Quantas horas de faxina por semana são necessárias para fechar um salário mínimo no mês

O valor da diária varia bastante conforme a região do país e o tipo de serviço prestado

24/01/2026 07:56

O trabalho de diarista é uma das ocupações mais comuns no Brasil, sustentando milhares de famílias que dependem dessa renda para sobreviver. Mas poucos param para calcular exatamente quantas horas de faxina pesada são necessárias para juntar o equivalente a um salário mínimo ao final do mês. Fazer essa conta revela a dureza dessa profissão e ajuda tanto quem contrata quanto quem trabalha a entender melhor o valor real desse serviço essencial.

A maioria das diaristas trabalha entre dois e três dias por semana em casas diferentes para conseguir juntar o mínimo necessário
A maioria das diaristas trabalha entre dois e três dias por semana em casas diferentes para conseguir juntar o mínimo necessárioImagem gerada por inteligência artificial

Quanto cobra uma diarista atualmente em 2026?

O valor da diária varia bastante conforme a região do país e o tipo de serviço prestado. Nas grandes capitais, uma diária de faxina completa gira em torno de 150 a 200 reais por dia trabalhado. Em cidades menores ou regiões do interior, esse valor pode cair para 100 a 130 reais. Considerando uma média nacional de 150 reais por diária, dá para calcular quantos dias são necessários para alcançar o salário mínimo.

O salário mínimo em 2026 está em torno de 1.500 reais, então seriam necessárias 10 diárias de 150 reais cada para fechar esse valor. Como cada diária geralmente envolve entre 6 a 8 horas de trabalho pesado, estamos falando de 60 a 80 horas mensais de faxina intensa. Distribuindo ao longo de quatro semanas, isso representa entre 15 e 20 horas de trabalho por semana apenas para alcançar o piso salarial.

Como se distribui esse trabalho ao longo da semana?

A maioria das diaristas trabalha entre dois e três dias por semana em casas diferentes para conseguir juntar o mínimo necessário. Se trabalhar dois dias por semana com diárias de 150 reais, são 8 dias no mês totalizando 1.200 reais, ainda abaixo do salário mínimo. Para fechar os 1.500 reais, precisaria de pelo menos três casas fixas por semana, totalizando 12 dias mensais de trabalho pesado.

Essa conta não inclui despesas com transporte entre as casas, alimentação durante o dia ou materiais de limpeza quando a diarista precisa levar os próprios produtos. Descontando esses custos que facilmente somam 200 a 300 reais mensais, o valor líquido que sobra fica ainda menor. Muitas profissionais precisam trabalhar quatro ou até cinco dias por semana para garantir renda suficiente após todas as deduções.

A realidade do trabalho de diarista envolve:

  • Entre 15 e 20 horas semanais de faxina pesada para alcançar salário mínimo mensal
  • Necessidade de três casas fixas por semana garantindo regularidade de renda
  • Despesas com transporte e alimentação reduzindo valor líquido recebido significativamente
  • Trabalho físico intenso sem benefícios trabalhistas como férias ou auxílio-doença

Qual o desgaste físico dessas horas de trabalho?

Faxina não é trabalho leve, envolve carregar baldes pesados, esfregar superfícies com força, subir em escadas, ficar agachado limpando cantos baixos e movimentar móveis constantemente. Fazer isso durante 6 a 8 horas seguidas é extremamente desgastante para o corpo. Repetir esse esforço três ou quatro vezes por semana ao longo de anos cobra um preço alto em termos de saúde física.

Problemas na coluna, joelhos, ombros e mãos são extremamente comuns entre diaristas que trabalham há anos na profissão. Muitas desenvolvem dores crônicas que dificultam continuar trabalhando na mesma intensidade, mas não têm alternativa porque precisam da renda. A falta de benefícios trabalhistas significa que qualquer período parada por lesão ou doença resulta em zero de rendimento naquele mês.

A maioria das diaristas trabalha entre dois e três dias por semana em casas diferentes para conseguir juntar o mínimo necessário
A maioria das diaristas trabalha entre dois e três dias por semana em casas diferentes para conseguir juntar o mínimo necessárioImagem gerada por inteligência artificial

Quanto seria o valor justo considerando o esforço?

Se calcularmos o valor por hora de trabalho realmente pesado, uma diária de 150 reais por 7 horas resulta em aproximadamente 21 reais por hora. Comparado com outras profissões que exigem esforço físico similar, esse valor está na faixa justa do mercado. O problema não é necessariamente o valor da diária em si, mas a irregularidade do trabalho e a falta de proteções trabalhistas.

Diaristas fixas com carteira assinada recebem salário garantido todos os meses, férias remuneradas, décimo terceiro e FGTS, tornando a situação muito mais estável. Porém, a maioria trabalha como autônoma enfrentando instabilidade constante onde um mês pode render 2.000 reais e o seguinte apenas 800 dependendo de quantas casas conseguiu fechar. Essa imprevisibilidade torna planejamento financeiro praticamente impossível.

Comparações importantes incluem:

  • Valor hora de aproximadamente 21 reais considerado justo para trabalho físico pesado
  • Irregularidade mensal criando variação entre 800 e 2.000 reais conforme demanda
  • Diaristas com carteira assinada têm estabilidade mas representam minoria do mercado
  • Falta de benefícios trabalhistas deixa profissionais vulneráveis a imprevistos financeiros

Como valorizar melhor esse trabalho essencial?

Quem contrata diaristas pode fazer diferença pagando valores justos, oferecendo regularidade através de contratos fixos semanais e respeitando horários combinados sem exigir trabalho extra não remunerado. Pequenas gentilezas como oferecer almoço, fornecer todos os materiais de limpeza e pagar sempre em dia fazem enorme diferença na vida dessas profissionais.

Para as próprias diaristas, buscar formalização através de contratos fixos ou MEI traz proteções importantes e facilita acesso a crédito e benefícios sociais. Investir em cursos de especialização como limpeza pós-obra ou organização profissional permite cobrar valores maiores por serviços diferenciados. Formar cooperativas com outras profissionais também fortalece negociação e garante mais estabilidade para todas.

O que esses números revelam sobre valorização do trabalho?

Precisar trabalhar 60 a 80 horas mensais em atividade física desgastante apenas para alcançar o salário mínimo mostra como esse trabalho essencial continua subvalorizado na sociedade. Essas são as pessoas que mantêm casas funcionando, permitem que outros trabalhem fora sabendo que a limpeza está sendo feita, mas raramente recebem o reconhecimento e a estabilidade que merecem.

Entender a matemática por trás dessa profissão ajuda a desenvolver mais empatia e respeito por quem dedica seu corpo e seu tempo para esse serviço. Valorizar diaristas não é só questão de pagar bem, mas também de oferecer condições dignas, regularidade e reconhecimento pelo trabalho fundamental que desempenham todos os dias.