Por que curitiba é chamada de CWB?

A IATA, sigla para Associação Internacional de Transporte Aéreo, é a organização responsável por padronizar tudo o que envolve a aviação civil comercial

19/02/2026 13:05

Se você já comprou uma passagem aérea para Curitiba ou viu alguém usar a sigla nas redes sociais com aquele orgulho típico de quem é da cidade, provavelmente já se perguntou de onde veio esse “CWB”. Três letras que começaram como um simples código de aeroporto e acabaram virando apelido, identidade e até declaração de pertencimento de uma cidade inteira. A história por trás dessa sigla é mais curiosa do que parece e envolve aviação internacional, código criado nos anos 1950 e um mistério que nem a própria IATA consegue explicar completamente.

O Aeroporto Internacional Afonso Pena tem uma origem que poucos passageiros imaginam enquanto esperam seu embarque
O Aeroporto Internacional Afonso Pena tem uma origem que poucos passageiros imaginam enquanto esperam seu embarqueImagem gerada por inteligência artificial

O que é a IATA e como ela cria os códigos das cidades?

A IATA, sigla para Associação Internacional de Transporte Aéreo, é a organização responsável por padronizar tudo o que envolve a aviação civil comercial no mundo. Entre suas atribuições está a criação dos famosos códigos de três letras que identificam cada aeroporto do planeta, aquelas combinações que aparecem nas passagens, nas etiquetas de bagagem e nos painéis de embarque e desembarque. O sistema foi pensado para ser universal e evitar confusões operacionais entre países com idiomas e grafias completamente diferentes.

No Brasil, o sistema começou a ser adotado durante a década de 1950, quando a aviação comercial ainda estava se consolidando e as companhias aéreas internacionais precisavam de uma linguagem comum para operar rotas intercontinentais. Cada aeroporto recebeu um código levando em conta o nome da cidade, a região ou até convenções internas das próprias companhias aéreas da época, o que gerou algumas combinações que até hoje levantam dúvidas sobre a lógica por trás delas.

De onde vem o CWB de Curitiba?

O CWB é o código IATA do Aeroporto Internacional Afonso Pena, localizado em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. A letra “C” tem origem óbvia e vem diretamente do nome da cidade. Já o “WB” é onde a história fica interessante, porque até hoje nem a IATA nem a Infraero têm registros oficiais que expliquem com clareza de onde veio essa combinação. O que existem são hipóteses, e três delas se destacam entre pesquisadores e curiosos do tema.

As principais teorias que tentam explicar a origem do “WB” no código de Curitiba são:

  • Tabelas de companhias aéreas antigas: a hipótese mais aceita é que o “WB” tenha sido herdado de listas internas usadas pelas próprias companhias antes da padronização internacional, sendo simplesmente absorvido quando a IATA formalizou o sistema. Nessa época, cada empresa criava suas próprias abreviações e muitas foram mantidas como estavam.
  • Grafia histórica da cidade: outra teoria aponta que o “W” pode ter vindo da antiga forma de escrever o nome da cidade, “Curityba”, usada oficialmente até meados do século XX. O “y” e o “b” poderiam ter gerado a combinação “WB” em algum momento da transição entre os sistemas de catalogação.
  • Combinação técnica livre: há também quem defenda que o “WB” foi simplesmente uma escolha aleatória para evitar repetição com códigos já existentes no banco de dados internacional, sem nenhuma relação direta com o nome ou a localização da cidade.

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Qual é a história do Aeroporto Afonso Pena?

O Aeroporto Internacional Afonso Pena tem uma origem que poucos passageiros imaginam enquanto esperam seu embarque. Inaugurado em 1944, o terminal começou como um aeródromo militar com função estratégica durante a Segunda Guerra Mundial, servindo de base para aeronaves aliadas que patrulhavam o Atlântico Sul em busca de submarinos do Eixo. Dois anos depois, em 1946, o espaço foi adaptado para receber voos comerciais e começou a crescer junto com a própria expansão de Curitiba.

Em 1974, a Infraero assumiu a gestão do aeroporto, e desde 2021 a operação passou para a CCR Aeroportos, empresa do setor privado. Hoje, o Afonso Pena movimenta mais de 6 milhões de passageiros por ano e é consistentemente apontado entre os melhores terminais do Brasil em pesquisas de satisfação, com destaque para limpeza, organização e sinalização interna. Por estar em uma área sujeita a neblina e temperaturas baixas, o aeroporto também tem um dos maiores índices de pousos por instrumentos do país, o que exige operação técnica de alta precisão.

O Aeroporto Internacional Afonso Pena tem uma origem que poucos passageiros imaginam enquanto esperam seu embarque
O Aeroporto Internacional Afonso Pena tem uma origem que poucos passageiros imaginam enquanto esperam seu embarque - Créditos: depositphotos.com / paulobaqueta

Como o código CWB virou apelido e símbolo de Curitiba?

O que começou restrito aos balcões de check-in e às etiquetas de bagagem foi ganhando vida fora do aeroporto de forma gradual e completamente espontânea. Moradores de Curitiba passaram a adotar a sigla como um símbolo de identidade local, e o CWB começou a aparecer em camisetas, murais de rua, placas decorativas, embalagens de pequenos negócios e perfis em redes sociais. Hashtags como #CWB e #MadeInCWB acumulam centenas de milhares de publicações e são usadas para marcar desde fotos de parques e museus até eventos culturais e produtos artesanais da cidade.

Expressões como “rolê em CWB”, “nascido em CWB” ou simplesmente “sou CWB” fazem parte do vocabulário cotidiano de quem vive na capital paranaense e funcionam como um código de reconhecimento entre curitibanos. O que une essas três letras ao orgulho local é justamente a simplicidade: numa cidade conhecida pela friaca, pela objetividade e pelo jeito discreto de ser, um apelido curto, direto e facilmente reconhecível faz todo o sentido. Como brincam os próprios moradores: dizer CWB já é mais que suficiente, e todo mundo entende.