No final do ano passado, a campanha #MeuAmigoSecreto tomou conta das redes sociais com milhares de histórias relatadas por mulheres sobre casos de machismo e violência de gênero envolvendo pessoas próximas, como amigos, companheiros, chefes e parentes.

Para dar continuidade aos debates do mundo virtual, o coletivo feminista Não Me Kahlo vai lançar nesta quinta-feira, dia 19, o livro "#MeuAmigoSecreto: Feminismo além das redes" (Edições de Janeiro). A obra reúne artigos das cinco integrantes do coletivo sobre assuntos ligados a um objetivo em comum: a desconstrução do machismo. O lançamento será às 19h, na Livraria da Travessa, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro.

"Não é um livro com relatos, é um livro que fala dos problemas que levam a misoginia a ser naturalizada na sociedade. Debruçamos em pesquisas para criar um material consistente que sirva de apoio para aqueles que quiserem compreender melhor as raízes do machismo e quais são as pautas feministas", afirmam as autoras e participantes do Não Me Kahlo ao Catraca Livre.

Créditos: Divulgação

A campanha que dominou a internet será transformada em livro

Cada artigo começa com a hashtag para denunciar algum discurso machista. "#MeuAmigoSecreto fala mal de mulher que 'dá' no primeiro encontro. Mal ele sabe que o sexo também nos pertence", diz um dos capítulos. De acordo com as articuladoras, o intuito é que a obra rompa fronteiras do ambiente virtual e chegue às mulheres em "faculdades, centros comunitários, escolas, coletivos presenciais e que passe de mão em mão".

No livro, as autoras abordam o feminismo interseccional e as diversas facetas do machismo, como os padrões estéticos, a maternidade, a criminalização do aborto e a falta de suporte social a mulheres nessa situação, entre outras questões. "Outro tema tratado é o antifeminismo, um estudo sobre por que o feminismo ainda é rejeitado por uma parcela da população", contam as ativistas.

O livro inaugura a Coleção Hashtag, criada pela editora Edições de Janeiro para o lançamento de obras que explorem temas que repercutiram na internet e tenham relevância coletiva. As autoras participantes e articuladoras do coletivo são: Gabriela Moura, Bruna Leão, Bruna de Lara, Thaysa Malaquias e Paola Barioni.

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Feminista, vegetariana e repórter de Cidadania no Catraca Livre. ("nossas costas / contam histórias / que a lombada / de nenhum livro / pode carregar" - Rupi Kaur)

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