Os antigos a consideravam a planta da longevidade: descobrindo o figo
A figueira apresenta características físicas distintas que a tornam facilmente reconhecível e altamente adaptável a diferentes condições ambientais
Desde tempos imemoriais, a figueira é reverenciada por diferentes civilizações como símbolo poderoso de imortalidade, fertilidade e abundância. Esta planta extraordinária carrega significados profundos que atravessam milênios, mantendo-se relevante tanto culturalmente quanto nutricionalmente até os dias atuais.

Qual o significado histórico da figueira nas civilizações antigas?
A figueira ocupava posição sagrada em praticamente todas as grandes civilizações antigas, sendo associada a conceitos fundamentais de vida, conhecimento e espiritualidade. Cada cultura atribuía simbolismos específicos que revelam a importância dessa árvore milenar.
No antigo Egito, a figueira simbolizava o conhecimento dos mistérios sagrados e era frequentemente representada em hieróglifos e pinturas tumulares como árvore da vida. Em diversas regiões da Ásia, permanece até hoje como símbolo poderoso da fertilidade masculina, do vigor vital e da morada de espíritos elementais protetores. Para os romanos, o figo era considerado planta sagrada equiparada à oliveira e à videira, formando trio de vegetais fundamentais para a civilização mediterrânea. Essa reverência atravessou séculos transformando a figueira em um dos símbolos mais emblemáticos da região mediterrânea, embora sua origem verdadeira esteja no Oriente Médio, especificamente na área que abrange Turquia, Síria e Arábia Saudita.
Quais são as características botânicas da figueira?
A figueira apresenta características físicas distintas que a tornam facilmente reconhecível e altamente adaptável a diferentes condições ambientais. Compreender essas particularidades ajuda a cultivá-la com sucesso.
As principais características da figueira incluem:
- Tronco extremamente robusto com casca lisa característica que pode atingir mais de 10 metros de altura quando atinge maturidade plena
- Ramos relativamente frágeis com gemas terminais pontiagudas e folhas distintamente enrugadas de formato lobado
- Excelente tolerância a climas áridos devido à sua origem no Oriente Médio, prosperando em condições secas
- Sensibilidade ao frio intenso especialmente abaixo de 8 graus Celsius negativos e a solos excessivamente úmidos ou pesados
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Como a figueira se espalhou pelo mundo moderno?
Nas últimas décadas, testemunhamos recuperação progressiva do cultivo de figos não apenas nas regiões tradicionalmente produtoras, mas também em áreas onde a espécie sempre fez parte integrante da tradição agrícola local. Essa expansão revela renovado interesse por essa fruta ancestral.
A extrema variabilidade genética das espécies de figueira e seu cultivo ao longo dos séculos deram origem a inúmeras variedades adaptadas a diferentes condições climáticas e preferências locais. Populações ao redor do mundo aproveitaram essa diversidade criando cultivares com nomes distintos, diferenciando características da fruta e da planta, qualidades organolépticas específicas e períodos de maturação variados. Globalmente, os principais países produtores de figo atualmente são Turquia liderando a produção mundial, seguida por Egito, Irã, Marrocos, Grécia, Argélia, Espanha, Estados Unidos, Síria, Itália e Portugal. Na Itália especificamente, mais de 97% da produção concentra-se em regiões do sul como Campânia, Calábria, Apúlia, Sicília e Basilicata, onde o clima mediterrâneo favorece o cultivo dessa fruta deliciosa.

Quais são as principais variedades de figo cultivadas?
Existem três tipos principais de figos cultivados especialmente na Itália, cada um com características únicas de sabor, aparência e utilização culinária. Conhecer essas diferenças permite escolher a variedade ideal para cada finalidade.
O verdino é a variedade mais difundida e popular, facilmente reconhecível por sua casca verde característica e polpa avermelhada intensamente doce que agrada a maioria dos paladares. A variedade brogiotto distingue-se pela casca escura marcante que tende para tons roxos ou quase pretos quando completamente madura, oferecendo sabor rico e complexo. Já a variedade dottato caracteriza-se por casca verde-clara e polpa especialmente firme, sendo tradicionalmente utilizada para produção de figos secos que podem ser armazenados por longos períodos. Os frutos da figueira são vulneráveis à umidade excessiva durante o amadurecimento, podendo cair prematuramente se os níveis de umidade atmosférica forem muito altos, porém a planta como um todo possui adaptabilidade excepcional a diversas condições climáticas ao contrário de muitas outras espécies frutíferas.