Não faltam argumentos para você se convencer de que Machu Picchu é uma experiência única no continente. Mas existem também tantos outros que vão fazer você pensar duas vezes, antes de desembarcara na antiga cidade dos incas, a nordeste de Cusco .

Patrimônio Mundial pela Unesco e uma das novas sete maravilhas do mundo moderno, o Santuario Histórico de Machu Picchu é um dos endereços turísticos mais procurados da América do Sul, cujo número de visitantes ultrapassa um milhão, anualmente.

Créditos: Eduardo Vessoni

Vista das ruínas de Machu Pícchu

É lindo, é emocionante e está bem preservado. Mas também é longe, tem altos custos e, em certos momentos, beira à muvuca.

O local deveria ser um local sagrado, daqueles que o silêncio dá o ritmo da visita e a gente se emociona e tudo.

Deveria, mas nem sempre é.

A fila para embarque nos ônibus que sobem até a entrada do parque começa a se formar na madrugada gelada de Águas Calientes, também conhecido como Machu Picchu Pueblo.

No meu caso, cheguei às 4h30 da manhã, no último mês de agosto, quando centenas de turistas se enfileiravam, à espera do primeiro ônibus. O primeiro casal da fila (fiz questão de ir lá preguntar) tinha chegado ali às 2h30. Sim, às duas e meia da matina.

Créditos: Eduardo Vessoni

Vista do antigo setor urbano de Machu Picchu

O portão só abre às sete, quando estrangeiros se acotovelam nas catracas estreitas da entrada para serem os primeiros a pisarem solo sagrado.

E para que a sua primeira visita a Machu Picchu não seja frustrante, o Viagem em Pauta preparou esse guia detalhado com dicas, roteiros e preços.

Onde fica

Créditos: Eduardo Vessoni

Vista geral do Vale de Urubamba

Machu Picchu está a mais de 2.400 metros sobre o nível do mara e a 112,5 km de Cusco, na província de Urubamba.

A viagem até lá é marcada pela transição entre as montanhas dos Andes (das noites frias e dos ventos constantes) e a floresta nublada (do excesso de chuvas e dos ventos quentes). É como sair do sertão brasileiro e viajar até a Amazônia, em menos de duas horas de viagem.

Quando ir

A alta temporada na região vai de junho a setembro, com pico em agosto, durante as férias na Europa.

A melhor época para visitar o Santuario Histórico de Machu Picchu continua sendo os meses mais frios, de maio a outubro, durante a temporada de seca.

Créditos: Eduardo Vessoni

Hotel Inkaterra, em Aguas Calientes

De novembro a abril, chove, praticamente, todos os dias, segundo guias locais. Evite fevereiro, a qualquer custo, pois é a temporada de maior probabilidade de chuvas.

Clima

As temperaturas anuais variam de 6º C (mínima) a 21º C (máxima).

Devido às altitudes elevadas, as manhãs costumam ser bem frias e os dias mais quentes, sobretudo durante o verão. Por isso, esteja preparado para mudar de roupa, entre sua espera no ponto de ônibus e a visita ao santuário.

Horários de visita

Créditos: Eduardo Vessoni

De Aguas Calientes, é possível chegar em Machu Picchu, a pé ou em transfers (US$ 24, ida e volta)

Desde julho de 2017, o Ministério da Cultura do Peru estabeleceu dois turnos para visita a Machu Picchu: manhã (das 6h às 12h) e tarde (das 12h às 17h).

Mas na prática, os guias que operam no atrativo garantem que até agora nenhum controle está sendo feito, ou seja, controla-se a entrada, mas não há como fazer o controle da saída.

Melhores horários

O turno da manhã é o mais requisitado, pois os visitantes querem ver o nascer do sol que, no inverno, acontece por volta das sete.

Para evitar a muvuca matutina, procure ir à tarde, quando há menos visitantes e as filas dos ônibus, em Aguas Calientes, tendem a ser menores.

Pela manhã, as filas costumam ser longas até às 9h, aproximadamente.

Segundo o departamento de promoção turística do Peru, a capacidade é de 2.500 vistantes por dia. No entanto, os guias locais afirmam que a alta temporada chega a receber de quatro a oito mil pessoas, diariamente.

Ingressos

A entrada de estrangeiros custa 152 soles (R$ 146, aproximadamente, em cotação de outubro de 2017) ou 200 soles, com acesso a Huayna Picchu, a famosa montanha por detrás da cidadela inca.

Os ingressos podem ser adquiridos, previamente, nas agências turísticas de Cusco ou via internet (machupicchu.gob.pe) e são personalizados, com nome e número de passaporte do visitante.

E é sempre bom se programar com antecedência. A venda de ingressos para janeiro de 2018 começaram, três meses antes.

Não é possível comprar ingressos na entrada do santuário.

Documentos

Não deixe de levar passaporte, pois essa é a identificação exigida na catraca de acesso ao santuário.
O que vestir

Créditos: Eduardo Vessoni

Use roupa leve e esportiva em Machu Pícchu

Não é raro ouvir relatos de guias locais que receberam visitantes com salto alto. Por isso, não perca a mão (e nem vá com a roupa errada), na hora de visitar esse santuário.
Use roupa leve e esportiva, mas quem vai pela manhã, deve se preparar também com roupa bem abrigada, como jaqueta e gorro.
O que levar
 Repelente, protetor solar e chapéu ou boné são itens indispensáveis.Leve também alimentos e água para encarar as filas de acesso ao ônibus até a entrada do parque.

Os preços nos estabelecimentos que ficam ao longo da fila costumam ser surreais, como o pão seco com uma fatia discreta de queijo, a 5 soles peruanos.

A única opção de refeição em Machu Picchu é o restaurante do Sanctuary Lodge, cujo buffet livre custa 45 dólares por pessoa.

Guia

Créditos: Eduardo Vessoni

Vista do antigo setor urbano de Machu Picchu

Com as novas regras de acesso ao parque, todos os visitantes devem estar acompanhados de um guia cadastrado, mas o local ainda tem feito vista grossa.

Os guias contratados em Aguas Calientes ou na porta do sítio arqueológico cobram de US$ 40 a US$ 80 para um trabalho de duas horas, aproximadamente. O serviço costuma incluir visitas à zona urbana e aos recintos de adoração de Machu Picchu.

Deixar de contratar um guia pode ser uma opção econômica, mas lembre-se que esse complexo arquitetônico inca do século 15 é complexo e cheio de histórias, melhor contextualizado com informações dadas pelos guias.

Como chegar

Créditos: Eduardo Vessoni

Embarque em Aguas Calientes, principal porta de entrada para Machu Picchu, no Peru

De Ollantaytambo a Águas Calientes, a cidade que serve de base para quem visita Machu Picchu, a única formal oficial de chegar é via trem.

⇒ OPÇÃO 1*

1. ônibus de Cusco a Ollantaytambo: 15 soles peruanos (R$ 14,45, aproximadamente) e 1h45 de viagem;

2. trem de Ollantaytambo a Águas Calientes: a partir de 54 dólares, cada trecho (R$ 154, aproximadamente) e 1h45 de viagem. O primeiro trem chega em Aguas Calientes, às 6h35. Quem tiver com orçamento um pouco mais folgado pode investir em um  lugar na 1ª classe do trem, com maior espaço entre as poltronas e serviço de bordo com refeição e bebidas;

Créditos: Inca Rail/Divulgação

Primeira Classe do trem que vai de Ollantaytambo a Aguas Calientes

3. Micro-ônibus de Águas Calientes a Machu Picchu: 24 dólares, ida e volta (R$ 75, aproximadamente) e 25 minutos por estrada de terra com 7,5 (ziguezagueantes) quilômetros até a entrada do santuário. Os ônibus partem a cada 5 minutos, aproximadamente, de acordo com a disponibilidade. Para economizar, é possível fazer esse último trecho a pé, uma caminhada íngreme que dura, em média, 1h30.

TOTAL: R$ 411,90 (ida e volta para Cusco)

⇒ OPÇÃO 2**

A outra maneira oficial para chegar a Machu Picchu é o Camino Inca, uma caminhada de quatro dias e 43 km de extensão, entre o km 82 da linha férrea e a Puerta del Sol, já em Machu Pícchu.

Um serviço completo decente deve custar entre US$ 600 e US# 700 por pessoa. Desconfie das promoções milagrosas, comuns em Cusco, em que um pacote com tudo incluído custa US$ 100.

* as viagens de trem são operadas pela Inca Rail e Peru Rail, e os bilhetes devem ser comprados com antecedência.

**não foram consideradas as alternativas (ilegais) para se chegar ao santuário, como a famosa (e arriscada) caminhada pela linha do trem.

Onde ficar

Créditos: Eduardo Vessoni

Hotel Inkaterra, em Aguas Calientes

Na medida do possível, procure chegar um dia antes em Aguas Calientes para descansar e explorar a região.

Conhecida também como Machu Picchu Pueblo, a cidade tem opções que vão desde hostels simples a hotéis bem estruturados.

Viagem em Pauta se hospedou no Inkaterra, em uma área de seis hectares, aproximadamente, com cabanas em meio à floresta.

Localizado ao lado da estação de trem de Aguas Calientes, esse hotel conta com atividades como observação de mais de 200 espécies de aves, visitas a uma plantação de chá, às pinturas rupestres da Roca Sagrada e ao maior orquidário do mundo em espécies nativas, com 372 espécies e 80 gêneros. Diárias, a partir de US$ 602.

Já o Sanctuary Lodge é para quem quer exclusividade, literalmente. Esse hotel é considerado o único que fica ao lado da entrada para Machu Picchu e permite ao hóspede chegar ao local, antes do público que sobe em ônibus. As diárias ali chegam fácil aos mil dólares.

Dicas do Viagem em Pauta

– Contrate apenas empresas registradas como agências de turismo. Não é raro encontrar em Cusco lojas multifuncionais que vendem souvenirs, comida e… tours para Machu Picchu;

Créditos: Eduardo Vessoni

Um dos acessos a Machu Pícchu

– Na ida, escolha o lado esquerdo do trem, de onde se tem vista privilegiada dos Andes, do rio Urubamba e da selva;

– A trilha Salkantay é a única que chega pelo setor superior de Machu Picchu, sem a necessidade de passar por Águas Calientes;

– A fila para descer de volta a Aguas Calientes costuma levar 30 minutos de espera até o embarque nos micro-ônibus locais, cujo pico costuma ser a partir das 11h;

– A subida vertiginosa até Huayna Picchu tem 300 metros de trilha, a 75 graus de inclinação, e só deve ser feita por visitantes dispostos a encarar escadas íngremes e rústicas, ao lado de abismos.

Ainda assim é uma experiência concorrida que exige reserva com muita antecedência. Diariamente, são permitidas apenas 400 pessoas. No site machupicchu.gob.pe é possível consultar disponibilidade;

– Se você pretende visitar as águas termais de Machu Picchu Pueblo, chegue pela manhã bem cedo. Após às 9h, o local costuma receber os caminhantes que vêm pelas trilhas Lares, Bilcabamba e Choquequirao.

Salkantay: a melhor forma de se chegar a Machu Picchu

Imagem Autor

O Viagem em Pauta é o projeto pessoal do jornalista Eduardo Vessoni, profissional que atua com turismo desde 2008 e já colocou os pés em todos os continentes.

+ posts do autor

Rede Catraca Livre

Este conteúdo - assim como as respectivas imagens, vídeos e áudios - é de responsabilidade do usuário da Rede Catraca.

O Catraca Livre disponibiliza espaço no site para que qualquer interessado possa contribuir com cidades mais acolhedoras, educadas e criativas, sempre respeitando a diversidade de opiniões.

As informações acima são de responsabilidade do autor e estão sujeitas a alterações sem aviso prévio.