De ruas estreitas e casinhas coloridas, o Bexiga, no centro paulistano, conserva lugares e figuras raras numa cidade como São Paulo.

É ali que trabalha, há 41 anos, o relojoeiro Baltazar Joaquim de Paula, 71. Com movimentos precisos e uma paciência mineira, ele conserta relógios de todos os tipos. Nascido em Passos, em Minas, foi no Bexiga que conseguiu fazer a vida. "Para mim, é um lugar que significa sorte."

Para preservar histórias como a dele, o CPC (Centro de Preservação Cultural) da USP fez um mapeamento inédito dos artistas e artesãos dali.

Oficialmente, a região é chamada de Bela Vista, mas o antigo nome ainda prevalece.

O levantamento do CPC registrou 47 pontos, entre casas de restauro, padarias, oficinas de costura e sapatarias. Além dos artistas (grupos de teatro, músicos e artistas plásticos) e centros culturais.

Como seu Baltazar, muitos estão ali há décadas.

O levantamento inclui vídeos, fotos e textos. O material foi produzido em oficinas com moradores e trabalhadores da região, que indicaram artistas e artesãos que conheciam da vizinhança.

Morador do Bexiga há oito anos, o produtor de vídeos Rogério Leite, por exemplo, fez um documentário sobre as aulas de bateria da Vai-Vai.

A escolha do Bexiga levou em conta a localização do CPC. Criado em 2002, o centro fica na região, na Casa da Dona Yayá, e reúne professores de antropologia, história, comunicação e arquitetura.

O material será exposto no CPC a partir de 23 de agosto e também vai o site do projeto. Leia matéria na íntegra