Cientistas olham de perto para um adoçante famoso e descobriram que a opção saudável que está em sucos e barrinhas pode segundo um estudo enfraquecer a proteção do cérebro

O adoçante considerado seguro por muitos pode estar prejudicando a barreira que protege o seu cérebro

Um adoçante amplamente consumido em produtos diet e keto acaba de ser colocado sob suspeita pela ciência: o eritritol, presente em bebidas e barras sem açúcar, pode comprometer células que formam a barreira de proteção cerebral, abrindo um caminho biológico direto para o risco de AVC.

Pesquisa aponta que o consumo de eritritol pode comprometer a barreira protetora do cérebro e elevar o risco de AVC.
Pesquisa aponta que o consumo de eritritol pode comprometer a barreira protetora do cérebro e elevar o risco de AVC.Imagem gerada por inteligência artificial

O que o eritritol faz com as células dos vasos cerebrais?

Pesquisadores da Universidade do Colorado Boulder expuseram células endoteliais microvasculares do cérebro humano ao eritritol em laboratório, e os resultados foram preocupantes. Mesmo em doses equivalentes a uma única bebida adoçada, as células alteraram seu comportamento de forma significativa.

Em vez de manterem o equilíbrio normal dos sinais vasculares, as células tratadas com eritritol passaram a um estado associado à constrição e à redução da capacidade protetora, o que representa um sinal de alerta celular importante para a saúde cerebral.

  • 🧪
    Exposição celular: Células cerebrais humanas foram expostas a doses comparáveis a uma única bebida adoçada com eritritol
  • ⚗️
    Estresse oxidativo: A produção de radicais livres quase dobrou em comparação com células não tratadas
  • 🧠
    Barreira cerebral: As células endoteliais danificadas perdem a capacidade de manter a barreira hematoencefálica íntegra
  • 💊
    Risco cardiovascular: Estudos populacionais já associavam níveis elevados de eritritol no sangue ao dobro do risco de eventos cardiovasculares

Como a barreira hematoencefálica é afetada pelo adoçante?

A barreira hematoencefálica funciona como um filtro rigoroso que controla quais substâncias chegam ao tecido cerebral. As células endoteliais formam conexões muito firmes entre si, impedindo a passagem de toxinas e agentes infecciosos para o interior do cérebro.

O adoçante reduz a liberação de óxido nítrico e aumenta a endotelina-1, causando um desequilíbrio que contrai os vasos cerebrais.
O adoçante reduz a liberação de óxido nítrico e aumenta a endotelina-1, causando um desequilíbrio que contrai os vasos cerebrais.Imagem gerada por inteligência artificial

Quando essa camada é comprometida, o controle sobre a dilatação e a contração dos vasos também falha. No cérebro, qualquer perda desse equilíbrio pode acelerar o corte de oxigênio diante de um pequeno coágulo, elevando consideravelmente o risco de acidente vascular cerebral.

O que o estudo revelou sobre o óxido nítrico e a endotelina?

Uma das alterações mais expressivas observadas no estudo envolveu o óxido nítrico, um sinal gasoso que relaxa os vasos sanguíneos e mantém o fluxo estável. A exposição ao eritritol reduziu a liberação desse composto pelas células, dificultando a resposta vascular diante de variações de demanda circulatória.

⚠️

Desequilíbrio vascular nos vasos cerebrais

Endotelina-1 aumentou cerca de 30% nas células tratadas

A endotelina-1 é um sinal que provoca o estreitamento dos vasos sanguíneos. Com o eritritol, sua concentração subiu aproximadamente 30% nas células analisadas, ao mesmo tempo em que o óxido nítrico, responsável pelo relaxamento vascular, teve sua produção reduzida.

Esse duplo desequilíbrio significa que os microvasos cerebrais podem se contrair justamente quando deveriam se dilatar, criando condições propícias para a redução do fluxo sanguíneo e o aumento do risco de isquemia cerebral.

Além da interferência nos sinais vasculares, o eritritol comprometeu a resposta das células ao ativador de plasminogênio tecidual, uma proteína que dissolve coágulos. Nas células expostas, essa liberação protetora praticamente não ocorreu, enquanto nas células saudáveis o aumento foi de cerca de 25%.

  • Menor liberação de óxido nítrico, reduzindo o relaxamento dos vasos cerebrais
  • Elevação de cerca de 30% na endotelina-1, favorecendo a constrição vascular
  • Resposta quase nula do ativador de plasminogênio, deixando coágulos mais tempo nos vasos

Por que o eritritol é tão popular na indústria alimentícia?

O eritritol ganhou espaço nos rótulos por oferecer um sabor muito próximo ao do açúcar convencional sem elevar a glicose sanguínea na maioria das pessoas. Como álcool de açúcar, ele é metabolizado de forma diferente dos carboidratos comuns e passa pelo organismo fornecendo pouquíssima energia.

Estudo revela que o eritritol prejudica a capacidade das células cerebrais de dissolver coágulos sanguíneos.
Estudo revela que o eritritol prejudica a capacidade das células cerebrais de dissolver coágulos sanguíneos.Imagem gerada por inteligência artificial

Essa característica o tornou um favorito entre produtos voltados para dietas de restrição calórica e controle glicêmico. Em 2023, uma diretriz da Organização Mundial da Saúde abordou os adoçantes não nutritivos, mas excluiu os álcoois de açúcar como o eritritol, o que ajudou a preservar a sua imagem saudável no mercado.

  • Sabor semelhante ao açúcar, facilitando a substituição em receitas e produtos industrializados
  • Não provoca pico glicêmico, sendo atrativo para pessoas com diabetes ou em dietas cetogênicas
  • Exclusão das diretrizes da OMS sobre adoçantes não nutritivos em 2023, mantendo a reputação positiva
  • Aprovação pelo FDA americano para uso em alimentos e bebidas, reforçando a percepção de segurança

O que ainda precisa ser investigado antes de um veredicto definitivo?

Os experimentos realizados em células cultivadas são fundamentais para identificar mecanismos biológicos, mas não conseguem reproduzir toda a complexidade de um organismo vivo, com seus sistemas de digestão, hormônios e reparo celular. Para superar essa limitação, pesquisadores estão desenvolvendo modelos mais sofisticados, como os chamados órgãos em chip, pequenos dispositivos que simulam o comportamento dos vasos sob fluxo contínuo.

O professor Christopher DeSouza, responsável pelo estudo publicado no Journal of Applied Physiology, apontou a necessidade de testes mais longos e com condições mais próximas da realidade fisiológica. Enquanto esses resultados não chegam, os achados atuais indicam um mecanismo plausível de risco, sem ainda representar um veredicto definitivo sobre cada produto que contém o adoçante.