De acordo com especialistas em jardinagem, quais são as únicas árvores frutíferas que devem ser podadas em maio?

Durante o repouso vegetativo, a planta interrompe o crescimento ativo e concentra seus recursos nas raízes e no tronco

08/05/2026 06:31

Maio marca o início de uma das janelas mais estratégicas do calendário para quem cuida de um pomar, seja ele de fundo de quintal ou de maior escala. A queda gradual da temperatura e a redução das horas de luz disparam o repouso vegetativo em diversas espécies, criando o momento ideal para intervir sem comprometer a saúde das plantas. Mas nem toda frutífera responde bem à tesoura nesse período. Saber exatamente quais árvores aceitar a poda de frutíferas em maio é o primeiro passo para garantir produção na estação seguinte.

Além de identificar as espécies corretas, três critérios determinam se a brotação primaveril será bem-sucedida após a poda.
Além de identificar as espécies corretas, três critérios determinam se a brotação primaveril será bem-sucedida após a poda.Imagem gerada por inteligência artificial

Por que o repouso vegetativo torna maio o mês certo para podar?

Durante o repouso vegetativo, a planta interrompe o crescimento ativo e concentra seus recursos nas raízes e no tronco. Com a seiva circulando em ritmo reduzido, os cortes cicatrizam com mais eficiência e o risco de infecções fúngicas nos ferimentos cai significativamente. Podar fora desse período, quando a planta está em plena atividade, significa desperdiçar energia que ela direcionaria para novos brotos e frutos.

Em regiões de clima mais ameno, onde as temperaturas de maio ainda são moderadas, o repouso vegetativo pode chegar mais tarde. Por isso, especialistas recomendam observar o estado da planta antes de qualquer corte: se as gemas já estiverem inchadas ou com sinais de brotação, a poda deve ser adiada para não comprometer o crescimento que está por vir.

Quais são as frutíferas que devem ser podadas em maio?

De acordo com especialistas em jardinagem consultados pelo portal Infoagro, oito espécies respondem bem à poda de frutíferas realizada durante o mês de maio. Cada uma tem uma lógica específica de manejo nesse período:

  • Macieira: a poda de inverno é a principal intervenção do ano, feita enquanto a planta está em repouso completo. Remove ramos cruzados, envelhecidos e aqueles que sombreiam o interior da copa.
  • Pereira: segue o mesmo calendário da macieira, com poda de formação ou renovação realizada antes de qualquer sinal de brotação.
  • Marmeleiro: também se enquadra no grupo das pomáceas que toleram bem a intervenção em pleno repouso vegetativo.
  • Pessegueiro: a poda acontece geralmente no final do inverno, mas em regiões mais frias pode ser realizada em maio, sempre antes do início da floração.
  • Ameixeira: a poda de inverno é indicada em maio, com foco na eliminação de ramos improdutivos e no equilíbrio entre crescimento vegetativo e produção.
  • Cerejeira: recomenda-se uma poda leve, voltada para formação da copa ou remoção de galhos danificados, evitando cortes excessivos.
  • Damasceira: mesmo manejo da ameixeira, com atenção especial aos ramos que já completaram seu ciclo produtivo.
  • Figueira: maio é o momento de entrada do período ideal, com os especialistas indicando que a poda seja feita a partir da última semana do mês.

A lista cobre exclusivamente espécies de clima temperado que entram em dormência com a chegada do frio. Frutíferas tropicais e subtropicais, como mangueira, abacateiro e goiabeira, seguem calendários completamente diferentes e não devem ser podadas nesse período.

Além de identificar as espécies corretas, três critérios determinam se a brotação primaveril será bem-sucedida após a poda.
Além de identificar as espécies corretas, três critérios determinam se a brotação primaveril será bem-sucedida após a poda.Imagem gerada por inteligência artificial

O que observar antes de fazer os cortes?

Além de identificar as espécies corretas, três critérios determinam se a brotação primaveril será bem-sucedida após a poda. O primeiro é o clima regional: em zonas mais quentes, a brotação ocorre antes, reduzindo a margem de tempo disponível para intervir. Em regiões frias, o período de repouso é mais longo e oferece mais flexibilidade.

O segundo critério é a observação direta da planta. Gemas visivelmente inchadas ou qualquer sinal de movimento indicam que o repouso vegetativo está se encerrando. Podar nesse estágio compromete os brotos em formação. O terceiro é a condição climática no dia da poda: cortes feitos em dias úmidos ou chuvosos aumentam o risco de fungos se instalarem nas feridas abertas. Dias secos e com boa circulação de ar são os mais indicados.

Como a poda influencia a produção de frutos na temporada seguinte?

A relação entre poda bem executada e colheita farta não é imediata, mas é direta. Ao remover ramos improdutivos, cruzados ou excessivamente sombreados, a planta redistribui sua energia para os galhos com maior potencial produtivo. A copa mais aberta também melhora a circulação de ar e a penetração de luz, dois fatores que reduzem a incidência de doenças e favorecem o desenvolvimento uniforme dos frutos.

Frutíferas que nunca recebem poda tendem a concentrar a produção nas extremidades dos ramos mais altos, tornando a colheita difícil e os frutos menores. Com intervenções regulares no período correto, o vigor se distribui melhor pela planta e a brotação primaveril ocorre de forma mais equilibrada em toda a copa.

Vale a pena adaptar o calendário de poda ao clima local?

Sim, e essa adaptação é mais importante do que seguir datas fixas. O calendário de poda de frutíferas em maio foi desenvolvido com base em regiões de clima temperado com invernos bem definidos. Em localidades onde o frio chega mais tarde ou é menos intenso, o repouso vegetativo pode coincidir com junho ou até julho. Nesses casos, antecipar a poda por conta de uma data do calendário pode ser mais prejudicial do que benéfico.

O critério mais confiável continua sendo a leitura da própria planta. Uma frutífera com folhagem ainda presente, gemas fechadas e sem sinais de dormência ainda não está pronta para receber os cortes. Quando os ramos improdutivos estão claramente visíveis, a planta está desfolhada e não há movimento nas gemas, o momento ideal chegou, independentemente de o calendário marcar maio, junho ou qualquer outro mês de inverno.