Uma mente brilhante: ela é de Santa Fé, tem 19 anos, fala 5 idiomas e criou um aplicativo para aprender inglês

A trajetória de Angie com o inglês começou da forma mais comum possível

18/02/2026 17:58

Angie Gastón tem 19 anos, mora em Funes, na região metropolitana de Rosário, em Santa Fé, na Argentina, e fala cinco idiomas. Mas o que mais chama atenção na história dela não é o número de línguas que domina, e sim o caminho que percorreu até chegar lá e o que decidiu fazer com tudo isso. Depois de anos se frustrando com o método tradicional de ensino de inglês, ela criou sua própria academia online, e em menos de um ano já tinha passado mais de 260 alunos de vários países da América Latina pelo projeto. A história dela é daquelas que fazem pensar que talvez o problema nunca tenha sido você, mas o método.

Foi aos 13 anos que Angie resolveu testar um caminho diferente – Fonte: (Instagram/polygloteen)
Foi aos 13 anos que Angie resolveu testar um caminho diferente – Fonte: (Instagram/polygloteen)Imagem gerada por inteligência artificial

Como uma adolescente de 13 anos decidiu virar o jogo no aprendizado de idiomas?

A trajetória de Angie com o inglês começou da forma mais comum possível: escola pública, instituto privado, gramática, exercícios de leitura e provas para passar de nível. O resultado, pelo menos no papel, parecia bom. Ela acumulava vocabulário, entendia as estruturas e tirava notas razoáveis. Mas quando chegava o momento de abrir a boca e falar de verdade, algo travava. “Tinha muito vocabulário e entendia as estruturas, mas quando tinha que falar não conseguia. A vergonha, o nervosismo e o bloqueio me paralisavam”, conta ela.

Foi aos 13 anos que Angie resolveu testar um caminho diferente. Em vez de continuar no instituto tradicional, começou a estudar online com professores nativos. Essa mudança transformou completamente sua relação com o idioma. O contato direto com quem cresceu falando a língua, a prática constante de conversação e a exposição a um inglês real, e não apenas ao inglês dos livros didáticos, foram o que ela precisava para ganhar confiança de verdade. Com o tempo, esse mesmo processo se repetiu com mais quatro idiomas: francês, alemão, português e italiano.

O que aconteceu quando ela colocou o idioma à prova na vida real?

Em dois momentos diferentes, Angie teve a chance de testar na prática o que havia aprendido. Primeiro em uma viagem de estudos a Nova York e, depois, em Miami. Em ambas as situações, ela descreve a experiência da mesma forma: passou completamente despercebida entre os americanos, sem barreiras, sem inseguranças, sem aquela sensação de estar traduzindo na cabeça antes de falar. Para quem já se sentiu paralisado tentando montar uma frase em outro idioma, sabe exatamente o peso que esse tipo de conquista tem.

Essas experiências reforçaram uma convicção que ela já vinha desenvolvendo: o método faz toda a diferença. Não é falta de inteligência nem de esforço que impede as pessoas de falarem um idioma com fluência. Na maioria das vezes, é simplesmente a forma como o aprendizado foi estruturado desde o início, focando em regras e testes em vez de em conversação real e confiança para se expressar.

Foi aos 13 anos que Angie resolveu testar um caminho diferente – Fonte: (Instagram/polygloteen)
Foi aos 13 anos que Angie resolveu testar um caminho diferente – Fonte: (Instagram/polygloteen)Imagem gerada por inteligência artificial

Como surgiu a Polygloteen e o que a diferencia de outros cursos de inglês?

A virada para o empreendedorismo aconteceu de forma bastante natural. No quinto ano do ensino médio, Angie começou a compartilhar nas redes sociais seus processos de estudo, técnicas que usava e reflexões sobre aprendizado de idiomas. A resposta foi imediata: seguidores pedindo dicas, querendo saber o método que ela usava e perguntando se ela dava aulas. Hoje ela tem mais de 273 mil seguidores no Instagram, e foi justamente esse engajamento orgânico que deu o empurrão para formalizar o projeto.

Em 2024, Angie fundou a Polygloteen junto com sua mãe, Carolina Marconi, e alguns pontos do modelo da academia chamam atenção pela inteligência das escolhas que fizeram:

  • Professores nativos no lugar da fundadora em sala: Angie tomou a decisão de não ser a professora principal. Em vez disso, ela cuida do conceito acadêmico e selecionou três professores nativos que compartilham da mesma visão sobre o método, priorizando a fluência oral em vez da gramática decorada.
  • Aulas ao vivo, individuais e personalizadas: cada aluno tem um acompanhamento próximo, sem turmas grandes onde é fácil se perder. Antes de cada encontro, o aluno já sabe os tópicos do dia e pode se preparar com antecedência, o que reduz a ansiedade e o famoso bloqueio na hora de falar.
  • Cursos trimestrais com foco em destravar a fala: os programas duram três meses e custam 170 dólares por mês. Segundo Angie, esse é o tempo que a maioria dos alunos precisa para sair do bloqueio e começar a falar com fluência real.
  • Alunos de toda a América Latina: Argentina, Colômbia, Venezuela, México e outros países da região já enviaram alunos para a academia, mostrando que o problema com o método tradicional de ensino de inglês não é exclusividade de nenhum país específico.

Confira o vídeo da Angie em seu instagram ensinando inglês:

Como Angie equilibra a academia com o próprio aprendizado contínuo?

Um dos detalhes mais interessantes da história de Angie é que, mesmo sendo a criadora de uma academia de idiomas, ela não parou de estudar. O alemão, que ela mesma define como “extremamente difícil”, segue na sua lista de aprendizados ativos. Além disso, ela se capacita em diferentes métodos de ensino para aplicar melhorias na estrutura dos cursos da Polygloteen e trabalha com uma mentora que a orienta no desenvolvimento do negócio como um todo.

Esse movimento de aprender enquanto ensina não é detalhe. É justamente o que mantém o projeto vivo e em evolução, porque Angie continua sendo, ao mesmo tempo, uma estudante que entende as dificuldades dos alunos e uma empreendedora que sabe que um negócio educacional precisa estar sempre se atualizando para continuar entregando resultados reais.

O que a história de Angie diz sobre a nova geração de empreendedores digitais?

A trajetória de Angie Gastón é um retrato de algo que está ficando cada vez mais comum na economia digital: jovens que transformam uma experiência pessoal de frustração em solução para outras pessoas, constroem comunidades antes de construir estruturas tradicionais de negócio e usam as redes sociais não apenas para mostrar resultado, mas para criar conexão genuína com quem enfrenta os mesmos problemas que eles já enfrentaram.

Aos 19 anos, saindo de uma cidade no interior da Argentina, Angie conseguiu criar um projeto que já impactou centenas de alunos em vários países e que cresce apoiado em algo difícil de copiar: uma história real, um método que ela mesma testou na própria vida e uma comunidade que confia nela porque viu a transformação acontecer antes de qualquer curso existir. A Polygloteen não é só uma academia de inglês. É a prova de que às vezes o melhor produto para oferecer ao mundo é exatamente aquilo que você mais precisou e não encontrou em nenhum lugar.