“Espera-se que um eleitor escolha seu voto com base em sua afinidade ideológica com o partido, mas são as votações efetuadas pelos parlamentares que realmente afetarão a vida desse eleitor. E como as votações dos parlamentares não necessariamente ocorrem de acordo com as ideologias pregadas pelos partidos, é importante para o eleitor acompanhar como efetivamente seu partido está votando.”

Fabio Rodrigues - Agência Brasil

Créditos: Fabio Rodrigues - Agência Brasil

As votações dos parlamentares viram tabelas, gráficos e animações que mostram como se relacionam os partidos brasileiros

É assim que o portal Radar Parlamentar explica aos seus visitantes a importância do trabalho que fazem. Trata-se de uma plataforma que busca ajudar aqueles que se propõem a acompanhar de perto as votações dos parlamentares brasileiros.

E isso é feito de forma parcialmente simples. Os criadores do site analisam como os partidos votam ao logo dos anos e, após um “tratamento algébrico”, criam tabelas, gráficos e animações que mostram como a posição partidária varia com o passar do tempo.

Assim, a intenção é que as pessoas possam perceber o “comprometimento” dos os partidos aliados, isto é, como as alianças políticas deixam o voto partidário com um peso muito maior do que o individual.

Dados abertos

O método é “parcialmente” simples pois, para acontecer, ele precisa se alimentar de dados abertos, ou seja, de informações publicadas e disseminadas pelo próprio setor público que possam ser reutilizadas em aplicações digitais desenvolvidas pela sociedade.

Saiba mais

Desde 2001 tramita na Câmara dos Deputados uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC 349/01) que institui o voto aberto no Parlamento brasileiro. Em setembro de 2006 esta proposta foi aprovada por unaninmidade em primeiro turno na Câmara Federal e, desde então, está parada.

O problema, segundo o site é que o acesso a esse tipo de dados é quase sempre difícil. A maior parte das votações ocorridas no congresso Nacional, por exemplo, não está disponível para a população. É por isso que o site é um dos que juntam voz à campanha pelo voto paramentar aberto.

Origem e destino

A ideia surgiu quando um grupo de estudantes da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo – Poli USP se envolveu com pesquisa de softwares livres e criou um grupo de estudos próprio do tema, o PoliGNU.

Ao longo do trabalho com tecnologia, cultura e softwares livres, o grupo foi se desmembrando em projetos mais específicos, como o CamaraWs, que passou a fazer análises automatizadas das votações parlamentares e evoluiu para o Radar Parlamentar.

O objetivo da plataforma, contudo, é que cada pessoa possa fazer sua própria análise desde que tenha um conhecimento mínimo sobre banco de dados. Para isso, o site disponibiliza para download todos os dados aos quais tem acesso. Dese modo, a função do portal é incentivar uma busca cada vez maior por dados abertos, forçando os órgãos a liberarem informações de interesse público e fortalecendo a relação entre transparência e controle social entre governos e sociedade.