Exposições dos trabalhos da artista conhecidos como Monotipias, desenvolvidos durante um único período, entre 1964 e 1966. Apresentada na VIII Bienal Internacional de São Paulo, a série foi uma das mais importantes e extensas na produção de Mira, campo inesgotável de experimentação, resultando em um marco de sua obra.

A mostra reúne cerca de 30 Monotipias nas quais se evidenciam a gestualidade e a espontaneidade do traço, composto por elementos como linhas, frases, palavras e arquiteturas. Num procedimento único, sobre uma lâmina de vidro a artista colocava tinta preta à base de óleo sob o papel de arroz coberto de talco e desenhava com ponta seca, portanto as linhas eram marcadas pelo avesso. Porém, como o papel japonês finíssimo promove alta absorção da tinta, os desenhos não têm frente e verso. “Suas linhas pareciam nascer de dentro do papel, sem que um movimento externo o conduzisse”, observou Rodrigo Naves.

Mira costuma afirmar que julgava erradíssima a arte que cobre completamente essa textura, o movimento da mão. “Dou a maior importância que seja assim manual, que seja artesanal, que seja vivenciada, que saia assim da barriga – deve brotar da barriga e não simplesmente da mão” (Mira Schendel, Espaços da Arte Brasileira, Maria Eduarda Maques, Cosac&Naify).

Mantendo-se independente do movimento concreto e neoconcreto, Mira é celebrada pela crítica por sua obra original que equilibra racionalismo com intensa sensibilidade. Com seu estofo intelectual, tinha a seu lado personalidades como Mario Schenberg, Haroldo de Campos, Max Bense e Guy Brett, este último responsável pela difusão de sua obra em vários países. Nascida em Zurique, na década de 30, foi para Milão, onde estudou arte e filosofia. Em 1949, chega ao Brasil e instala-se em Porto Alegre, onde trabalha com design gráfico, pintura, escultura, além de escrever poemas. Participa da 1ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1951, e, em 1953, muda-se para a capital paulista. Após sua morte, em 1988, multiplica-se a presença de seu trabalho em exposições dentro e fora do Brasil. Em 1994, a 22ª Bienal Internacional de São Paulo lhe dedica uma sala especial.

Exposição de Mira Schendel