Está fazendo sucesso um livro recém-lançado, intitulado "A Educação dos Milionários", escrito por Michael Ellsberg, que entrevistou durante dois anos empreendedores de sucesso que não pisaram na faculdade ou a abandonaram. Pergunto qual era o traço comum deles. "Uma tremenda habilidade para lidar com o fracasso, transformando-o em aprendizagem", respondeu.

Nesse ponto, estaria, segundo ele, o grande problema que a escola tem em formar empreendedores: "Na escola, somos treinados para dar a resposta correta, mas a criatividade depende do estimulo à experiência, que, em essência, vem de lidar todo o tempo com o fracasso".

Pode parecer provocação, mas o argumento tem sido aceito e absorvido pelas melhores universidades.

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No próximo mês, Harvard quer transformar num evento mundial o lançamento de sua incubadora de start-ups, onde alunos, pesquisadores, professores e executivos renomados trabalham em conjunto. A ideia é que aquele tipo de gente que criou empresas como o Facebook fique lá dentro por alguns meses, numa espécie de residência, para orientar os mais novos.

Gordon Jones, o responsável pelo projeto, batizado de HI (Harvard Innovation), é um misto de acadêmico de formações as mais variadas com empreendedor de sucesso. Quando pedi que me falasse de seus projetos como empreendedor, Gordon preferiu mostrar um jeito diferente de fazer um currículo. "Olhe aí", disse, apontando para a parede de seu escritório, em que estão pregados os produtos que ajudou a desenvolver ou vender.

É uma simples questão de sobrevivência. A mil metros da incubadora de Harvard, prospera o bairro com mais start-ups por metro quadrado (Kendall Square), vitaminado pela proximidade com o MIT.

Vamos encontrar em várias partes do mundo (no Brasil, o melhor exemplo é o ITA) universidades que estipularam como meta servir de incubadoras, sendo uma ponte para a inovação. Disso depende a riqueza de uma nação - aliás, é o que move o governo Dilma a criar uma agência (Embrapii) para aproximar as universidades das empresas.

PS- A incubadora de Harvard será comandada pela Escola de Negócios, obrigada a provar que forma empreendedores. No início do próximo ano, ela vai fazer uma experiência de proporções gigantescas. Todos os 900 alunos do primeiro ano terão de passar um mês desenvolvendo um projeto em algum país, inclusive o Brasil, dentro de um empresa.