Boticário lança ferramenta contra uso de IA na sexualização de fotos
Movimento Code Her utiliza bot para monitorar imagens de mulheres no X e orientar vítimas sobre crimes cibernéticos e amparos legais
As denúncias de crimes cibernéticos contra mulheres, incluindo misoginia e discriminação, registraram aumento de 224,9% no último ano, segundo dados da SaferNet. Diante do crescimento de exposições públicas por meio de imagens falsas criadas com inteligência artificial, o Boticário lançou nesta segunda-feira, 6, o movimento Code Her. A iniciativa foca na proteção e educação de usuárias sobre a manipulação e sexualização não consentida de fotografias no ambiente digital.
O projeto é vinculado à marca de perfumaria Her Code, que atua em debates sobre o corpo e o prazer feminino. Segundo Carolina Carrasco, diretora de Branding e Comunicação do Boticário, o objetivo é utilizar a tecnologia para combater o uso nocivo de ferramentas de IA. A marca busca atuar como aliada das mulheres em discussões que extrapolam o mercado de cosméticos, abordando questões de segurança e vulnerabilidade pública.

Desenvolvido pela agência AlmapBBDO, o movimento inclui uma campanha multiplataforma com a participação da cantora Marina Sena e da jornalista Rose Leonel. Rose Leonel é uma figura central na luta contra crimes digitais no Brasil, tendo sido vítima de exposição íntima no início da década de 2000. A ação visa conscientizar o público sobre a legislação vigente e os mecanismos de defesa disponíveis.
A campanha reforça o conhecimento sobre instrumentos jurídicos como a Lei Rose Leonel, a Lei Carolina Dieckmann, a Lei Maria da Penha e o Marco Civil da Internet. De acordo com as diretoras de criação da AlmapBBDO, Ana Novis e Paula Keller Perego, a estratégia consiste em empregar a inteligência artificial para monitorar a própria rede, garantindo que o controle sobre o corpo e a imagem permaneça com a mulher.
Como funciona o bot Code Her
O recurso principal do projeto é o bot Code Her, operado dentro da plataforma X (antigo Twitter). Para utilizar o serviço, a usuária deve acessar o site oficial da iniciativa, aceitar os termos de uso e ativar o monitoramento. O sistema funciona como um chatbot de inteligência artificial programado para identificar interações específicas com as publicações da conta cadastrada.
Ao publicar uma fotografia na rede social, a usuária deve marcar o perfil @botcodeher na postagem. A partir desse comando, a ferramenta passa a monitorar a publicação. Caso ocorra uma tentativa de manipulação da imagem por meio da ferramenta Grok (IA nativa do X), o bot bloqueia a exibição da modificação e envia um alerta imediato à proprietária da conta.
Além do aviso sobre a tentativa de violação, o sistema encaminha informações sobre os canais oficiais de denúncia e uma cartilha digital. Este material contém orientações sobre os direitos das vítimas e as implicações legais para quem produz ou compartilha conteúdos manipulados. A iniciativa propõe o uso de tecnologia de defesa para mitigar os riscos de imagem em redes de alta exposição.