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Vídeo com agressão a morador de rua teve mais de 11 milhões de visualizações

Após ter sido agredido por um agente da Guarda Civil Metropolitana (GCM), o morador de rua Samir Ali Ahmed, 40, recebeu a visita do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), junto ao anúncio de que ele e sua companheira, Mirella Nunes Ramos, 37, ganhariam uma oportunidade de emprego.

Em um vídeo divulgado na página de Doria no Facebook, o prefeito diz que condena a agressão sofrida pelo morador de rua e afirma que os agentes envolvidos serão afastados.

Na publicação, o tucano não informou qual será o emprego do casal. A preparação para a vaga começará na segunda-feira (8), segundo o secretário municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Filipe Sabará, que acompanhou Doria na visita ao abrigo em que o casal está, no Brás, região central.

A agressão contra Samir ocorreu na quarta-feira (3) próximo ao Metrô Conceição, na zona sul da capital, durante uma operação da prefeitura para recolher objetos deixados por moradores de rua. Toda a ação foi gravada por um estudante que passava pelo local na hora.

As imagens mostram três guardas encurralando Samir na tentativa de abordagem. O morador de rua pede aos agentes que não levem seus pertences embora. "Não leva meus bagulhos, não. Eu não tenho nada", diz. Ele teve o punho quebrado.

"Não leva meus bagulho não, por favor, eu não tenho nada" Ontem a temperatura mínima na cidade de São Paulo foi 16 graus. Não foi um sono difícil, entretanto. Tenho em casa colchão, cobertores e um fogão que me esquenta a barriga antes de deitar. Tenho paredes à minha volta que impedem o vento gelado de me castigar durante a noite. Tenho o suficiente para garantir a sobrevivência de um ser humano com o mínimo de dignidade.Hoje, uma quarta-feira de todos os santos, sai de casa bem encasacado. Subi a escadaria e caminhei pelo pequeno terminal de ônibus do bairro. Desci por uma das entradas do metrô Conceição e sai pelo outro lado, evitando a avenida caótica e barulhenta que corre acima dos trens.Impelido pelo desejo de começar o dia com uma coxinha ou um pastel, eu caminhava até o Praça São Paulo quando de repente avistei uma das "limpezas" períodicas praticadas pela prefeitura. Alguns agentes da Guarda Metropolitana - a GCM - tentavam remover os poucos pertences de um morador de rua: um colchão, alguns cobertores e um carrinho de supermercado, cuja nota fiscal o sujeito foi incapaz de apresentar, vejam bem. Não pretendo me estender aqui, porque o vídeo fala mais do que qualquer coisa que eu tenho capacidade de escrever. Mas como é triste viver numa sociedade que coloca um trabalhador pra reprimir seu camarada, tirar dele o pouco que tem e deixá-lo numa situação pior ainda do que a pobreza repugnante na qual se encontrava antes.Acima de tudo, uma sociedade que gera tanta mas tanta miséria apenas para que encontre depois, como solução, criminalizá-la. Vem aí o inverno. A mínima de hoje é de 15 graus.

Posted by Marcos Hermanson on Wednesday, May 3, 2017

Caso isolado?

Em conversa com Samir e Mirella, o prefeito chamou de "muito condenável" e "absolutamente covarde" a agressão praticada pela GCM. "Infelizmente existem situações de exceção", afirmou.

No entanto, logo no começo do ano, Doria fez alterações no decreto de zeladoria urbana criado na gestão Fernando Haddad (PT), deixando a população de rua ainda mais vulnerável.

Entre as mudanças formuladas pelo tucano, foi retirado o veto à remoção de colchões, papelões, colchonetes, cobertores, mantas, travesseiros, lençóis e barracas desmontáveis. O decreto anterior não permitia esse tipo de apreensão.

Contra esse novo texto publicado no Diário Oficial em 21 de janeiro, o projeto Minha Sampa criou uma petição chamada Não Tire Meu Cobertor, na qual pede a revogação do novo decreto autorizado pelo tucano.

Mais de 5 milhões de pessoas assistiram e se chocaram com o vídeo [bit.ly/2pLHVKv] de um ação da GCM agredindo e...

Posted by Minha Sampa on Thursday, May 4, 2017

"O Decreto Nº 57.581 parece igual ao que já estava em vigor, mas na verdade traz mudanças significativas. (...) É por se tratar da parcela mais vulnerável da população, que precisamos pressionar imediatamente o prefeito para que ele volte atrás e garanta a proteção e os direitos da população de rua", diz o texto da petição. Assine aqui.

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