Ele está apenas respirando com dificuldade agora: como ocorre o processo de morte de uma baleia?
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O encalhe de baleias é um fenômeno que desperta muita curiosidade e alerta para problemas ambientais graves, pois revela processos biológicos complexos e impactos que vão muito além da cena registrada na praia, envolvendo fatores físicos, fisiológicos, climáticos e a forte influência das atividades humanas nos oceanos.

O que é encalhe de baleias e por que ele acontece?
O chamado encalhe de baleias ocorre quando um grande mamífero marinho perde a capacidade de permanecer em águas profundas. Isso pode acontecer em praias rasas, bancos de areia ou baías onde o animal fica parcialmente submerso, mas incapaz de se locomover. Em muitos casos, o indivíduo está debilitado, doente ou ferido, sem condições de retornar ao mar aberto.
Embora casos com grandes baleias chamem mais atenção, golfinhos e botos encalham com muito mais frequência. Esses eventos ajudam a revelar pressões ambientais que afetam todo o grupo de mamíferos marinhos, como doenças, poluição, colisões com embarcações e interação com redes de pesca.
Quais fatores ambientais favorecem o encalhe de baleias?
A topografia costeira influencia diretamente o risco de encalhe. Baías rasas em formato de funil, bancos de areia extensos, fundos lamosos e canais estreitos funcionam como armadilhas naturais. Esses ambientes podem alterar a propagação do som usado na ecolocalização, fazendo com que o animal entre em zonas rasas sem perceber o perigo a tempo.
O clima também tem papel importante. Ventos fortes, tempestades, mudanças bruscas de maré, ressacas e frentes frias podem desviar rotas e empurrar animais debilitados para perto da costa. Alterações na temperatura da água mudam a distribuição de cardumes e levam as baleias a seguir suas presas para regiões onde a combinação de relevo submarino, correntes e marés torna o retorno ao mar aberto muito difícil.

Quais são as principais causas de encalhe de baleias?
As causas de encalhes podem ser naturais ou relacionadas à ação humana, muitas vezes atuando juntas. Entre os fatores naturais estão doenças infecciosas, parasitas que afetam equilíbrio, desnutrição por falta de presas, perseguição por predadores e erros de navegação associados à geografia costeira. Esses fatores já seriam suficientes para aumentar o risco de encalhe em regiões sensíveis.
As causas ligadas à atividade humana são diversas e preocupam pesquisadores. Elas incluem colisões com embarcações, emalhe em redes de pesca, poluição química, ruído submarino intenso e degradação de habitats costeiros. Alguns exemplos de impactos frequentes são:
- Emalhe em redes que causa ferimentos, dificulta a alimentação e leva à infecção
- Ruído de navios, sonares e prospecção sísmica que interfere na comunicação e na navegação
- Metais pesados e microplásticos que se acumulam nos tecidos e prejudicam a saúde
- Destruição de manguezais e recifes que reduz a oferta de alimento e abrigo
O que fazer ao encontrar uma baleia encalhada na praia?
Ao encontrar uma baleia, golfinho, boto ou peixe boi encalhado, é essencial proteger o animal e as pessoas. Não se deve tentar puxar o animal de volta ao mar, nem oferecer alimentos ou água. A aproximação excessiva, toques, ruídos altos e flashes podem aumentar o estresse e agravar o quadro. Animais de estimação também devem ser mantidos afastados para evitar acidentes e transmissão de doenças.
Para entender detalhadamente como realizar esses primeiros socorros de forma segura e eficaz, assista ao vídeo do @CanalOEco, onde a especialista Liliane Lodi explica os procedimentos fundamentais para estabilizar o animal até a chegada de profissionais:
Como o encalhe de baleias ajuda a entender a saúde dos oceanos?
Cada encalhe funciona como um registro biológico do ambiente em que o animal viveu. Em necropsias, cientistas analisam órgãos, estado nutricional, presença de contaminantes, parasitas e marcas de interação com pesca ou navios. Essas informações revelam a qualidade da água, a disponibilidade de presas e o nível de pressão humana sobre os mamíferos marinhos.
Comparando dados de diferentes anos e regiões, pesquisadores conseguem identificar tendências de longo prazo, como aumento de doenças, mudanças em rotas migratórias e efeitos das mudanças climáticas. Esses resultados orientam políticas públicas, criação de áreas marinhas protegidas, regras para reduzir ruídos submarinos e medidas de conservação que ajudam a preservar baleias, golfinhos e todo o ecossistema oceânico.