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Romance de Elizabeth Gilbert foi "esquecido" em um ônibus com destino a Lapa, Zona Oeste de SP

Parece que viver cercado por livros é a sina de Felipe Brandão. Leitor assíduo desde a infância em Taubaté - interior de São Paulo- concluiu a graduação em jornalismo antes de vir para a capital paulista trabalhar durante anos em uma rede de livrarias e, atualmente, atuar na área de marketing de uma grande editora.

Em abril de 2013 percebeu que a estante de sua casa estava cheia de títulos já lidos. E, ao invés de comprar outro móvel para acumular mais livros, vender as edições em um sebo ou negociá-las em um site de trocas, optou pelo desapego, abandonando os livros pela cidade. Nasceu assim o projeto Esqueça um Livro.

“A ideia é inspirada no conceito de BookCrossing, criado nos EUA no começo dos anos 2000”, explica. Combinando leitura e e urbanidade, o conceito convida os leitores a deixarem livros em locais públicos, para que outras pessoas encontrem, leiam, e voltem a abandoná-los - uma espécie de cadeia em favor do acesso à leitura. Há diferentes versões do BookCrossing espalhadas por cidades do Brasil e do mundo.

A base do Esqueça um Livro é uma fanpage no Facebook. Nela, Felipe posta as fotos dos livros “esquecidos” por São Paulo, acompanhadas de uma breve sinopse e da indicação do local onde a edição foi deixada. “Sobre a Brevidade da Vida”, de Sêneca, foi o primeiro livro a ser abandonado no projeto, em 4 de abril,  numa janela cercada de plantas próximo à estação Marechal Deodoro do Metrô.  De lá pra cá, vários amigo, leitores e entusiastas passaram a colaborar com o projeto, deixando livros pela cidade.

Simples na teoria e na prática, o projeto não tem maiores intenções além de espalhar livros e difundir a leitura na cidade. “Quero que os livros cheguem até pessoas que não teriam condições de comprá-los”, deseja Brandão.