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Escola de hortas urbanas acolhe pessoas em situação de rua

As aulas acontecem em uma área de 3.018 m² no centro de exposições e convenções São Paulo Expo, na rodovia dos Imigrantes

Por: Redação

Uma iniciativa em São Paulo passa a dar acolhimento a pessoas em situação de rua ao, de certa forma, colocá-las no “colo da mãe natureza”: algumas delas agora são alunos de uma escola de hortas urbanas no centro de exposições e convenções São Paulo Expo, que fica na rodovia dos Imigrantes.

A Horta Escola Lucy Montoro ocupa uma área de 3.018 m² e foi inaugurada oficialmente em 5 de setembro. Ali, hoje, entre 15 e 20 pessoas, com idades entre 20 e 50 anos e selecionadas em Centros Temporários de Acolhimento (CRAs) da prefeitura, botam a mão na terra em aulas de agricultura orgânica.

A escola de hortas urbanas acolhe pessoas em situação de rua em São Paulo
Crédito: DivulgaçãoA escola de hortas urbanas acolhe pessoas em situação de rua em São Paulo

“Queremos chegar a 40 alunos, divididos em duas turmas de 20”, afirma Rodrigo Leite, diretor da Arcah (Associação de Resgate à Cidadania por Amor à Humanidade), uma das realizadoras do projeto, em parceria com a Prefeitura Municipal de São Paulo, a GL Events – que faz a gestão do São Paulo Expo –, a Fundação Banco do Brasil e o Banco Itaú, entre outras empresas apoiadoras.

Cada turma, a princípio, deve ter aulas – além da agricultura orgânica, são ensinados empreendedorismo e educação financeira – durante três meses. “Mas o projeto é vivo e adaptável ao que percebemos no dia a dia, então poderão ser dois ou quatro meses se entendermos que assim seja melhor”, diz Leite.

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A escola de hortas urbanas deve contar com 40 alunos, em duas turmas de 20
Crédito: DivulgaçãoA escola de hortas urbanas deve contar com 40 alunos, em duas turmas de 20

Os ensinamentos são ministrados por engenheiros agrônomos contratados. “Tudo é construído em conjunto com os próprios alunos”, explica o diretor da Arcah. “Eles fazem desde a preparação do solo, com o uso de compostagem, até o cultivo das espécies, em sua maioria hortaliças como alface, brócolis e rúcula.”

A inclusão dos aprendizes pode se estender para outras etapas do processo, como a própria venda dos produtos. “Se quiserem, eles poderão se juntar em cooperativas para comercializar as culturas com estabelecimentos da região ou com o Pão de Açúcar, que já sinalizou o interesse em comprar os itens”, diz. Há ainda a possibilidade de os alunos serem contratados para ajudar no projeto.

A entrada da grande rede de supermercados em uma das pontas da cadeia já rende um exame criterioso da qualidade dos alimentos produzidos. “A empresa tem regras muito rigorosas de compliance”, afirma Leite. “Avalia, por exemplo, a origem das sementes, que não são tratadas com agrotóxicos, e o manuseio, e isso funciona como um certificado de confiabilidade para os produtos.”

Parte da produção deve ser comprada pelo Pão de Açúcar
Crédito: DivulgaçãoParte da produção deve ser comprada pelo Pão de Açúcar

O material orgânico para compostagem é fornecido pelo restaurante do São Paulo Expo, que compra ainda parte da produção da escola de hortas urbanas. “Também recebemos da Eletropaulo resíduos de podas de árvores”, diz Leite.

Os primeiros alunos da Horta Escola Lucy Montoro provêm de centros de acolhimento de Santo Amaro e da Armênia, mas o objetivo é receber pessoas do Jabaquara, da Vila Mariana e do Ipiranga, regiões próximas ao centro de convenções. A ideia é que o projeto também interaja e troque conhecimentos com escolas municipais e lideranças de comunidades locais.

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Curadoria: engenheiro Bernardo Gradin, presidente da GranBio e especialista em soluções sustentáveis.