Você teria coragem de dormir com o ventilador ligado na Coreia do Sul? O que parece um alívio para o calor brasileiro é visto como um ‘assassino silencioso’ do outro lado do mundo
Saiba como usar o ventilador com segurança, evitando alergias e ressecamento, e entenda a curiosa história do fan death coreano
Em boa parte do mundo, o ventilador é visto apenas como aliado nos dias quentes. Na Coreia do Sul, porém, o aparelho ganhou outro papel no imaginário coletivo: o de possível causador de morte durante o sono. O chamado mito do ventilador assassino, conhecido internacionalmente como fan death, ainda chama atenção de visitantes que escutam relatos de que dormir com o ventilador ligado em um quarto fechado poderia ser perigoso.

O que é o mito do ventilador assassino na Coreia do Sul?
O chamado mito do ventilador assassino é a crença de que um ventilador ligado em um ambiente totalmente fechado, especialmente durante o sono, poderia levar à morte. As justificativas populares costumam envolver possível asfixia, queda brusca de temperatura corporal ou a ideia de que o aparelho “sugaria” o oxigênio do quarto.
Do ponto de vista técnico, o ventilador não consome oxigênio nem produz gás tóxico, apenas movimenta o ar que já está no ambiente. Apesar disso, a associação entre o equipamento e riscos fatais se consolidou ao longo de décadas, aparecendo em relatos de familiares, reportagens locais e até notas oficiais sobre mortes durante o sono.
Como o mito do ventilador ganhou força na Coreia do Sul?
A força do ventilador assassino costuma ser atribuída a fatores históricos, culturais e midiáticos combinados. Nas décadas de 1970 e 1980, o país vivia rápida urbanização, aumento de aparelhos elétricos nos lares e preocupação com consumo de energia, segurança doméstica e saúde pública.
Em um contexto de forte respeito à autoridade e aos mais velhos, alertas de pais e avós sobre o perigo de dormir com o ventilador ligado ganharam peso de orientação de segurança. Manchetes que relacionavam mortes ao ventilador, somadas a avisos em rótulos, ajudaram a transformar o aparelho em motivo de cautela cotidiana.

Quais são os riscos reais de dormir com o ventilador ligado?
A dúvida central é se o ventilador realmente pode matar alguém enquanto dorme em um quarto fechado. Para especialistas em física e medicina, em condições normais de uso, o aparelho não reduz o oxigênio, não gera substâncias tóxicas e tende apenas a tornar a sensação térmica mais confortável ao movimentar o ar.
Ainda assim, o uso prolongado pode causar incômodos em pessoas mais sensíveis. Entre os principais efeitos citados por profissionais de saúde estão:
- Ressecamento das vias respiratórias: vento direto por muitas horas pode irritar olhos, garganta e nariz.
- Agravo de alergias: o ventilador pode levantar poeira e ácaros acumulados no ambiente.
- Sensação de frio excessivo: em noites frias, a exposição contínua ao vento direto pode causar desconforto, sobretudo em crianças, idosos e pessoas debilitadas.
Esses efeitos, porém, diferem da ideia de morte súbita causada unicamente pelo aparelho. O risco maior costuma estar ligado a condições pré-existentes de saúde, ambientes muito frios ou falta de higiene e limpeza do local onde o ventilador é usado.
Como o mito do ventilador influencia hábitos e tecnologia hoje?
Uma curiosidade frequente é a presença quase padrão de temporizadores nos ventiladores vendidos na Coreia do Sul. Muitos modelos saem de fábrica com desligamento automático, recurso que agrada tanto quem quer economizar energia quanto quem ainda sente receio de deixar o aparelho ligado a noite toda.
Com o acesso a informações digitais, parte dos jovens trata o fan death como curiosidade cultural, enquanto outros mantêm hábitos como deixar janelas entreabertas ou evitar vento direto no rosto. No dia a dia, o mito acabou servindo também como lembrete prático: manter o ambiente arejado, limpar o ventilador com regularidade e ajustar o tempo de uso ajudam a equilibrar conforto térmico e bem-estar durante o sono.