O que o Pablo Escobar tem haver com os hipopótamos da América Latina

História sobre como animais exóticos de um narcotraficante viraram uma praga ambiental no Rio Magdalena

27/01/2026 06:36

Hipopótamos do Pablo Escobar representam um dos legados mais inusitados e problemáticos deixados pelo narcotraficante colombiano em sua antiga propriedade, a Fazenda Nápoles. Além disso, o criminoso importou apenas quatro exemplares de forma ilegal para compor seu zoológico particular, mas a fuga desses animais após sua morte resultou em uma expansão populacional sem precedentes na região do Rio Magdalena, afetando a biodiversidade local de forma severa.

Para entender a origem dessa crise, precisamos retornar à década de oitenta, quando o cartel de Medellín estava no auge de seu poder financeiro
Para entender a origem dessa crise, precisamos retornar à década de oitenta, quando o cartel de Medellín estava no auge de seu poder financeiroImagem gerada por inteligência artificial

Como os hipopótamos do Pablo Escobar chegaram na Colômbia?

Para entender a origem dessa crise, precisamos retornar à década de oitenta, quando o cartel de Medellín estava no auge de seu poder financeiro. Escobar decidiu criar um refúgio exótico e trouxe espécies da África, incluindo três fêmeas e um macho, sem considerar as consequências biológicas de tal ato para o ecossistema colombiano, que não possui predadores naturais para esses grandes mamíferos.

Nesse sentido, a tabela abaixo detalha o crescimento estimado dessa população ao longo das décadas desde a introdução inicial desses animais selvagens no território colombiano, demonstrando como o pequeno grupo original se expandiu sem qualquer controle por parte das autoridades governamentais de manejo de fauna:

Década População Estimada Status do Grupo
1980 4 indivíduos Introdução ilegal
2000 ~35 indivíduos Expansão selvagem
2024 ~170 indivíduos Praga invasora

Qual o impacto ambiental causado por esses animais invasores?

O clima tropical da Colômbia e a abundância de água permitiram que os animais se reproduzissem muito mais rápido do que ocorreria no continente africano. Além disso, a presença de grandes mamíferos altera drasticamente a qualidade da água do Rio Magdalena, afetando peixes e a biodiversidade aquática que sustenta as comunidades locais, já que o excesso de matéria orgânica gerado pelos animais consome o oxigênio vital.

Consequentemente, o governo colombiano declarou oficialmente a espécie como invasora, pois a competição por recursos naturais prejudica a fauna nativa de maneira irreversível. O comportamento agressivo desses bichos também representa um risco constante para os pescadores e moradores que vivem nas margens do rio, gerando conflitos constantes entre humanos e natureza que resultam em acidentes graves todos os anos.

O criador de conteúdo Mesquita apresenta uma reação detalhada sobre a história bizarra desses animais e como eles se espalharam pela região através do canal Mesquita do TikTok:

@mesquitareacts

Você sabia que na colômbia existem HIPOPÓTAMOS? 🦛

♬ som original - Mesquita

Por que o controle dos hipopótamos do Pablo Escobar é tão complexo?

A logística para capturar e transportar animais que pesam toneladas exige recursos financeiros e técnicos que o país muitas vezes não consegue disponibilizar rapidamente. Nesse sentido, as autoridades ambientais enfrentam dilemas éticos, pois parte da população local desenvolveu um laço afetivo com os animais, dificultando a implementação de medidas como o abate sanitário, que gera protestos intensos por parte de diversos grupos ativistas.

Para compreender melhor os desafios práticos, acompanhe os principais obstáculos enfrentados pelos especialistas em biologia e gestão de fauna silvestre atualmente, os quais buscam formas seguras de conter o avanço territorial desses grandes mamíferos africanos que não possuem rivais naturais no ecossistema da região:

  • Dificuldade de acesso a áreas de pântano onde os animais se escondem.
  • Altos custos operacionais para procedimentos de esterilização cirúrgica.
  • Falta de países interessados em receber animais de uma espécie invasora.
  • Riscos físicos elevados durante as tentativas de manejo em campo.
Para entender a origem dessa crise, precisamos retornar à década de oitenta, quando o cartel de Medellín estava no auge de seu poder financeiro
Para entender a origem dessa crise, precisamos retornar à década de oitenta, quando o cartel de Medellín estava no auge de seu poder financeiroImagem gerada por inteligência artificial

Quais são as possíveis soluções para essa crise ambiental?

Os especialistas sugerem uma combinação de estratégias que incluem a esterilização química, o remanejamento para santuários em outros países e, em casos extremos, a eutanásia controlada. Entretanto, cada uma dessas opções possui custos elevados e baixa eficácia quando aplicada isoladamente em uma população que cresce exponencialmente a cada ano que passa, tornando o problema cada vez mais difícil de ser solucionado pelas agências.

Dessa forma, a cooperação internacional torna-se fundamental para evitar um desastre ecológico ainda maior nas próximas décadas em todo o continente sul-americano. O autor mostra que somente com um plano de manejo robusto e contínuo será possível equilibrar a preservação do ecossistema local com a segurança das pessoas que dependem diretamente do Rio Magdalena para o seu sustento e sobrevivência diária.