Quantas corridas por dia um motorista de app precisa fazer para ganhar um salário mínimo?

O valor médio de uma corrida nos principais aplicativos como Uber e 99 varia entre doze e vinte e cinco reais dependendo da distância percorrida e do horár

21/01/2026 12:26

Você pensa em virar motorista de aplicativo achando que é só ligar o app e sair rodando para ganhar dinheiro fácil e flexível. A realidade nas ruas mostra um cenário completamente diferente, com jornadas exaustivas, custos operacionais que comem boa parte da receita e uma matemática cruel que obriga muitos motoristas a trabalhar doze horas por dia apenas para alcançar o equivalente a um salário mínimo. Entender quantas corridas são necessárias e quanto tempo isso consome revela por que tantos desistem nos primeiros meses dessa profissão que parece promissora mas cobra um preço alto.

Corridas mais longas para aeroportos ou cidades vizinhas podem render cinquenta a cem reais
Corridas mais longas para aeroportos ou cidades vizinhas podem render cinquenta a cem reaisImagem gerada por inteligência artificial

Quanto um motorista ganha em média por corrida?

O valor médio de uma corrida nos principais aplicativos como Uber e 99 varia entre doze e vinte e cinco reais dependendo da distância percorrida e do horário. Em horários normais fora do pico, a maioria das corridas urbanas curtas rende entre quinze e dezoito reais brutos antes dos descontos. Os aplicativos ficam com uma comissão de vinte e cinco a trinta por cento de cada corrida, então desses dezoito reais o motorista efetivamente recebe apenas doze a treze reais na carteira digital.

Corridas mais longas para aeroportos ou cidades vizinhas podem render cinquenta a cem reais, mas são raras no dia a dia típico de trabalho urbano. As corridas curtas de cinco a dez minutos que rendem oito a doze reais são as mais comuns e frequentes, especialmente em cidades médias. Nos horários de pico manhã e noite ou durante eventos o valor pode aumentar vinte a cinquenta por cento por causa da tarifa dinâmica, mas esses momentos lucrativos somam apenas três ou quatro horas do dia útil.

Quantas corridas são necessárias por dia então?

Considerando o salário mínimo de mil quinhentos e dezoito reais em 2026 e trabalhando vinte e dois dias úteis por mês, o motorista precisa faturar aproximadamente sessenta e nove reais líquidos por dia. Usando a média de doze reais líquidos por corrida após a comissão do aplicativo, seriam necessárias cerca de seis corridas diárias apenas para atingir esse valor base. Porém essa conta ignora completamente os custos operacionais que transformam a situação em algo muito mais desafiador.

Gasolina consome em média trinta a quarenta por cento da receita bruta considerando carros populares que fazem dez quilômetros por litro e combustível a seis reais. Manutenção preventiva mensal incluindo troca de óleo, pneus, freios e revisões representa outros dez a quinze por cento da receita. Seguro, IPVA, lavagens semanais e eventuais multas adicionam mais dez por cento. No total, os custos operacionais consomem facilmente cinquenta a sessenta por cento do faturamento bruto. Veja a matemática real completa:

  • Para ganhar líquido sessenta e nove reais diários depois de todos os custos, o motorista precisa faturar bruto aproximadamente cento e cinquenta a cento e setenta reais por dia, o que significa realizar entre dez e doze corridas diárias de valor médio
  • Considerando o tempo médio de vinte a trinta minutos por corrida incluindo espera pelo passageiro, trajeto e deslocamento até a próxima chamada, são necessárias seis a oito horas líquidas rodando para completar essas dez a doze corridas

Quanto tempo real de trabalho isso representa?

As seis a oito horas de corridas efetivas não incluem os períodos mortos esperando chamadas em pontos estratégicos, que podem somar facilmente mais duas a quatro horas dependendo da demanda do dia. Um motorista que quer garantir o salário mínimo mensal precisa ficar online e disponível entre dez e doze horas diárias contando tempo produtivo e improdutivo. Fins de semana e feriados costumam ser mais movimentados mas também têm mais concorrência de motoristas tentando aproveitar a demanda alta.

Muitos motoristas relatam começar às cinco ou seis da manhã para pegar corridas para o aeroporto e trabalho, parar algumas horas no meio do dia quando a demanda cai, e voltar das dezessete às vinte e três horas para o pico noturno. Essa jornada fragmentada dificulta ter vida pessoal ou segundo emprego fixo. O desgaste físico de ficar sentado tantas horas dirigindo em trânsito estressante cobra pedágio na saúde com dores nas costas, problemas de circulação e ansiedade constante.

 

Corridas mais longas para aeroportos ou cidades vizinhas podem render cinquenta a cem reais
Corridas mais longas para aeroportos ou cidades vizinhas podem render cinquenta a cem reaisImagem gerada por inteligência artificial

Existem formas de aumentar a rentabilidade por hora?

Motoristas experientes aprendem os horários e regiões mais lucrativas da cidade, posicionando-se estrategicamente perto de aeroportos, hotéis, centros comerciais e áreas de balada. Trabalhar exclusivamente nos horários de pico com tarifa dinâmica pode render o dobro por hora comparado aos períodos normais, mas exige flexibilidade total de horários. Cadastrar-se em múltiplos aplicativos simultaneamente aumenta as chances de receber chamadas constantes sem períodos mortos longos esperando.

Investir em carros mais econômicos ou elétricos reduz drasticamente os custos com combustível melhorando a margem de lucro. Aprender manutenção básica para fazer trocas simples de óleo e filtros em casa ao invés de pagar oficina economiza centenas de reais mensais. Mesmo com todas essas otimizações, a realidade é que ganhar apenas um salário mínimo dirigindo por aplicativo exige uma dedicação de tempo e energia que equivale facilmente a um emprego tradicional de quarenta horas semanais, mas sem nenhum dos benefícios como férias, décimo terceiro ou FGTS que tornam essa alternativa menos atraente do que parece inicialmente.