Projeto de preservação de corais convoca ajuda de quem mergulha

Projeto convoca mergulhadores e turistas para ficar de olho nesses seres vivos que embelezam nosso litoral, mas perdem a cor com o aquecimento global

Por: Redação |

“Pedra não é gente ainda”, diz uma letra de Pepeu Gomes. Corais, por sua vez, não são gente, tampouco pedra: são seres vivos. Mais exatamente, celenterados. E que sofrem com o aquecimento global.

Por isso, precisam ser constantemente observados. Assim, um projeto conta com a ajuda voluntária de mergulhadores na luta pela preservação de corais na costa brasileira.

Eles se espalham desde o Maranhão até Santa Catarina. Imagine, então, a quantidade necessária de olhos atentos para monitorá-los.

Essa era uma das grandes dificuldades enfrentadas pelo biólogo Guilherme Longo, de 33 anos, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Foi com os próprios olhos que ele viu, durante seu pós-doutorado nos EUA, corais do Pacífico que branquearam por uma variação de 2°C na temperatura oceânica – o chamado fenômeno El Niño.

A preservação de corais também depende da boa vontade dos mergulhadores
Crédito: Reprodução/Facebook/@DeOlhoNosCoraisA preservação de corais também depende da boa vontade dos mergulhadores

Acha pouco? “Pois experimente ficar com uma febre de 38,5°C durante dois meses inteiros”, compara Longo. Afinal, não se esqueça: os corais são seres vivos.

Corais estressados

Seu branqueamento se dá por conta de um tipo de estresse: o coral expulsa as microalgas que nele se alojam e que são responsáveis pela coloração que adquirem.

Com isso, não perdem apenas a cor, mas também uma fonte importante de nutrientes que provêm da fotossíntese realizada pelas algas. Dessa forma, ficam mais suscetíveis a doenças e podem até morrer.

Essa iniciativa de preservação de corais partiu de um biólogo do Rio Grande do Norte
Crédito: Reprodução/Facebook/@DeOlhoNosCoraisEssa iniciativa de preservação de corais partiu de um biólogo do Rio Grande do Norte

É o branqueamento dos corais na costa brasileira que Longo estuda. Mas seu grupo de pesquisas não dá conta sozinho de percorrer todo o litoral do Brasil.

Hashtag #DeOlhoNosCorais

Então, ele criou o projeto De Olho Nos Corais. Qualquer mergulhador do país pode fotografá-los e compartilhar essas imagens com a equipe do biólogo da UFRN.

Para tanto, basta o colaborador usar a hashtag #DeOlhoNosCorais ao publicar a imagem em sua própria rede social – geralmente Instagram ou Facebook.

“Queremos ainda criar uma plataforma específica para o projeto”, afirma Longo, que diz já ter em mãos cerca de 300 fotos feitas por mergulhadores de todo o país.

“Elas já representam 13 espécies de coral em 10 Estados diferentes, somando 40% de toda a diversidade existente em nossa costa”, calcula. “Em mais seis meses, creio que conseguiremos atingir os 100%.”

É preciso ficar de olho na preservação de corais
Crédito: Reprodução/Facebook/@DeOlhoNosCoraisÉ preciso ficar de olho na preservação de corais

Ampliar essa iniciativa de preservação de corais será possível graças a um aporte de capital, que chega a R$ 100 mil, do Instituto Serrapilheira.

A instituição privada, sem fins lucrativos, de apoio à pesquisa e à divulgação científica no Brasil selecionou 14 projetos inovadores para financiar, entre 50 que lhe foram enviados. Entre os escolhidos, está o De Olho Nos Corais.

Longo ainda coordena uma espécie de mergulho monitorado de turistas, em três pontos do país – Fernando de Noronha, Arquipélago de Abrolhos (BA) e litoral do Rio Grande do Norte.

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Esses voluntários recebem um rápido treinamento e aprendem a preencher uma planilha com dados científicos colhidos durante o mergulho.

“Os turistas têm um olhar mais apurado para o que chamamos de megafauna – tubarões, arraias, tartarugas – do que os próprios cientistas”, afirma Longo.

Nesse trabalho monitorado, outras espécies além dos corais também são estudadas, caso dos animais citados.

Lembrete submarino

Como se trata de turistas em férias, o biólogo ainda bolou um jeitinho de, uma vez embaixo da água, eles não se esquecerem de sua missão científica.

“Coloquei plaquinhas no fundo do mar, em Fernando de Noronha, para lembrar os distraídos”, conta. Afinal, coral não é pedra. E precisa de cuidados.

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Curadoria: engenheiro Bernardo Gradin, presidente da GranBio e especialista em soluções sustentáveis

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