Quantos pães franceses você compra hoje com o mesmo dinheiro de um ano atrás?
No início de 2025, o preço médio do pão francês nas padarias brasileiras estava em torno de setenta centavos a unidade nas capitais do Sudeste
Você entra na padaria com uma nota de dez reais e sente que o saco de pães está cada vez mais vazio quando volta para casa. O pãozinho francês virou termômetro perfeito para medir a inflação porque todo brasileiro compra esse item quase diariamente e percebe na pele quando o preço sobe. Comparar quantas unidades você consegue levar hoje com a mesma quantia de um ano atrás revela de forma dolorosamente clara como o poder de compra está derretendo mês após mês.

Quanto custava o pão francês em 2025?
No início de 2025, o preço médio do pão francês nas padarias brasileiras estava em torno de setenta centavos a unidade nas capitais do Sudeste. Em cidades menores e regiões com custo de vida mais baixo, era possível encontrar por cinquenta a sessenta centavos. Com uma nota de dez reais, você levava confortavelmente quatorze pães nas grandes cidades ou até vinte unidades em localidades mais baratas, quantidade suficiente para alimentar uma família por vários dias.
A diferença regional sempre existiu por causa das variações no preço da farinha de trigo, da energia elétrica e da mão de obra em cada estado. Padarias de bairro cobravam menos que estabelecimentos em shoppings ou áreas nobres onde o custo do aluguel comercial é estratosférico. Mesmo com essas variações, o brasileiro médio conseguia planejar o café da manhã sabendo exatamente quantos pães cabiam no orçamento semanal sem grandes surpresas desagradáveis.
Qual é o preço atual em 2026?
Em janeiro de 2026, o mesmo pãozinho francês está custando entre um real e vinte centavos a um real e cinquenta centavos nas principais capitais brasileiras. O aumento de aproximadamente setenta por cento em apenas doze meses reflete o impacto combinado da alta do trigo importado, do encarecimento da energia elétrica e do reajuste no salário dos padeiros. Agora com os mesmos dez reais você leva apenas sete ou oito pães, menos da metade do que conseguia no ano anterior.
Essa redução brutal significa que uma família que consumia dois pães por pessoa no café da manhã precisa cortar pela metade ou gastar quase o dobro para manter o padrão alimentar. Padarias de bairro que resistiam com preços mais acessíveis foram forçadas a reajustar porque o custo dos insumos subiu para todos igualmente. O pão francês deixou de ser aquele item barato e acessível que sempre salvava o café da manhã e virou produto que exige planejamento no orçamento mensal. Veja outros impactos dessa inflação:
- O trabalhador que ganhava um salário mínimo de mil e quatrocentos e doze reais em 2025 conseguia comprar dois mil e vinte pães por mês, mas com o salário de mil quinhentos e dezoito reais em 2026 leva apenas mil e doze pães, uma perda real de cinquenta por cento no poder de compra
- A substituição do pão francês por biscoitos industrializados mais baratos nas mesas brasileiras revela como a inflação muda hábitos alimentares tradicionais e força adaptações que nem sempre são mais saudáveis nutricionalmente

O que causou um aumento tão agressivo?
O Brasil importa cerca de metade do trigo que consome, principalmente da Argentina e dos Estados Unidos, e a desvalorização do real frente ao dólar encareceu drasticamente essa matéria-prima essencial. O preço internacional do trigo também subiu por causa de problemas climáticos nas principais regiões produtoras e das tensões geopolíticas que afetam o comércio global de grãos. Quando a farinha de trigo sobe, o pão acompanha imediatamente porque representa sessenta por cento do custo de produção.
A conta de luz das padarias aumentou com os sucessivos reajustes tarifários e as bandeiras vermelhas que viraram regra ao invés de exceção durante 2025. Os fornos comerciais consomem energia elétrica em quantidade industrial, funcionando das quatro da manhã até a noite sem parar. O gás usado em alguns estabelecimentos também ficou mais caro, empurrando os custos operacionais para cima e forçando os donos a repassarem tudo para o preço final do produto.
Como se proteger dessa inflação no dia a dia?
Uma estratégia eficaz é comprar pão congelado em atacados ou fazer o próprio pão em casa usando farinha comprada em sacos maiores que custam menos por quilo. Máquinas de fazer pão automatizadas custam entre trezentos e quinhentos reais mas se pagam em quatro ou cinco meses para famílias que consomem muito. Aprender receitas simples de pão caseiro no forno convencional também funciona e tem a vantagem de controlar os ingredientes evitando conservantes industriais.
Aproveitar promoções de final de tarde quando as padarias vendem o excedente do dia com desconto de trinta a cinquenta por cento é outra opção inteligente. Congelar esses pães em porções diárias e descongelar conforme necessário mantém a qualidade aceitável e reduz significativamente o gasto mensal. Diversificar o café da manhã incluindo tapioca, cuscuz, aveia e outras opções mais baratas diminui a dependência do pão francês e protege o orçamento das oscilações de preço desse produto específico que virou símbolo doloroso da inflação brasileira.