Texto feito por Clara Caldeira

Quando a casa da psicóloga Thaís Goldstein pegou fogo, aparentemente seu doutorado estava condenado às cinzas. Ali estava seu piano, o violão, todos os livros que lhe serviriam de apoio para a tese, além de é claro de roupas, CDs e uma série de objetos pessoais acumulados ao longo de 36 anos de vida.

arquivo pessoal

Thaís Goldstein

Foi graças ao blog “Das Cinzas às Letras” que a Thaís pôde dar continuidade ao trabalho e à vida. A ideia foi de um amigo que sugeriu a criação de uma página na internet para publicar seus textos e pensamentos e organizar as doações de amigos e conhecidos, que chegavam em forma de livros, discos e roupas.

Tudo aconteceu quando, depois de nove anos morando na Bahia, Thaís retornou a São Paulo para dar continuidade aos estudos e realizar o sonho de seu doutorado. Deixou um apartamento e uma vida em Salvador para viver numa edícula na casa dos pais, em São Paulo.

Pouco depois de se mudar, ela descobriu que seu pai estava gravemente doente. Um dia, como de costume, ainda mais depois de nove anos vivendo na Bahia, ela acendeu uma vela em seu quarto num altar que mantinha em cima do piano. Ali, rezou muito, pedindo que seu pai melhorasse.

À noite a família saiu para um concerto e foi na volta que Thaís se deparou com aquilo que seria um divisor de águas em sua vida. Ela viu seu quarto arder em chamas. O piano, violão, os livros. Não restou nada. Ela teve tempo apenas tempo de chamar os bombeiros e evitar que o fogo se alastrasse para o resto da casa.

A iniciativa do blog deu certo e além de uma central de doações e desabafos ele se tornou um lugar para toda uma rede de amigos e interessados publicarem seus textos e reflexões. Coincidência ou não, após o episódio do incêndio, o pai de Thaís foi curado. “Foram-se os anéis, ficaram os dedos”, lembra a psicóloga com otimismo.