Faz três anos que saí do mundo corporativo para empreender o meu negócio criativo. Nem posso dizer que senti falta dos benefícios do CLT porque a única vez que fui contratada fazem 10 anos, em meu primeiro e único trabalho no shopping -- que, diga-se, de passagem eu aguentei a pressão por quatro meses.

Depois disso, sempre fui PJ (pessoa jurídica). E isso, de alguma forma, sempre me fez questionar o comportamento das empresas que trabalhei --deveres: tinha vários. Direitos, que direitos?

Créditos: Arquivo pessoal

A jornalista Mayara Castro parte em dezembro para a Ásia

Sinto que cada vez as novas gerações se preparam para nova alçada em suas carreiras. Não é de hoje que questionamos a educação, mas, cada vez mais damos por óbvio que profissões tradicionais sugeridas pelos nossos pais por "pagarem bem" não trazem mais felicidade --até porque, o problema não é a quantidade de dinheiro que se ganha, mas a maneira que se gasta. Quem aí já se pegou tentando se convencer de: "tenho que trabalhar para pagar as contas do carro que uso para ir para o trabalho"?

Sou jornalista, paguei caro para me formar e no meio do caminho o diploma caiu. Logo entrei para o universo da comunicação online e, claro, por ser um solo novo, além de não ser bem remunerada, estava vivendo esse ciclo vicioso, infeliz e sem perspectivas.

Até que, em 2013, a coragem veio e resolvi criar um negócio próprio. Nesse momento, várias questões vieram à tona. Senti falta de aprender sobre empreendedorismo na faculdade. Senti falta de profissionais dispostos a me ajudar, levando em consideração que não tinha grana como os grandes para pagá-los.

Percebi, então, que para o movimento contrário começar a funcionar, a engrenagem precisava parar de girar. Foi aí que decidi que o meu trabalho não serviria as grandes marcas, mas pessoas protagonistas de ideias que incríveis que, assim como eu, precisava de ajuda.

Neste mês de dezembro, comemoro quatro anos de empreendedorismo autônomo e livre, que diariamente me ensina que a comunicação nada mais é do que uma ferramenta poderosa feita para ajudar a promover iniciativas que colaboram para a construção de um mundo melhor --porque sobre desgraça, já basta a grande imprensa comunicar.

E se existe protagonista nessa história toda, o papel é da internet, que nos dá espaço, permissão e nos ajuda cada vez mais a democratizar o acesso à informação e à bens de consumo. Pequenos empreendedores, artesãos, produtores manuais sempre existiram. A diferença é que agora aparecemos. Como diz meu sábio pai: "a crise que estamos vivendo não é econômica, mas de valores, porque hoje em dia temos oportunidade para fazer melhores escolhas".

É nessa incessante busca, de ajudar o pequeno empreendedor a ser visto e lembrado, que escolhi viajar o mundo com o meu trabalho. E, claro, vou contar tudo aqui e nas minhas redes sociais. Se quiser conhecer um pouquinho do que faço, é só vir aqui: www.mayaracastro.me  ou no Instagram.

Por Mayara Castro

Nem tudo são flores quando se vive como um nômade digital