A descoberta que faz a história antiga de Malta recuar mil anos, eles chegaram pelo mar aberto, se alimentaram de gigantes que sumiram e agora ninguém sabe o que mais eles levaram entre as ilhas
Evidências arqueológicas na caverna de Latnija mudam totalmente o panorama do povoamento inicial nas ilhas de Malta
Uma surpreendente revelação arqueológica mudou radicalmente o entendimento sobre a ocupação humana no Mediterrâneo isolado. Antigos navegadores cruzaram o mar aberto muito antes do avanço da agricultura tradicional. Entender essa incrível jornada marítima ajuda a desvendar como o passado maltês recuou um milênio.

Como ocorreu a ousada travessia marítima até Malta?
Os antigos exploradores realizaram uma travessia de sessenta e duas milhas por águas abertas para alcançar a costa isolada. Sem mapas ou bússolas, eles utilizaram conhecimentos sobre correntes e ventos. Essa jornada difícil exigiu que os marujos primitivos navegassem durante horas na escuridão completa.
A provável rota iniciada na Sicília exigiu esforço contínuo navegando em canoas simples de madeira. Os pesquisadores detalharam elementos cruciais que explicam como esse deslocamento complexo e perigoso foi coordenado no passado. A lista a seguir apresenta os principais fatores que permitiram essa conquista.
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Orientação estelar: O uso das estrelas ajudou na direção correta durante a travessia noturna. - 🌊
Correntes marítimas: O conhecimento prático das águas evitou que as canoas fossem desviadas. - 🗺️
Marcos costeiros: A observação da costa auxiliou no posicionamento geográfico antes do mar aberto.
Quais evidências foram encontradas na caverna de Latnija?
Os arqueólogos realizaram escavações minuciosas na caverna de Latnija, situada na região norte de Malta. No local, foram descobertos vestígios impressionantes como lascas de pedra e espessas camadas de cinzas acumuladas. Essas importantes descobertas fornecem evidências materiais indiscutíveis sobre a presença naquela área.

A presença de antigas lareiras estruturadas demonstra claramente que os visitantes não estavam apenas de passagem pela região. Eles acendiam fogueiras organizadas e preparavam alimentos cozidos regularmente. Esses achados expandem a rica história local por um milênio inteiro, adicionando um capítulo primitivo essencial.
Quem eram os antigos habitantes que ocuparam a ilha?
Os primeiros ocupantes de Malta pertenciam ao período Mesolítico, amplamente conhecido como a Idade Média da Pedra. Diferente das populações posteriores, esses grupos pioneiros não dominavam a agricultura e dependiam de recursos naturais disponíveis. Eles eram caçadores experientes que exploravam o território virgem ativamente.
Estilo de vida mesolítico
Sobrevivência sem práticas agrícolas
Os antigos grupos humanos que alcançaram a ilha de Malta sobreviviam inteiramente por meio da coleta de alimentos e da caça de animais selvagens, sem estabelecer plantações cultivadas.
Essa distinção cultural indica que o local recebeu visitantes muito antes da expansão das comunidades agrícolas do Neolítico, alterando as teorias tradicionais dos arqueólogos.
A ausência de cerâmica típica ou rebanhos domesticados confirma que a ocupação inicial ocorreu por comunidades nômades integradas ao ambiente florestal. Os pesquisadores identificaram características marcantes desses indivíduos. Os tópicos descritos abaixo demonstram os principais traços definidores dessa população que habitou a região.
- Inexistência de práticas de cultivo de grãos ou domesticação de ovelhas.
- Dependência absoluta de recursos silvestres obtidos na natureza local.
- Uso especializado de ferramentas de pedra lascada para atividades diárias.
Qual era a base da alimentação desses antigos viajantes?
Os vestígios alimentares recuperados revelam uma dieta surpreendentemente variada e rica obtida a partir do ecossistema local. Milhares de ossos de animais foram encontrados na cavidade rochosa, muitos exibindo sinais evidentes de queima. Esses resíduos orgânicos comprovam a preparação de refeições assadas no local.

A análise detalhada do solo da caverna identificou cozimentos indiscutíveis de alimentos de origem terrestre e marinha. Essa grande habilidade de exploração múltipla garantiu a sobrevivência humana em um espaço geográfico com recursos terrestres limitados. Os elementos listados a seguir apresentam os principais alimentos consumidos.
- Grandes mamíferos terrestres como veados vermelhos e tartarugas.
- Recursos marinhos abundantes incluindo caranguejos, peixes, focas e ouriços.
- Milhares de caracóis do mar comestíveis coletados nas praias.
Por que essa descoberta altera a pré-história europeia?
A descoberta indica que pequenas ilhas isoladas sofriam impactos da ocupação humana muito antes do espalhamento da agricultura europeia. Os caçadores modificaram os ecossistemas locais ao exercer pressão de caça sobre espécies nativas vulneráveis. Esse panorama inédito obriga a comunidade científica a elaborar perguntas precisas.
Além disso, as conexões antigas pelo Mar Mediterrâneo sugerem contatos marítimos entre sociedades do período Mesolítico bastante precoces. Essa constatação demonstra que povos providos de embarcações simples possuíam alta capacidade de observação e grande experiência prática. Os antigos navegadores superaram barreiras, estabelecendo novos caminhos marítimos.
Referências: Hunter-gatherer sea voyages extended to remotest Mediterranean islands | Nature