Convivemos com essa certeza desde a infância, mas um peixe pode sim se afogar na água
O segredo das brânquias e a luta desesperada pela vida
Imaginar um peixe se afogando causa estranhamento porque esses animais vivem na água, mas, do ponto de vista biológico, a respiração aquática é muito sensível à quantidade de oxigênio disponível e a pequenas mudanças na qualidade da água, o que pode levar à falta de ar e até à morte em rios, lagos e áreas costeiras afetadas pela ação humana.

Como funciona a respiração do peixe na água?
Quando falamos em peixe se afogando, referimo-nos a uma expressão popular que indica a falta de oxigênio disponível no ambiente aquático. Biologicamente, a respiração desses animais ocorre pelas brânquias; localizadas nas laterais da cabeça, elas possuem lamelas finas e vascularizadas responsáveis pelas trocas gasosas essenciais à vida.
Para entender como esse processo biológico funciona em detalhes e descobrir como o oxigênio é capturado da água, o canal @seligaai preparou uma explicação didática completa. No vídeo a seguir, você confere o funcionamento das brânquias na prática e entende por que certos fatores podem comprometer a respiração dos peixes no ambiente aquático:
https://youtu.be/X2ISnn8MXd4?si=HZt9xYAqEeRA9EOi
Um peixe realmente pode se afogar na própria água?
Do ponto de vista estrito, o termo afogamento descreve a morte por imersão em organismos que respiram ar. Por isso, falar em peixe se afogando não é tecnicamente exato, mas a expressão é usada para traduzir a ideia de sufocamento dentro da própria água, quando o animal não capta oxigênio suficiente.
Existem vários cenários em que isso acontece e que ajudam a entender o problema no dia a dia:
- Baixo oxigênio dissolvido comum em lagoas rasas, açudes e rios poluídos em épocas de calor.
- Eutrofização causada por excesso de nutrientes, esgoto e resíduos orgânicos que geram “zonas mortas”.
- Imobilidade forçada em redes, armadilhas ou ferimentos que impedem o peixe de nadar e ventilar as brânquias.
- Danos às brânquias por sedimentos, produtos químicos, parasitas ou materiais de pesca.
Quais fatores ambientais aumentam o risco de um peixe se afogar?
A concentração de oxigênio na água depende da temperatura, da circulação e da presença de matéria orgânica. Quanto mais quente a água, menor a quantidade de oxigênio que ela consegue manter dissolvido, o que aumenta o estresse para a fauna aquática e pode causar episódios de morte em massa.
Alguns fatores críticos podem ser destacados por quem quer entender ou manejar melhor um ambiente aquático:
- Temperaturas elevadas reduzem a solubilidade do oxigênio e aceleram o metabolismo dos peixes.
- Estagnação da água em represas, canais e lagoas facilita o esgotamento rápido do oxigênio.
- Lançamento de esgoto e resíduos orgânicos alimenta bactérias que consomem muito oxigênio.
- Desmatamento de margens aumenta a temperatura da água e altera a entrada de nutrientes.

Por que alguns animais aquáticos sobrevivem mais tempo fora da água?
A expressão peixe se afogando também levanta a dúvida sobre por que alguns animais aquáticos suportam ficar fora da água por mais tempo. A resposta está nas diferentes estratégias de obtenção e armazenamento de oxigênio que surgiram ao longo da evolução em peixes, mamíferos e répteis marinhos.
Alguns peixes de água doce possuem estruturas internas adaptadas que funcionam como uma mistura de bexiga natatória e pulmão primitivo e permitem absorver oxigênio do ar quando a água está pobre em gás, enquanto mamíferos como baleias e golfinhos respiram apenas ar e dependem de grandes reservas de oxigênio no sangue e nos músculos para mergulhar, mostrando como o balanço entre oferta e demanda de oxigênio define a sobrevivência em qualquer ambiente aquático.