Desde o início do ano uma onda de revoltas e manifestações se espalhou pelo mundo árabe, norte da África, Europa e depois por todo o globo. Em São Paulo, os ecos dessa movimentação foram sentidos em atos como o “Churrascão da Gente Diferenciada” e a “Marcha da Maconha”, que depois de ser proibida pelo STF (Superior Tribunal Federal) se tornou a “Marcha Pela Liberdade de Expressão” e “Marcha Pela Liberdade”.

Brunno Marchetti

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Em maio deste ano a " Marcha Pela Liberdade" reuniu mais de 3 mil pessoas na Avenida Paulista

Depois de meses de manifestações, ocupações e guerras civis, que resultaram em inúmeras baixas, mas também em incontáveis vitórias, chegou o momento em que todos países que foram palco de algum tipo de movimentação ou manifesto decidiram unir forças por uma mudança global de paradigma.

O ato acontecerá no dia 15, às 15h. Em São Paulo, a concentração, no Largo São Bento, será seguida de uma caminhada até a Praça Ramos de Azevedo, no Anhangabaú, onde ficará a "acampada" (ocupação da praça) e onde acontecerão os demais eventos previstos na *programação.

Pelo Mundo

Nesse exato momento milhares de manifestantes ocupam a Liberty Plaza, localizada dentro do distrito financeiro de Wall Street, em frente ao monumento que lembra os atentados de 11 de setembro. Segundo os manifestantes novaiorquinos, sua luta é pelo fim da opressão que o 1% de corruptos e gananciosos, impõe aos outros 99% da população.

Ao redor do mundo as reivindicações são diversas. No Egito a população entrou em confronto direto com as forças contra-revolucionárias de Hosni Mubarak e após meses de conflito, conseguiu derrubar o ditador. Na Líbia, civis se levantaram contra o governo autoritário do coronel Muamar Kadafi e em inúmeros países da Europa a população, abalada pelos ecos da crise econômica de 2008, foi às ruas reivindicar os direitos básicos que lhe foram tolhidos.

Articulação Global

A articulação entre as ações realizadas em diferentes países começou em maio na Espanha, quando mais de 20 mil pessoas tomaram as ruas para protestar contra os altos índices de desemprego e contra as medidas de austeridade impostas pelo governo. Desse levante surgiu o movimento Democracia Real Ya (DRY), responsável pela mobilização e integração das ações do 15 de outubro em diversos países. No Brasil ele é representado pelo Democracia Real Já, que está ajudando a organizar o ato deste sábado.

Apesar da heterogeneidade das reivindicações, culturas e contextos políticos dos países articulados para a ação do dia 15, essas movimentações têm alguns pontos em comum. Um deles é o caráter aparentemente descentralizado e apartidário e o outro, a mobilização pela internet e redes sociais. Talvez seja essa a cara dos movimentos e manifestações do século 21. Ao que tudo indica, a geração web 2.0 está encontrando uma nova maneira de protestar.

*A programação completa ainda não foi divulgada. Mais informações em breve no Catraca Livre.