"Bombas brasileiras estão matando civis no Iêmen", diz Kristine Beckerle, advogada e pesquisadora da ONG internacional de direitos humanos Human Rights Watch.

As munições cluster, fabricadas no Brasil pela Avibrás Indústria Aeroespacial SA, são proibidas por 119 dos 193 países do mundo. Munições como essas mataram 21 civis em 17 ataques conduzidos por uma coalizão liderada pela Arábia Saudita no Iêmen nos últimos cinco anos.

Em entrevista ao Nexo, Kristine falou sobre os mais de 100 países que decidiram banir essas munições. "Em vez de se unir ao grupo de países que defende o banimento das munições cluster, o Brasil se recusou a assinar o tratado que proíbe a produção e o uso desse tipo de munição", disse à publicação.

Sede da Avibras fica em São José dos Campos (SP)

Créditos: iStock / JohnnyPowell

Sede da Avibras fica em São José dos Campos (SP)

As munições cluster são lançadas por foguetes que se abrem no ar, lançando centenas de submunições. Elas são feitas para saturar com explosivos uma grande extensão de terra. Por sua baixa acuidade, podem atingir indiscriminadamente tantos alvos militares quanto civis. Além disso, um grande número dessas submunições não detonam ao impactar com o solo, e por isso permanecem por anos infestando os locais atingidos, até que um toque desprevenido as detone.

"Uma razão pela qual uma maioria esmagadora dos Estados apoiam o banimento das munições cluster: essas armas causam danos quando usadas e continuam causando danos aos civis muitos anos depois de terminados os conflitos", explica a pesquisadora.

Em 2015, a ONG Anistia Internacional já havia denunciado o uso da cluster brasileira contra civis no Iêmen. Questionada pelo Nexo, o Ministério da Defesa se limitou a dizer que o Brasil prioriza outros tratados que regulam o comércio internacional de armas, que não o tratado específico sobre as cluster. Leia a reportagem na íntegra aqui.