Horário fixo vs metas agressivas, qual a melhor escolha para quem tem filhos

O detalhe na sua rotina que indica que você está a um passo do esgotamento

24/02/2026 18:56

O debate sobre trabalhar por metas ou por horas ganhou espaço entre profissionais e empresas, especialmente diante do aumento de casos de exaustão emocional entre mulheres, pois a pressão por desempenho, o acúmulo de funções e a dificuldade em conciliar carreira e vida pessoal criam um cenário em que o burnout feminino se torna mais frequente e visível, exigindo reflexão sobre qual modelo de trabalho oferece mais proteção e equilíbrio.

O modelo de trabalho por metas costuma estar associado à ideia de produtividade máxima
O modelo de trabalho por metas costuma estar associado à ideia de produtividade máximaImagem gerada por inteligência artificial

Trabalhar por metas aumenta o burnout feminino?

O modelo de trabalho por metas costuma estar associado à ideia de produtividade máxima: importa menos quanto tempo se permanece conectada e mais se as entregas são feitas no prazo. Essa lógica pode estimular jornadas extensas e pouco previsíveis, intensificando sentimentos de exaustão, culpa e sobrecarga em mulheres que também são responsáveis por cuidados domésticos e familiares.

Pesquisas recentes sobre burnout feminino indicam que metas agressivas, combinadas com falta de apoio e pouca autonomia para negociar prazos, ampliam o risco de adoecimento. Nesse contexto, o trabalho por objetivos pode gerar:

  • Autocobrança constante, com a sensação de que sempre é possível produzir mais.
  • Dificuldade de “desligar” do trabalho, mesmo fora do expediente formal.
  • Medo de não alcançar resultados e sofrer punições ou perder oportunidades.

Como o trabalho por horas afeta a saúde mental?

O regime de trabalho por horas é visto, em muitos casos, como mais previsível, com horário para começar e terminar, favorecendo uma rotina mais estável e uma divisão de tempo mais clara entre trabalho, casa e vida pessoal. Ainda assim, não elimina o risco de burnout feminino, especialmente quando há jornadas longas, trabalho em turnos ou plantões noturnos.

Mesmo com controle formal do tempo, o desgaste aumenta quando a carga horária é excessiva, a pressão é constante e faltam reconhecimento e perspectivas de crescimento. Nessas situações, mulheres em áreas como saúde, comércio e serviços lidam com ritmo acelerado, público exigente e acúmulo de funções, o que contribui diretamente para o esgotamento emocional e físico.

Muitos acreditam que trabalhar em casa reduziu o estresse, mas o burnout feminino nunca foi tão visível. Este comparativo revela as causas reais da exaustão.
Muitos acreditam que trabalhar em casa reduziu o estresse, mas o burnout feminino nunca foi tão visível. Este comparativo revela as causas reais da exaustão. - Créditos: depositphotos.com / grinvalds

O que gera mais burnout feminino, metas ou horas?

Ao comparar trabalho por metas e por horas, especialistas em saúde ocupacional destacam que não é apenas o tipo de regime que define o risco de burnout feminino, mas a forma como ele é aplicado no dia a dia. Ainda assim, alguns elementos tornam o modelo por metas mais crítico para mulheres, sobretudo quando somados a uma dupla ou tripla jornada de cuidado.

No trabalho por metas, o risco aumenta quando metas são inalcançáveis ou pouco transparentes, há expectativa de disponibilidade permanente e a remuneração é atrelada ao resultado. Já o trabalho por horas, quando respeita limites de jornada e intervalos, oferece fronteiras mais claras entre tempo profissional e pessoal, o que pode reduzir o burnout para parte das mulheres.

Como reduzir o burnout feminino em diferentes modelos de trabalho?

A prevenção do burnout em mulheres exige mudanças organizacionais e estratégias individuais de proteção, tanto em regimes baseados em metas quanto em horas. Empresas e gestoras podem adotar práticas que tornem o ambiente mais saudável, com regras claras, respeito aos limites humanos e atenção a recortes de gênero, maternidade e cuidado.

Do ponto de vista individual, muitas trabalhadoras buscam estabelecer fronteiras mais nítidas entre trabalho e vida pessoal, como limitar horários de resposta a mensagens, recusar demandas além da capacidade e priorizar pausas. Aliadas a políticas internas mais sensíveis às necessidades das mulheres, essas atitudes ajudam a reduzir o risco de burnout e a construir uma rotina mais sustentável.