Como as pessoas cozinhavam antes de existir fogão a gás e o que elas usavam pra acender o fogo

O fogão a lenha era uma estrutura robusta de ferro fundido ou tijolo refratário com uma câmara de combustão

20/01/2026 08:48

Você abre a torneira do gás, gira o botão e pronto, uma chama azul aparece instantaneamente para cozinhar sua comida. Mas as gerações que viveram antes dos anos cinquenta tinham uma relação completamente diferente com o fogo da cozinha, muito mais trabalhosa e demorada. Entender como nossos avós e bisavós preparavam as refeições diárias revela o quanto a vida doméstica mudou radicalmente em apenas algumas décadas, transformando tarefas que consumiam horas em gestos automáticos de segundos.

Os primeiros fogões a gás apareceram na Inglaterra e na França durante a década de mil oitocentos e vinte
Os primeiros fogões a gás apareceram na Inglaterra e na França durante a década de mil oitocentos e vinteImagem gerada por inteligência artificial

Como era o fogão a lenha que dominava as cozinhas?

O fogão a lenha era uma estrutura robusta de ferro fundido ou tijolo refratário com uma câmara de combustão onde se queimava madeira cortada em pedaços específicos. A parte superior tinha bocas de diferentes tamanhos com tampas removíveis de metal onde as panelas ficavam em contato direto com o calor, permitindo cozinhar vários pratos simultaneamente em intensidades diferentes. Um compartimento lateral funcionava como forno aproveitando o calor que circulava por dentro da estrutura através de dutos internos engenhosamente projetados.

Acender o fogão a lenha era um processo demorado que começava bem antes do preparo dos alimentos propriamente dito. Primeiro você precisava limpar completamente as cinzas do dia anterior que se acumulavam no fundo da câmara de combustão, guardando-as em um balde porque serviam como adubo valioso para as hortas. Depois vinha a montagem cuidadosa do fogo começando com gravetos finos secos, palha ou papel amassado na base, seguidos de pedaços médios de lenha arrumados em formato de pirâmide para permitir circulação de ar.

Quais métodos usavam para acender a primeira chama?

Antes dos fósforos industrializados que surgiram no final do século dezenove, as pessoas mantinham o fogo vivo permanentemente transferindo brasas de um dia para o outro em recipientes especiais de barro. A dona de casa guardava cuidadosamente algumas brasas em cinzas quentes dentro de uma panela de ferro antes de dormir, verificando pela manhã se ainda estavam vivas para reacender o fogão. Se as brasas apagassem durante a noite, era preciso buscar fogo na casa do vizinho mais próximo levando um pedaço de madeira ou carvão aceso com cuidado.

O pederneira foi ferramenta essencial durante séculos, consistindo em uma pedra dura de sílex batida contra uma peça de aço especial que produzia faíscas capazes de incendiar material seco como musgo, algodão carbonizado ou pólvora fina. Esse método exigia habilidade considerável e paciência porque as faíscas eram fracas e o material receptor precisava estar perfeitamente seco para pegar fogo. Quando os fósforos de madeira com ponta de fósforo branco finalmente chegaram ao mercado nos anos mil oitocentos e cinquenta, revolucionaram completamente a vida doméstica tornando o acendimento do fogo uma tarefa de segundos. Veja outras curiosidades sobre as cozinhas antigas:

  • A manutenção constante do fogão a lenha incluía limpar a chaminé mensalmente para remover a fuligem acumulada que poderia pegar fogo e causar incêndios devastadores, além de regular cuidadosamente o registro de tiragem que controlava a intensidade das chamas
  • O estoque de lenha exigia planejamento anual porque uma família média consumia entre quatro e seis metros cúbicos de madeira por ano apenas para cozinhar, sem contar o aquecimento da casa durante o inverno rigoroso
Os primeiros fogões a gás apareceram na Inglaterra e na França durante a década de mil oitocentos e vinte
Os primeiros fogões a gás apareceram na Inglaterra e na França durante a década de mil oitocentos e vinteImagem gerada por inteligência artificial

Quando surgiram os primeiros fogões a gás?

Os primeiros fogões a gás apareceram na Inglaterra e na França durante a década de mil oitocentos e vinte, mas eram equipamentos caríssimos e perigosos restritos a hotéis e restaurantes de luxo. A tecnologia só chegou às residências comuns nos anos mil oitocentos e oitenta quando as cidades começaram a instalar redes de distribuição de gás de carvão, um combustível obtido através do aquecimento da hulha em fornos especiais. No Brasil, os fogões a gás só se popularizaram realmente a partir dos anos cinquenta com a descoberta de reservas de gás natural e a instalação das primeiras refinarias de petróleo.

A transição do fogão a lenha para o gás não aconteceu da noite para o dia porque muitas pessoas desconfiavam da segurança dos novos equipamentos. Histórias de explosões e vazamentos assustavam as donas de casa acostumadas com o fogo visível e controlável da lenha. Além disso, o custo inicial de comprar um fogão a gás e pagar pelas instalações necessárias era proibitivo para a maioria das famílias operárias que continuaram usando lenha até os anos sessenta ou setenta dependendo da região.

Como era o dia a dia de quem cozinhava com lenha?

A rotina começava ainda de madrugada quando a dona de casa acordava pelo menos uma hora antes do resto da família para acender o fogão e deixar a água ferver para o café. O processo de aquecimento do fogão a lenha demorava no mínimo quarenta minutos até atingir a temperatura ideal para cozinhar, tempo usado para separar os ingredientes e preparar a massa do pão. Durante todo o dia era necessário alimentar o fogo constantemente adicionando lenha a cada vinte ou trinta minutos e ajustando as tampas das bocas para controlar a intensidade do calor.

Cozinhar exigia habilidade e atenção constante porque não havia termômetros ou controles precisos de temperatura como nos fogões modernos. As cozinheiras experientes testavam o calor do forno colocando a mão dentro rapidamente ou jogando um pouco de farinha que deveria dourar em determinado tempo para indicar se estava na temperatura certa. O calor intenso e constante tornava a cozinha o cômodo mais quente da casa, um inferno durante os verões mas uma bênção nos invernos gelados quando a família inteira se reunia ali para se aquecer.