Universidade de Ohio entra em choque com os vírus de 41 mil anos que mudaram o próprio código genético para não morrerem congelados

Pesquisa internacional revela adaptações genéticas de vírus milenares encontrados em camadas de gelo no Planalto Tibetano

21/02/2026 06:56

A descoberta de microrganismos preservados em camadas profundas de gelo revela segredos fascinantes sobre a resiliência da vida e as transformações climáticas da Terra. Ao analisar amostras colhidas em regiões remotas, pesquisadores encontraram evidências de que certas linhagens virais foram capazes de alterar seu código biológico para resistir ao congelamento por milênios. Este estudo pioneiro demonstra como o passado do nosso planeta possui chaves fundamentais para compreendermos as adaptações genéticas e os possíveis riscos de degelos futuros.

Situada em uma das áreas mais elevadas e isoladas do mundo, a Geleira Guliya funciona como um arquivo natural que armazena informações preciosas sobre a atmosfera terrestre ao longo de milênios
Situada em uma das áreas mais elevadas e isoladas do mundo, a Geleira Guliya funciona como um arquivo natural que armazena informações preciosas sobre a atmosfera terrestre ao longo de milêniosImagem gerada por inteligência artificial

Como os vírus antigos conseguiram se adaptar ao frio extremo?

De acordo com a Universidade de Ohio o processo de adaptação genética observado nestes exemplares milenares mostra que a natureza possui mecanismos de defesa extremamente sofisticados para garantir a perpetuidade das espécies. A análise detalhada indicou que esses vírus não apenas ficaram latentes, mas realizaram ajustes precisos em seus códigos para evitar a degradação celular durante as flutuações térmicas severas do Planalto Tibetano.

A compreensão dessas modificações moleculares ajuda a traçar um paralelo entre as eras glaciais passadas e o comportamento de patógenos que podem emergir com o aquecimento global atual. Os especialistas identificaram alguns pontos cruciais que permitiram essa sobrevivência prolongada e os dados apontam para características biológicas específicas que foram essenciais para este processo de preservação:

  • Alterações estruturais em proteínas de membrana celular.
  • Mecanismos de replicação otimizados para baixas temperaturas.
  • Capacidade de integração estável em genomas de diversos hospedeiros.

Qual é o papel da Geleira Guliya nas pesquisas paleoclimáticas?

Situada em uma das áreas mais elevadas e isoladas do mundo, a Geleira Guliya funciona como um arquivo natural que armazena informações preciosas sobre a atmosfera terrestre ao longo de milênios. Cada camada de gelo compactada representa um período distinto da história, permitindo que a equipe liderada por ZhiPing Zhong recupere amostras biológicas que estavam isoladas do contato humano por gerações.

O estudo dessas amostras permite que os cientistas reconstruam as variações de temperatura e a composição química do ar de épocas remotas com uma precisão impressionante. Esse trabalho meticuloso de perfuração e extração fornece as bases necessárias para que modelos climáticos atuais sejam validados e aprimorados para previsões futuras sobre o equilíbrio do ecossistema global frente às mudanças drásticas.

Como o Byrd Polar and Climate Research Center contribuiu para o estudo?

O suporte tecnológico e a expertise laboratorial do Byrd Polar and Climate Research Center foram fundamentais para garantir a integridade das amostras sem risco de contaminação por microrganismos modernos. Utilizando técnicas avançadas de sequenciamento genético, os especialistas conseguiram isolar fragmentos de DNA viral que datam de diferentes ciclos climáticos, estabelecendo uma linha do tempo evolutiva bastante clara.

A pesquisa revelou que a interação entre o clima e a biologia é muito mais profunda do que se imaginava anteriormente, influenciando diretamente a diversidade genética local. A integração desses dados complexos em uma base de conhecimento sólida permitiu a identificação de padrões únicos que definem o sucesso das descobertas mais recentes feitas pelos pesquisadores envolvidos no projeto:

  • Identificação de dezenas de novas espécies de vírus antigos.
  • Mapeamento de relações evolutivas entre linhagens antigas e modernas.
  • Análise do impacto das radiações solares na preservação do material genético.

Quais foram as principais descobertas publicadas na Nature Geoscience?

A prestigiada revista Nature Geoscience detalhou como as mudanças nos padrões de vento e precipitação no Tibet influenciaram a deposição de microrganismos na superfície glacial. Os dados sugerem que as variações climáticas naturais forçaram uma seleção natural rigorosa, onde apenas os vírus com as mutações certas conseguiram persistir através das eras, oferecendo um vislumbre raro da história biológica.

A pesquisa em geleiras profundas não é apenas sobre gelo; é sobre acessar uma biblioteca biológica milenar que redefine nossa compreensão sobre a resiliência da vida e os ciclos climáticos do planeta.
A pesquisa em geleiras profundas não é apenas sobre gelo; é sobre acessar uma biblioteca biológica milenar que redefine nossa compreensão sobre a resiliência da vida e os ciclos climáticos do planeta.Imagem gerada por inteligência artificial

Essas conclusões reforçam a necessidade de monitorar de perto o degelo das calotas polares e das geleiras de montanha, pois o reaparecimento desses agentes pode trazer surpresas biológicas inesperadas. O conhecimento atual foca em entender como esses seres despertariam em um ambiente moderno e qual seria a capacidade de interação deles com as formas de vida contemporâneas que habitam as regiões afetadas.