Celebração do outono: período é favorável para colheita interior

Por EdiCase
20/03/2026 10:00

Na Roda do Tempo, chega mais um outono em nossas vidas. Período em que, novamente, luz e escuridão se equilibram. Neste ano de 2026, acontece na quinta-feira, 20 de março, às 11h46. É um momento em que o dia e a noite têm a mesma duração, simbolizando equilíbrio, gratidão e o fechamento de um ciclo de crescimento. É também o início do ano astrológico, com o Sol entrando em Áries.

Uma inspiração da mitologia celta galesa, nomeia esta data em celebração com o nome “Mabon”, em que encontramos a figura de Mabon ap Modron — cujo nome significa “Filho da Mãe”. Conta-se que ele foi retirado de sua mãe logo após o nascimento e mantido cativo até ser finalmente resgatado. Sua história carrega a força simbólica do Sol jovem, da fertilidade e da colheita, representando o eterno movimento entre nascimento, ausência e retorno.

Esse mito ecoa o próprio mistério do ciclo da vida, tornando-se uma chave simbólica para compreender a celebração de Mabon. É um lembrete de que toda luz, mesmo quando parece ausente, prepara seu momento de retorno.

Segunda grande colheita

No outono, temos a segunda grande colheita. Se na primavera plantamos intenções e no verão vimos o auge da luz, agora contemplamos aquilo que amadureceu. Os campos oferecem seus frutos, as árvores começam a liberar suas folhas e a Terra começa seu recolhimento silencioso.

É o tempo da maturidade. O instante em que a natureza nos ensina que a última colheita antes do inverno é sagrada, e que preparar-se para o tempo de pouca luz que virá faz parte do equilíbrio cíclico da natureza.

Cada fruto carrega não apenas alimento, mas memória: o calor que o fortaleceu, as chuvas que o sustentaram, o tempo que o moldou. Assim também somos nós: tudo o que vivemos deixa marcas, ensinamentos e sabores.

Ao celebrarmos o outono, honramos a dança contínua entre abundância e entrega, crescimento e recolhimento, luz e sombra (Imagem: ju_see | Shutterstock)
Ao celebrarmos o outono, honramos a dança contínua entre abundância e entrega, crescimento e recolhimento, luz e sombra (Imagem: ju_see | Shutterstock)

Uma tradição ancestral de gratidão

A celebração do período de colheita é ancestral em diversas culturas. Povos antigos honravam esse momento como tempo de agradecimento pela abundância recebida e de preparação para o período de introspecção que se aproximava.

A Terra começa a recolher-se, e nós também podemos nos voltar para dentro. É tempo de agradecer o que floresceu, aceitar o que não prosperou e reconhecer a sabedoria adquirida. O outono fala de responsabilidade, maturidade e consciência. Fala da beleza que existe na transição, no desapego sereno, na preparação silenciosa.

Assim, ao celebrarmos o outono, honramos a dança contínua entre abundância e entrega, crescimento e recolhimento, luz e sombra. É um lembrete de que cada ciclo traz sua colheita — e que a verdadeira abundância não está apenas no que recebemos, mas naquilo que aprendemos ao longo do caminho.

E você? Já reconheceu quais frutos amadureceram em sua vida? Já agradeceu pelas colheitas visíveis e invisíveis? O que está pronto para ser recolhido — e o que precisa ser deixado cair como folha ao vento? Os ciclos da natureza estão dentro de nós e, em última instância, somos seus frutos.

Por Alline Lima

Formada em Administração de Empresas, com especialização em liderança e gestão de talentos. Ao longo dos anos, formou-se em diversas áreas esotéricas, com destaque para a bruxaria natural — seu principal caminho espiritual. É autora do e-book “Como se tornar uma bruxa” e presença constante na Convenção de Bruxas e Magos de Paranapiacaba.