Cristina Flória

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Mulheres Xavantes

O cotidiano das mulheres da Aldeia Xavante Etenhiritipa – localizada na Terra Indígena Pimentel Barbosa, município de Canarana, no Estado de Mato Grosso  – é o tema do documentário PIÕ HÖIMANAZÉ – A MULHER XAVANTE EM SUA ARTE que será lançado no dia 8 de dezembro, segunda-feira, às 20h30, no CINESESC.

A erva usada para não menstruar, os segredos da hora do parto, a relação com os filhos e as atividades diárias, como a coleta de frutos do cerrado e o processamento do urucum e do carvão são alguns pontos apresentados com exclusividade pela diretora Cristina Flória, responsável também pelo roteiro e que desenvolve trabalhos há 16 anos nas aldeias Xavante. Com 52 minutos, o documentário é uma co-produção da A 2.0 Produções Artísticas com o SESC TV e será distribuído, numa versão compacta, para escolas e bibliotecas do interior de São Paulo e Mato Grosso.

Os 15 meses de trabalho, que envolveram as gravações na aldeia, iniciadas em setembro de 2007, edição, sonorização e finalização, criaram uma proximidade de Cristina com as mulheres da aldeia. A equipe fez quatro viagens, em diferentes estações do ano, de aproximadamente 30 dias cada. Além disso, a maior parte das imagens foi captada pelos cinegrafistas Xavante Jorge Protodi e Caimi Waiassé.

A diretora Cristina Flória conta que se surpreendeu com todas as revelações conseguidas ao longo do documentário. “Esperava algo mais superficial, pois a cultura Xavante é voltada para o homem, deixando as mulheres mais preservadas”, explica Cristina. A idéia do documentário é entender o universo feminino indígena, já que há pouca coisa documentada sobre a vida das mulheres indígenas. “Temos também que entender que os Xavantes só tiveram o primeiro contato com a sociedade envolvente há 60 anos”.

Crianças, parto, menstruação e pinturas

PIÕ HÖIMANAZÉ – A MULHER XAVANTE EM SUA ARTE traz uma visão diferenciada do dia-a-dia das mulheres A’uwê. Apesar de mostrar o cotidiano de 12 mulheres, que contam coisas importantes, a mulher mais velha, Luiza Penewe, destaca informações importantes que aconteceram antes do contato da aldeia com os warazu, os não A’uwê (homens brancos). Na época, Luiza era jovem, além de ser filha de um grande líder Xavante. “Consegui captar as mudanças que estão ocorrendo entre as próprias mulheres, além de poder conhecer melhor as várias atividades delas, como a coleta de frutos do cerrado e o processamento do urucum e do carvão”, conta Cristina.

Apesar de não falarem português (o documentário é legendado), as mulheres da Aldeia Etenhiritipa fizeram grandes revelações, como a erva usada para não menstruar e os segredos da hora do parto. “Também conseguimos mostrar a relação delas com os filhos, principalmente na fase da adolescência, quando os meninos saem de casa e vão para a reclusão, onde permanecem durante cinco anos e são formados pelos padrinhos”, antecipa a diretora.

Cristina lembra que a autorização para trabalhar com as mulheres na aldeia só foi concedida depois de muitas conversas. “A princípio os homens resistiram à idéia, pois diziam que ia acontecer uma revolução feminina, mas com cuidado e com o conhecimento que eu já tinha, chegamos a um consenso”, afirma a diretora. Para isso, foi realizado o Warã, o conselho dos homens, local das reuniões diárias, onde todas as decisões são tomadas. O discurso Xavante, neste conselho, é múltiplo e os interesses discutidos são os coletivos em detrimento dos individuais.

Sobre Os Xavantes

Os Xavante se autodenominam A’uwê Uptabi, que significa povo verdadeiro. Eles falam a língua a’uwê da família lingüística jê e vivem no Estado do Mato Grosso, somando cerca de 13 mil indivíduos distribuídos em mais de 180 aldeias. A Aldeia Etenhiritipa está localizada na Terra Indígena Pimentel Barbosa, município de Canarana, onde vivem cerca de 300 pessoas, em 21 casas dispostas em semicírculo voltadas para a Serra do Roncador.

Piõ Höimanazé