Quantas corridas por dia um motorista de app precisa fazer para ganhar um salário mínimo?
O valor médio de uma corrida nos principais aplicativos como Uber e 99 varia entre doze e vinte e cinco reais dependendo da distância percorrida e do horár
Você pensa em virar motorista de aplicativo achando que é só ligar o app e sair rodando para ganhar dinheiro fácil e flexível. A realidade nas ruas mostra um cenário completamente diferente, com jornadas exaustivas, custos operacionais que comem boa parte da receita e uma matemática cruel que obriga muitos motoristas a trabalhar doze horas por dia apenas para alcançar o equivalente a um salário mínimo. Entender quantas corridas são necessárias e quanto tempo isso consome revela por que tantos desistem nos primeiros meses dessa profissão que parece promissora mas cobra um preço alto.

Quanto um motorista ganha em média por corrida?
O valor médio de uma corrida nos principais aplicativos como Uber e 99 varia entre doze e vinte e cinco reais dependendo da distância percorrida e do horário. Em horários normais fora do pico, a maioria das corridas urbanas curtas rende entre quinze e dezoito reais brutos antes dos descontos. Os aplicativos ficam com uma comissão de vinte e cinco a trinta por cento de cada corrida, então desses dezoito reais o motorista efetivamente recebe apenas doze a treze reais na carteira digital.
Corridas mais longas para aeroportos ou cidades vizinhas podem render cinquenta a cem reais, mas são raras no dia a dia típico de trabalho urbano. As corridas curtas de cinco a dez minutos que rendem oito a doze reais são as mais comuns e frequentes, especialmente em cidades médias. Nos horários de pico manhã e noite ou durante eventos o valor pode aumentar vinte a cinquenta por cento por causa da tarifa dinâmica, mas esses momentos lucrativos somam apenas três ou quatro horas do dia útil.
Quantas corridas são necessárias por dia então?
Considerando o salário mínimo de mil quinhentos e dezoito reais em 2026 e trabalhando vinte e dois dias úteis por mês, o motorista precisa faturar aproximadamente sessenta e nove reais líquidos por dia. Usando a média de doze reais líquidos por corrida após a comissão do aplicativo, seriam necessárias cerca de seis corridas diárias apenas para atingir esse valor base. Porém essa conta ignora completamente os custos operacionais que transformam a situação em algo muito mais desafiador.
Gasolina consome em média trinta a quarenta por cento da receita bruta considerando carros populares que fazem dez quilômetros por litro e combustível a seis reais. Manutenção preventiva mensal incluindo troca de óleo, pneus, freios e revisões representa outros dez a quinze por cento da receita. Seguro, IPVA, lavagens semanais e eventuais multas adicionam mais dez por cento. No total, os custos operacionais consomem facilmente cinquenta a sessenta por cento do faturamento bruto. Veja a matemática real completa:
- Para ganhar líquido sessenta e nove reais diários depois de todos os custos, o motorista precisa faturar bruto aproximadamente cento e cinquenta a cento e setenta reais por dia, o que significa realizar entre dez e doze corridas diárias de valor médio
- Considerando o tempo médio de vinte a trinta minutos por corrida incluindo espera pelo passageiro, trajeto e deslocamento até a próxima chamada, são necessárias seis a oito horas líquidas rodando para completar essas dez a doze corridas
Quanto tempo real de trabalho isso representa?
As seis a oito horas de corridas efetivas não incluem os períodos mortos esperando chamadas em pontos estratégicos, que podem somar facilmente mais duas a quatro horas dependendo da demanda do dia. Um motorista que quer garantir o salário mínimo mensal precisa ficar online e disponível entre dez e doze horas diárias contando tempo produtivo e improdutivo. Fins de semana e feriados costumam ser mais movimentados mas também têm mais concorrência de motoristas tentando aproveitar a demanda alta.
Muitos motoristas relatam começar às cinco ou seis da manhã para pegar corridas para o aeroporto e trabalho, parar algumas horas no meio do dia quando a demanda cai, e voltar das dezessete às vinte e três horas para o pico noturno. Essa jornada fragmentada dificulta ter vida pessoal ou segundo emprego fixo. O desgaste físico de ficar sentado tantas horas dirigindo em trânsito estressante cobra pedágio na saúde com dores nas costas, problemas de circulação e ansiedade constante.

Existem formas de aumentar a rentabilidade por hora?
Motoristas experientes aprendem os horários e regiões mais lucrativas da cidade, posicionando-se estrategicamente perto de aeroportos, hotéis, centros comerciais e áreas de balada. Trabalhar exclusivamente nos horários de pico com tarifa dinâmica pode render o dobro por hora comparado aos períodos normais, mas exige flexibilidade total de horários. Cadastrar-se em múltiplos aplicativos simultaneamente aumenta as chances de receber chamadas constantes sem períodos mortos longos esperando.
Investir em carros mais econômicos ou elétricos reduz drasticamente os custos com combustível melhorando a margem de lucro. Aprender manutenção básica para fazer trocas simples de óleo e filtros em casa ao invés de pagar oficina economiza centenas de reais mensais. Mesmo com todas essas otimizações, a realidade é que ganhar apenas um salário mínimo dirigindo por aplicativo exige uma dedicação de tempo e energia que equivale facilmente a um emprego tradicional de quarenta horas semanais, mas sem nenhum dos benefícios como férias, décimo terceiro ou FGTS que tornam essa alternativa menos atraente do que parece inicialmente.