Só mulheres na estante: Clube do Livro Feminista cria roda online e gratuita livre de julgamentos
Criado por amigas, o Clube do Livro Feminista foca em autoras nacionais e prova que debater não exige diplomas, mas sim vontade de trocar boas ideias.
Esqueça a ideia de que debater um livro exige um vocabulário difícil, análises complexas ou formação acadêmica. Para quebrar essa barreira e democratizar a leitura, o Clube do Livro Feminista ganhou vida em 2018.
O propósito do projeto sempre foi muito claro: ler exclusivamente obras escritas por mulheres e criar uma roda de conversa acolhedora, espontânea e totalmente livre de julgamentos.
A faísca inicial rolou no ambiente de trabalho das idealizadoras, Andriele Moraes e Maria Fernanda Gama. Apaixonadas por literatura e ativismo, elas decidiram transformar os papos informais em um coletivo real. Ao notarem que as mulheres ainda ocupam um espaço menor nas estantes e são menos lidas no mercado em geral, a escolha do foco do clube foi um caminho natural.
Debate horizontal e sem julgamentos
Em vez de apostar em análises acadêmicas, a dinâmica do grupo foca na horizontalidade. O grande diferencial do coletivo é justamente a criação de um ambiente onde qualquer leitor pode compartilhar suas impressões da obra sem medo de errar.
“Acho que o que diferencia o Clube de outros projetos é que conseguimos criar um espaço seguro, onde as pessoas podem falar abertamente do que acharam do livro, sem ter uma mediação tão especialista e professoral”, explica uma das cofundadoras.
Como as idealizadoras não são formadas em Letras, elas fazem questão de deixar claro que não estão ali como professoras, mas como leitoras apaixonadas. A ideia é descomplicar a troca de ideias. “A gente fala de livros porque gosta, a gente fala do feminismo porque é uma consequência da nossa própria vivência”, resume Maria Fernanda.

Da Casa das Rosas para o mundo
A trajetória do coletivo acumula momentos marcantes de conexão. No início, as reuniões presenciais ocupavam a icônica Casa das Rosas, na Avenida Paulista. Um dos marcos dessa fase foi o debate sobre o livro O Conto da Aia, que lotou a sala e reuniu um público recorde e empolgado.
Com a pandemia, o grupo precisou se adaptar e migrou de vez para o formato online. O que poderia ser uma limitação acabou expandindo os horizontes da iniciativa, criando laços com leitores de vários cantos do Brasil e atraindo até participantes fiéis que moram no exterior.
Ainda assim, o afeto do encontro presencial fez falta. Após três anos de reuniões virtuais, o clube comemorou seu quinto aniversário voltando a se reunir fisicamente. Esse momento de retomada foi fundamental para reacender a proximidade e o contato visual entre as participantes do projeto.
Autoras brasileiras e novos papos em 2026
Além da clássica roda de leitura — que já desbravou livros de autoras consagradas como Chimamanda Ngozi Adichie, Bell Hooks e Paulina Chiziane —, o coletivo expandiu sua atuação com o braço “Clube do livro feminista conversa com…”.
Nesse formato, o grupo convida escritoras para detalharem seus processos criativos em eventos presenciais. Após o fechamento da livraria Sentimento do Mundo, que sediava os encontros, a iniciativa ganhou uma nova casa e agora segue a todo vapor na livraria Bandolim, em São Paulo.
Para quem já quer se organizar, a programação de 2026 já está completamente definida e chega com um objetivo muito bacana: o calendário deste ano é 100% dedicado à leitura de autoras nacionais.
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Como colar nos encontros?
Quer fazer parte dessa roda de conversa? O esquema é prático, democrático e sem burocracia. O clube é totalmente gratuito e todas as pessoas são bem-vindas.
Para participar, não é necessário fazer nenhuma inscrição prévia: basta acessar o link disponibilizado na bio do Instagram do projeto (@clubedolivrofeminista) na data e no horário marcados para os debates mensais, que acontecem no formato online.
Já os bate-papos especiais com as autoras rolam presencialmente em livrarias de São Paulo. E fica a dica de ouro das organizadoras para quem puder investir nas leituras do mês: dê preferência para a compra dos livros em livrarias independentes ou diretamente com as editoras, fortalecendo assim a cadeia do mercado editorial nacional.
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