Como fazer um repelente caseiro para animais de estimação contra pulgas e carrapatos, segundo especialistas
A combinação mais documentada e bem tolerada por cães é o spray de vinagre de maçã com água
Pulgas e carrapatos não são só uma chateação visual, eles transmitem doenças, causam coceira intensa, podem deixar o animal anêmico e, em casos graves, representam risco de vida. É natural que tutores busquem alternativas mais naturais aos produtos químicos convencionais, seja por preocupação com os efeitos a longo prazo ou pela vontade de ter mais controle sobre o que colocam no pelo do pet. Mas antes de sair misturando ingredientes, é preciso entender o que realmente funciona e, principalmente, o que pode fazer mais mal do que bem.

O repelente caseiro realmente funciona contra pulgas e carrapatos?
Funciona como reforço, não como substituto. Segundo veterinários, os repelentes caseiros têm ação repelente real por conta dos aromas que os parasitas detestam, mas não garantem a mesma concentração e tempo de eficácia dos produtos antiparasitários veterinários desenvolvidos especificamente para essa finalidade. Isso significa que um animal com infestação ativa precisa de tratamento adequado antes de qualquer alternativa caseira entrar em cena.
Para prevenção do dia a dia, especialmente em pets que já estão com a saúde em dia e sem infestação, os repelentes naturais funcionam bem como camada extra de proteção, especialmente antes de passeios em áreas com mato, praças ou contato com outros animais. A veterinária Bárbara Lopes destaca que tudo começa com a higiene do animal e a limpeza do ambiente onde ele vive. Sem isso, nenhum repelente, caseiro ou não, resolve sozinho.
Qual receita caseira é segura para cães?
A combinação mais documentada e bem tolerada por cães é o spray de vinagre de maçã com água. O cheiro ácido do vinagre é desagradável para pulgas e carrapatos e não oferece risco quando bem diluído. Veja como preparar:
- Misture partes iguais de vinagre de maçã orgânico e água filtrada em um borrifador limpo
- Borrife sobre o pelo do cão antes de passeios, evitando olhos, nariz e focinho
- Deixe agir e não enxágue, pois o aroma é justamente o que afasta os parasitas
- Reaplique a cada saída ou conforme necessário, sem exagerar na frequência para não ressecar a pele
Outra opção eficaz é o óleo de neem diluído, reconhecido por veterinários e amplamente utilizado como repelente natural. Para uso tópico em cães, dilua duas gotas de óleo essencial de neem em meio litro de água e aplique com um pano limpo sobre o pelo, evitando a região dos olhos e da boca.

E para gatos, o que muda?
Muda muita coisa, e ignorar essa diferença pode ser perigoso. Os gatos não possuem uma enzima hepática específica que metaboliza compostos presentes em muitos ingredientes usados em repelentes naturais. Isso significa que substâncias inofensivas para cães, como óleos essenciais de citronela, melaleuca, eucalipto e hortelã-pimenta, podem causar intoxicação grave em gatos, com sintomas que vão de salivação excessiva e vômito até comprometimento neurológico e danos ao fígado.
Para gatos, a abordagem mais segura é priorizar a limpeza do ambiente em vez do contato direto com qualquer repelente. Lavar regularmente a cama, aspirar tapetes e usar o spray de vinagre de maçã bem diluído apenas no ambiente, nunca diretamente no pelo do gato, são medidas que ajudam a reduzir a presença de parasitas sem oferecer risco ao animal. Qualquer produto tópico para gatos deve ser indicado e orientado por um veterinário.
O que nunca colocar no pet por conta própria?
Alguns ingredientes circulam na internet como opções caseiras, mas os veterinários são enfáticos quanto aos riscos. O alho, por exemplo, é frequentemente sugerido como repelente oral para cães, mas é completamente tóxico para gatos e, mesmo em cães, pode causar danos quando consumido sem controle de dosagem. Óleos essenciais concentrados aplicados diretamente no pelo são outro problema comum, pois o animal se lambe naturalmente e acaba ingerindo o produto. Além disso, ingredientes como laranja e limão em contato direto com a pele podem causar irritações e fotossensibilidade.
A regra geral que os especialistas repetem é simples: se tiver dúvida sobre um ingrediente, não use sem consultar um veterinário antes. Repelentes caseiros mal formulados podem mascarar uma infestação ativa, atrasar o tratamento correto e ainda causar reações alérgicas que exigem cuidado médico adicional. O repelente natural é um aliado útil quando usado com critério, não uma solução milagrosa que substitui o acompanhamento profissional.