Ela passou no seu telhado? O verdadeiro significado por trás do grito da coruja

Saiba por que o canto da coruja é o segredo para o equilíbrio ambiental e deixe a superstição de lado

13/03/2026 11:06

Em muitas comunidades brasileiras, especialmente em áreas rurais, o som da coruja durante a noite ainda chama atenção e mantém vivas interpretações antigas. O chamado “rasga seda”, também conhecido como rasga-mortalha, é cercado por medos, cuidados e explicações populares: para alguns, é apenas o comportamento natural de uma ave noturna; para outros, sinal de que algo grave pode acontecer na família ou no bairro, o que em 2026 ainda gera curiosidade, dúvidas e discussões entre tradição e conhecimento científico.

Rasga-mortalha é o nome dado ao canto agudo e prolongado de algumas corujas, que lembra para muitos o som de tecido sendo rasgado ou um lamento distante
Rasga-mortalha é o nome dado ao canto agudo e prolongado de algumas corujas, que lembra para muitos o som de tecido sendo rasgado ou um lamento distanteImagem gerada por inteligência artificial

O que é o rasga-mortalha e como surgiu essa superstição?

Rasga-mortalha é o nome dado ao canto agudo e prolongado de algumas corujas, que lembra para muitos o som de tecido sendo rasgado ou um lamento distante. A crença diz que, quando esse som ecoa sobre o telhado de uma casa, alguém ligado àquele lar estaria prestes a falecer.

Essa ideia se espalhou pelo interior do Nordeste e outras regiões, em tempos com pouco acesso à medicina e à informação. Coincidências entre doença, morte repentina e o canto da coruja foram ganhando força, até se transformarem em narrativa repetida por avós, contadores de histórias e moradores mais antigos.

Como os antigos interpretavam o canto da coruja rasga-mortalha?

Os relatos tradicionais seguem um padrão: alguém ouve a coruja no telhado, sente apreensão e, dias depois, uma pessoa conhecida morre ou enfrenta grave problema de saúde. As vezes em que a coruja canta e nada acontece quase nunca entram na memória coletiva, o que ajuda a reforçar o mito.

Moradores mais velhos descrevem gestos de proteção quando escutam o rasga-mortalha, como orações, acender velas ou fazer barulho para espantar a ave. Em algumas casas, o medo aumenta quando a coruja permanece muito tempo no mesmo telhado ou repete o canto por várias noites, tornando-se um símbolo de alerta e de respeito à morte.

Uma vida conectada com a cultura exige respeito aos mistérios do campo. Saiba o que a ciência diz sobre a coruja rasga-mortalha e transforme o medo em curiosidade.
Uma vida conectada com a cultura exige respeito aos mistérios do campo. Saiba o que a ciência diz sobre a coruja rasga-mortalha e transforme o medo em curiosidade. - Créditos: depositphotos.com / HayDmitriy

O que a ciência já sabe sobre o canto da coruja rasga-mortalha?

Do ponto de vista biológico, o rasga-mortalha é apenas uma forma de comunicação da coruja, ligada a defesa de território, acasalamento, aviso de perigo ou contato com outras aves. Telhados, árvores altas e construções humanas oferecem boa visão e segurança, por isso são usados como “pontos de observação”, sem qualquer relação com presságios.

Pesquisas em comportamento animal não indicam ligação entre o canto da coruja e eventos de morte, mas ajudam a entender como nossa mente faz conexões seletivas. A seguir, alguns pontos rápidos ajudam a separar mito e realidade no dia a dia:

  • A mente humana destaca coincidências marcantes e ignora os inúmeros casos em que nada ocorreu após o canto.
  • Em muitas culturas, animais noturnos são associados ao mistério e ao desconhecido, favorecendo crenças de mau agouro.
  • Corujas têm papel importante no controle de roedores e insetos, contribuindo diretamente para a saúde ambiental.
  • Não há evidência científica de que o canto da coruja antecipe ou provoque qualquer tipo de morte.

Como lidar hoje com o mito da coruja rasga-mortalha?

Atualmente, muitas famílias escolhem tratar o tema com equilíbrio, reconhecendo o valor cultural da crença e, ao mesmo tempo, apresentando informações atualizadas sobre as corujas. Em vez de apagar o mito, é possível usá-lo como ponto de partida para conversar sobre medo, morte e formas de explicar o desconhecido.

Uma abordagem útil é encarar o rasga-mortalha como parte do folclore regional, preservando histórias antigas, mas desencorajando perseguições ao animal. Assim, o canto antes visto apenas como anúncio de tragédia passa a ser entendido também como sinal de uma ave adaptada ao ambiente humano, mantendo vivo o diálogo entre tradição, curiosidade e conhecimento científico.