O maço comprado por quem consome o tabaco custa em média R$8 e, apesar dos avisos no verso, o que muitos nunca pararam para ler são nos gastos com despesas médicas e a perda de produtividade. O orçamento beira os 57 bilhões de reais no Brasil.

O dado contraria uma das indústrias mais ricas do mundo. “Colocamos por terra um dos principais argumentos da indústria do tabaco – o que de gera empregos [renda]", disse Tânia Cavalcante, secretária executiva da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (Conicq), durante evento em comemoração ao Dia Mundial Sem Tabaco 2017.

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O número de fumantes ainda maior entre pessoas do sexo masculino.

Neste ano, a Organização Mundial da Saúde definiu o tema: “Tabaco – uma ameaça ao desenvolvimento”, para reforçar o tabagismo como entrave ao crescimento da sociedade. Entre os motivos não listados no lado b dos maços estão as doenças crônicas não transmissíveis (câncer, cardiovasculares e pulmonar obstrutiva crônica), que correspondem a 63% de todas as mortes no mundo. Aqui, o número aumenta e faz parte de 72% dos óbitos.

Além do fim da vida, o tabagismo contribui para níveis que podem atingir a linha da pobreza. O cigarro atinge população de menor renda escolaridade fazendo com que muitos chefes de família — que são dependentes da nicotina —, usem parte da renda familiar para a compra de cigarros. O orçamento complementaria gastos com alimentação, saúde, educação e lazer.

Quem são os fumantes?

  • A frequência de fumantes é maior no sexo masculino (12,7%) do que no feminino (8,0%).
  • O número de fumantes é menor entre os adultos antes dos 25 anos (7,4%), ou após os 65 anos (7,7%) e maior na faixa dos 55 a 64 anos (13,5%).

Se o número prejudica a família para adultos, os jovens trilham o mesmo caminho. No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar do Ministério da Saúde mostrou que em 2015, 1,8 milhão de adolescentes, ou 18,5% dos jovens entre 12 e 17 anos já experimentaram o cigarro ao menos uma vez.

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Jovens de 12 a 17 anos já experimentaram o cigarro pelo menos uma vez.

O controle do tabaco deve ser um esforço contínuo, mas para a economista e pesquisadora do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, Márcia Pinto, uma das autoras da pesquisa sobre a carga econômica das doenças atribuíveis ao tabaco, a resolução do problema pode acontecer “pelo bolso”. “Uma das medidas mais efetivas, se não ‘a’ mais efetiva para a redução no número de fumantes, foi o aumento da tributação do cigarro a partir de 2011".

As projeções mostram que se o preço do cigarro, por exemplo, fosse reajustado em 50%, em 10 anos será possível evitar mais de 136 mil mortes, além da economia de R$ 98 bilhões.