Qual a função do pequeno furo na parte de trás do cortador de unhas? O design original, de 150 anos atrás, esconde uma engenhosidade que a maioria das pessoas nunca utilizou

Antes do cortador de unhas existir, a prática de aparar as unhas envolvia pequenas facas e tesouras

22/02/2026 16:28

O cortador de unhas é um dos objetos mais comuns do cotidiano, está em praticamente todos os banheiros do mundo e é usado desde a infância. Mesmo assim, um detalhe discreto na sua estrutura passou despercebido por gerações inteiras: o pequeno furo na base do objeto. Uma publicação que viralizou recentemente nas redes sociais mostrou que uma família inteira riu ao descobrir que a matriarca não sabia para que servia aquele orifício, e a confissão provocou uma enxurrada de comentários de pessoas admitindo que também nunca tinham pensado no assunto. A resposta, quando finalmente revelada, surpreendeu pela simplicidade.

A função é direta e prática: o orifício foi projetado para permitir que o cortador de unhas seja preso a um chaveiro, argola, cordão ou gancho
A função é direta e prática: o orifício foi projetado para permitir que o cortador de unhas seja preso a um chaveiro, argola, cordão ou ganchoImagem gerada por inteligência artificial

De onde vem o cortador de unhas que todos conhecem hoje?

Antes do cortador de unhas existir, a prática de aparar as unhas envolvia pequenas facas e tesouras, num processo que se assemelhava mais a descascar uma fruta do que a um cuidado de higiene pessoal. Era uma tarefa trabalhosa, que exigia destreza e ainda assim oferecia risco real de ferimentos. Esse cenário começou a mudar em 1875, quando Valentine Fogerty registrou nos Estados Unidos a primeira patente de um aparelho dedicado exclusivamente ao corte de unhas com mecanismo de alavanca.

O design de Fogerty abriu caminho para refinamentos que viriam logo em seguida. Em 1881, os inventores Eugene Heim e Celestin Matz patentearam o modelo de garra articulada que se tornaria a base do cortador reconhecido até hoje. Foi justamente nessa fase de aprimoramento do projeto que o pequeno orifício na base do objeto passou a fazer parte do design padrão, viajando ao longo dos séculos dentro de necessaires, gavetas e bolsos ao redor do mundo sem que a maioria das pessoas soubesse ao certo por que ele estava ali.

Para que serve, afinal, o furo na base do cortador?

A função é direta e prática: o orifício foi projetado para permitir que o cortador de unhas seja preso a um chaveiro, argola, cordão ou gancho. A ideia por trás dessa característica é simples e resolve um problema que qualquer pessoa já enfrentou. O cortador de unhas é um objeto pequeno, leve e fácil de perder, seja no fundo de uma mala de viagem, numa gaveta cheia de itens variados ou dentro de uma necessaire. Ao passar um anel ou corrente pelo furo, ele fica permanentemente anexado a algo, sempre acessível e no lugar certo.

Alguns modelos já saem de fábrica com uma corrente de bolinhas metálicas atravessando o orifício, prontos para serem pendurados em chaveiros ou bolsas de higiene. O design, portanto, não é um acidente de fabricação nem um detalhe decorativo sem propósito. É uma solução de organização pensada desde o século XIX, que acompanhou o objeto por toda a sua história e chegou intacta ao século XXI, ignorada pela grande maioria dos usuários.

Quais outros usos as pessoas costumam imaginar para esse furo?

Quando a função original do orifício foi revelada nas redes sociais, o que chamou atenção não foi apenas a resposta em si, mas a variedade de hipóteses que as pessoas tinham criado ao longo da vida para explicar aquele detalhe. Algumas das teorias mais criativas que circularam nos comentários da publicação foram:

  • Guardar os pedaços de unhas cortados dentro do furo para não espalhar pelo banheiro, imaginando que o orifício fosse algum tipo de coletor interno
  • Servir de encaixe para fio dental, funcionando como um kit de higiene compacto em uma só peça
  • Facilitar a limpeza do cortador, como se o furo permitisse a passagem de água ou escova durante a higienização do objeto
  • Ser apenas um ponto de encaixe no processo de fabricação industrial, sem nenhuma função prática para o usuário final

Nenhuma dessas hipóteses está certa, mas todas revelam algo interessante sobre como as pessoas interagem com objetos cotidianos. Quando um detalhe não tem uma explicação óbvia, a mente cria uma, baseada no contexto mais imediato. O furo do cortador de unhas virou, involuntariamente, um pequeno teste de observação sobre como lemos os objetos ao nosso redor.

A função é direta e prática: o orifício foi projetado para permitir que o cortador de unhas seja preso a um chaveiro, argola, cordão ou gancho
A função é direta e prática: o orifício foi projetado para permitir que o cortador de unhas seja preso a um chaveiro, argola, cordão ou ganchoImagem gerada por inteligência artificial

O que a história desse detalhe revela sobre o design de objetos comuns?

A trajetória do cortador de unhas é um exemplo de como decisões de projeto tomadas há mais de um século podem resistir ao tempo sem que os usuários precisem compreendê-las para que funcionem. O furo não impede o uso do cortador por quem nunca soube para que serve. Ele simplesmente existe, disponível para quem quiser aproveitá-lo, sem exigir nenhuma instrução de uso.

Esse tipo de detalhe silencioso aparece com frequência em objetos do cotidiano e costuma provocar exatamente a mesma reação quando sua função original é revelada: uma mistura de surpresa, de amusement e de vontade de finalmente usar o recurso que estava ali o tempo todo. Muitos leitores que descobriram a função do orifício relataram que foram imediatamente buscar um anel ou corrente para anexar o cortador ao chaveiro, como se a descoberta tardia não pudesse ficar sem uma resposta prática.