Você deve deixar o ar condicionado ligado para seus animais de estimação?

Cães demonstram desconforto térmico de forma bem visível através do ofegar excessivo

06/02/2026 16:26

Sair de casa em dia de calor extremo e deixar seu bichinho sozinho pode ser motivo de culpa e preocupação. A dúvida se você deve manter o ar condicionado ligado o dia todo para conforto do pet gera debates acalorados entre tutores, além de aumentar consideravelmente a conta de energia no final do mês. Mas será que é realmente necessário, ou existem alternativas mais econômicas e igualmente eficazes?

Quando o termômetro ultrapassa 25 graus Celsius, já é momento de ficar atento aos sinais de desconforto do seu pet
Quando o termômetro ultrapassa 25 graus Celsius, já é momento de ficar atento aos sinais de desconforto do seu petImagem gerada por inteligência artificial

Como saber se meu pet está sofrendo com o calor?

Cães demonstram desconforto térmico de forma bem visível através do ofegar excessivo. Quando a respiração fica acelerada e a língua pendurada parece não parar nunca, é sinal claro de que o animal está tentando se resfriar. Além disso, procurar cantinhos frescos da casa constantemente, letargia extrema e aparência de desconforto indicam que a temperatura está alta demais.

Gatos são mais discretos e habilidosos em encontrar locais frescos naturalmente. Porém, quando um gato começa a ofegar, a situação é séria e exige atenção imediata. Diferente dos cachorros onde ofegar é normal, nos felinos esse comportamento sempre indica superaquecimento perigoso que pode evoluir rapidamente para problemas graves de saúde.

Quais raças sofrem mais com temperaturas altas?

Raças de focinho achatado como pugs, buldogues franceses, buldogues ingleses e boxers estão no topo da lista de risco. A conformação facial desses cães impede que ofeguem eficientemente, tornando muito mais difícil regular a temperatura corporal. Eles literalmente não conseguem se resfriar adequadamente através da respiração, o principal mecanismo de resfriamento canino.

Grupos de risco que precisam de atenção especial no calor:

  • Cães com pelagem extremamente densa como malamutes do Alasca, samoiedas e akitas que retêm calor excessivamente
  • Animais idosos com metabolismo mais lento e menor capacidade de termorregulação eficiente
  • Pets com problemas cardíacos, respiratórios ou outras condições de saúde preexistentes que comprometem a adaptação
  • Filhotes muito jovens que ainda não desenvolveram completamente os mecanismos de controle de temperatura corporal

A partir de qual temperatura devo me preocupar?

Quando o termômetro ultrapassa 25 graus Celsius, já é momento de ficar atento aos sinais de desconforto do seu pet. Acima de 30 graus a situação se torna crítica e o animal precisa definitivamente ter acesso a ambientes climatizados ou alternativas eficientes de resfriamento. Essas temperaturas são especialmente perigosas para as raças de risco mencionadas anteriormente.

O grande problema é que muitas casas ultrapassam facilmente os 35 graus internos durante ondas de calor, transformando o ambiente em verdadeira sauna para os bichos. Nesses casos extremos, manter o ar condicionado ligado pode ser questão de sobrevivência, não apenas de conforto. A insolação em pets evolui rapidamente e pode ser fatal em questão de horas.

Existem alternativas ao ar condicionado o dia todo?

Se deixar o ar ligado oito horas seguidas pesa demais no bolso, algumas estratégias ajudam bastante. Ventiladores de teto ou de chão criam circulação de ar que já alivia consideravelmente, embora não baixem a temperatura ambiente. Fechar cortinas e persianas nas janelas que batem sol direto impede que a casa vire forno durante o dia.

Soluções práticas que funcionam sem gastar rios de dinheiro:

  • Disponibilize vários potes de água fresca espalhados pela casa, trocando pelo menos duas vezes ao dia
  • Coloque tapetes gelados próprios para pets ou toalhas molhadas em locais sombreados onde eles costumam descansar
  • Crie áreas de sombra densas no quintal usando lonas ou toldos se o animal fica em área externa
  • Ofereça petiscos congelados como cubos de gelo de caldo de carne ou frutas permitidas congeladas
Quando o termômetro ultrapassa 25 graus Celsius, já é momento de ficar atento aos sinais de desconforto do seu pet
Quando o termômetro ultrapassa 25 graus Celsius, já é momento de ficar atento aos sinais de desconforto do seu petImagem gerada por inteligência artificial

Como usar o ar condicionado de forma inteligente?

Programar o aparelho para ligar apenas nas horas mais quentes do dia, geralmente entre 11h e 16h, reduz bastante o consumo mantendo proteção nos momentos críticos. Temperatura configurada em 24 ou 25 graus é suficiente para conforto do pet, não precisa gelar o ambiente a 18 graus. Quanto menor a temperatura, maior o gasto e maior o choque térmico quando você chega e abre portas.

Deixar uma área específica climatizada ao invés da casa toda também economiza energia. Escolha o cômodo onde o pet costuma ficar mais tempo, feche as portas dos outros ambientes e climatize apenas esse espaço. Aparelhos com função timer ou controlados por aplicativo permitem ligar remotamente quando você verifica que a temperatura externa disparou inesperadamente.

Quando o ar condicionado se torna realmente necessário?

Para pets de alto risco como braquicefálicos, idosos ou com problemas de saúde, o ar condicionado deixa de ser luxo e vira necessidade médica em dias muito quentes. Esses animais simplesmente não conseguem sobreviver confortavelmente em ambientes acima de 28 ou 30 graus, independente de outras medidas paliativas que você tome.

Se você mora em região onde o verão é brutal com temperaturas frequentemente acima de 35 graus, investir em ar condicionado eficiente pode ser inevitável. O custo mensal de energia precisa entrar no planejamento financeiro de quem decide ter um pet, especialmente raças sabidamente sensíveis ao calor. Não dá para economizar na saúde do animal que depende completamente das suas decisões para sobreviver dignamente.