À medida que a tartaruga de estimação cresce, a mulher se vê em um dilema: mantê-la ou soltá-la? Aqui estão os passos que devem ser seguidos
Os perigos escondidos por trás da carapaça colorida e atraente
O crescimento da aquisição de animais exóticos como animais de estimação, como a tartaruga aquática invasora, tem levantado dúvidas sobre cuidados, responsabilidade e impactos ambientais. Em muitos lares, espécies como tartarugas aquáticas, lagartos e pequenos mamíferos passam de presentes “inofensivos” a desafios de longo prazo. Quando esses animais crescem, exigem estruturas maiores, alimentação específica e atenção às regras ambientais e legais, o que nem sempre é considerado no momento da compra.

O que caracteriza uma tartaruga aquática invasora como a tartaruga-de-orelha-vermelha?
Entre as espécies mais comuns está a tartaruga de orelhas vermelhas, um tipo de tartaruga aquática invasora presente em vários países, inclusive na Malásia, no Brasil e em outras regiões tropicais. A popularidade desse animal vem do porte inicial pequeno, da aparência considerada atrativa e do baixo custo de compra em lojas e feiras.
Trata se de uma espécie semi aquática, que passa boa parte do tempo na água, mas necessita também de áreas terrestres ou plataformas secas para se aquecer e descansar. Em condições adequadas de cativeiro, pode chegar a cerca de 40 cm de comprimento de carapaça e viver em torno de 30 anos, o que mostra que não se trata de um pet temporário.
Por que a tartaruga aquática invasora traz riscos ao meio ambiente?
Do ponto de vista ambiental, a tartaruga de orelhas vermelhas é classificada como espécie invasora porque, quando solta na natureza, tende a competir com espécies nativas por alimento, abrigo e espaço de reprodução. Em ambientes onde não há predadores naturais suficientes, sua população pode aumentar rapidamente, alterando o equilíbrio de lagos, represas e rios.
Essa espécie apresenta ainda hábitos onívoros, alimentando se tanto de matéria de origem animal quanto vegetal, o que amplia sua capacidade de exploração de diferentes ambientes. Para entender melhor o potencial invasor da espécie, vale destacar alguns fatores que favorecem sua expansão.
- Alta resistência a diferentes condições de água
- Longevidade, podendo viver mais de 20 anos
- Facilidade de reprodução em ambientes favoráveis
- Dieta variada, incluindo plantas aquáticas, insetos e pequenos peixes
No Brasil, em razão desse potencial invasor e do impacto sobre a fauna nativa, a comercialização da tartaruga de orelhas vermelhas é proibida desde 1998 por normas ambientais federais. A soltura dessa espécie na natureza também é considerada crime ambiental, sujeitando o responsável a multas e outras penalidades legais.
Por que não é recomendado soltar a tartaruga aquática invasora na natureza?
A ideia de “devolver” uma tartaruga aquática invasora à natureza costuma surgir quando o animal cresce e o espaço doméstico fica insuficiente. No entanto, essa atitude é desaconselhada por órgãos ambientais pelo potencial de desequilíbrio ecológico, já que a espécie pode deslocar tartarugas nativas, competir com peixes e alterar cadeias alimentares locais.
Além disso, exemplares mantidos em cativeiro podem carregar parasitas ou doenças que não existem nas populações selvagens da região. Outro risco importante é a possibilidade de hibridização com espécies nativas, o que gera perda genética e dificulta ações futuras de conservação das populações locais.

Como cuidar de forma responsável de uma tartaruga em casa?
Para quem já mantém uma tartaruga-de-orelha-vermelha em casa, a principal orientação é buscar informações junto aos órgãos ambientais responsáveis pela fauna silvestre. Em muitos casos, quando a espécie é classificada como invasora e não existem programas de recolhimento estruturados, o tutor acaba sendo orientado a manter o animal até o fim da vida, garantindo condições mínimas de bem estar.
Para oferecer bem estar à tartaruga de orelhas vermelhas, alguns cuidados são essenciais ao longo de toda a vida do animal, sempre com atenção à legislação local e ao impacto ambiental.
- Ajustar o tamanho do aquaterrário conforme o crescimento do animal
- Oferecer água de boa qualidade, com filtragem constante
- Garantir uma área seca com acesso fácil para descanso e aquecimento
- Manter alimentação variada, respeitando a fase de vida da tartaruga
- Consultar profissionais especializados em animais exóticos quando necessário
A discussão em torno da tartaruga aquática invasora mostra a importância de pensar a longo prazo antes de adquirir qualquer animal de estimação, especialmente espécies exóticas. Planejamento, informação e respeito às normas ambientais ajudam a evitar abandonos e reduzem conflitos entre o desejo de ter um animal exótico e a necessidade de proteger os ecossistemas locais.