Como resolver a mania do cachorro de urinar ao receber carinho

Guia prático para lidar com a micção por excitação e submissão em cães durante momentos de afeto e interação social

27/02/2026 06:36

A convivência harmoniosa com um cão exige paciência e o entendimento claro de que certas reações fisiológicas do animal são respostas diretas a estímulos que nós, muitas vezes sem perceber, acabamos proporcionando. Quando um pet urina durante um momento de afeto, ele não está agindo por malícia, mas sim expressando um estado emocional complexo que envolve submissão e uma excitação que ultrapassa o seu limite físico. Compreender a origem desse comportamento é o primeiro passo fundamental para transformar esses encontros em momentos de pura alegria, garantindo que o vínculo entre tutor e animal seja fortalecido sem o desconforto das pequenas poças pela casa.

O segredo para mitigar essa reação está na mudança da energia que o tutor traz para o ambiente no momento em que chega em casa ou decide interagir com o animal.
O segredo para mitigar essa reação está na mudança da energia que o tutor traz para o ambiente no momento em que chega em casa ou decide interagir com o animal.Imagem gerada por inteligência artificial

Por que os cães apresentam esse comportamento de micção por excitação?

Este fenômeno ocorre principalmente porque o sistema nervoso do animal ainda não atingiu a maturidade necessária para processar grandes picos de alegria ou situações de pressão social intensa. Durante as interações, as glândulas adrenais liberam hormônios que aceleram o metabolismo e a frequência cardíaca, criando uma pressão interna que o filhote ou o cão jovem simplesmente não consegue conter de forma consciente naquele instante.

A falta de controle urinário nesses momentos é uma resposta involuntária aos hormônios do estresse positivo, onde o esfíncter da bexiga relaxa diante de uma descarga emocional muito forte. É vital observar que a fisiologia do cão está reagindo ao ambiente, e qualquer punição nesse estágio pode agravar o quadro, transformando um problema de empolgação em um transtorno de ansiedade profunda e medo crônico.

Como o manejo correto pode evitar que o cão urine ao ser cumprimentado?

O segredo para mitigar essa reação está na mudança da energia que o tutor traz para o ambiente no momento em que chega em casa ou decide interagir com o animal. Ao ignorar o pet nos primeiros minutos, você permite que os níveis de adrenalina dele baixem naturalmente, evitando que o pico de euforia cause o relaxamento imediato da bexiga em um momento inapropriado.

Manter a calma e evitar tons de voz muito agudos ou gestos bruscos ajuda a manter o equilíbrio emocional do cão, tornando o contato físico algo secundário e tranquilo. O ideal é esperar que o animal se acalme totalmente, preferencialmente pedindo que ele se sente antes de oferecer qualquer tipo de recompensa tátil, estabelecendo assim uma hierarquia de calma e respeito mútuo.

Neste vídeo instrutivo, você acompanha técnicas de aproximação que ajudam a manter a estabilidade emocional do pet, conforme demonstrado no canal Bernardo Adestra do YouTube:

Qual é a relação entre a postura do tutor e a resposta do animal?

Muitas vezes, a forma como nos inclinamos sobre o cachorro é interpretada por ele como uma postura de dominância, o que o leva a adotar uma postura de vulnerabilidade extrema para apaziguar a situação. Quando o tutor se curva sobre o pet, o animal pode se sentir intimidado, respondendo com a micção submissa como um sinal biológico de que ele não representa uma ameaça ao líder da matilha.

Para evitar esse gatilho psicológico, é recomendado que a interação ocorra de forma lateral, evitando o contato visual direto e fixo, que pode ser lido como um desafio. Ao ajustar a sua linguagem corporal, você envia sinais claros de que o momento é de lazer e não de confronto, facilitando a manutenção do controle fisiológico por parte do seu companheiro canino.

Existem alguns ajustes específicos na linguagem corporal que podem transformar radicalmente a percepção do animal sobre o contato físico:

  • Aproximar-se do cão de lado em vez de vir de frente de forma direta.
  • Evitar colocar as mãos sobre a cabeça do pet, preferindo o peito ou o queixo.
  • Manter o corpo ereto ou agachar-se sem se inclinar totalmente sobre o animal.

Quais técnicas ajudam a fortalecer o controle urinário em situações sociais?

O treinamento de obediência básica desempenha um papel crucial no desenvolvimento da autoconfiança e do foco do cachorro, permitindo que ele aprenda a gerenciar seus próprios impulsos. Ao ensinar comandos simples, como o fica ou o senta, você oferece ao animal uma tarefa específica para realizar, o que ajuda a desviar a atenção da excitação extrema para a execução de um comportamento aprendido.

Entenda as causas emocionais e aprenda técnicas para manter seu pet calmo nas interações.
Entenda as causas emocionais e aprenda técnicas para manter seu pet calmo nas interações.Imagem gerada por inteligência artificial

A dessensibilização sistemática ao estímulo tátil também é uma ferramenta poderosa, onde o toque é introduzido de forma gradual e sempre em momentos de extrema calmaria absoluta. Com o tempo, o cão passa a associar o carinho a um estado de relaxamento profundo, e não mais a um evento explosivo que demanda uma reação física imediata das glândulas e do sistema excretor.

Para garantir que o progresso seja constante e positivo, algumas práticas diárias devem ser adotadas por todos os moradores da residência:

  • Praticar sessões curtas de carinho quando o cachorro está sonolento ou relaxado.
  • Recompensar o comportamento calmo com petiscos de alto valor durante os treinos.
  • Garantir que o pet tenha feito suas necessidades antes de iniciar qualquer brincadeira.

Como saber se o problema é comportamental ou uma questão de saúde?

Embora a maioria dos casos de micção por empolgação tenha origem emocional, é imprescindível descartar causas fisiológicas que possam estar comprometendo o trato urinário do animal. Infecções urinárias, cálculos na bexiga ou até mesmo incontinência hormonal podem apresentar sintomas muito semelhantes, exigindo uma avaliação clínica detalhada para que o tratamento adequado seja aplicado de forma eficaz.

Observar a frequência e o contexto em que os acidentes ocorrem ajuda a identificar se o padrão está ligado apenas ao contato social ou se acontece em momentos de repouso. Uma vez que a saúde física esteja confirmada, o foco total deve ser direcionado para o ajuste de manejo e para o enriquecimento ambiental, proporcionando ao cão uma rotina estável e previsível que favoreça o seu bem-estar emocional.