obras implantadas em espaço público e em museus, abarcando pintura, gravura, escultura e arquitetura. Formado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP) em 1973, desde 1964 se direcionou para as artes visuais, tendo realizado várias exposições.

Gênesis