Luto, empatia e depressão não são emoções exclusivas dos humanos

O fato de os animais nem sempre expressarem nitidamente sentimentos não significa que eles não os experimentem nem que sua dor seja menor do que a nossa

Por: Redação

Parece óbvio, mas volta e meia a ciência precisa provar: os animais sentem, sim, dor, medo, depressão, angústia e outras emoções tão complexas quanto as nossas.

Essa capacidade de sentir e ser afetado positiva ou negativamente por experiências recebe o nome de senciência. O estado consciente do mundo e de si mesmo já foi provado por milhares de estudos científicos que mostraram que a maioria das espécies animais não é tão diferente assim dos humanos.

cachorro com olhar triste
Crédito: Fotocelia/istockA dor dos animais não pode ser negligenciada

Que eles têm emoções semelhantes às nossas, vemos todos os dias. Quem nunca soube ou conhece cachorros que vivem a ansiedade da separação quando a família vai viajar? Ou demonstram aflição ao aguardar o tutor por poucos minutos do lado de fora da padaria?

A mesma coisa acontece quando vemos a tristeza no olhar de um animal desorientado logo após ser abandonado.

Para Cleber Santos, especialista em comportamento animal, é preciso entender que os pets não são brinquedos nem mobília de que podemos nos desfazer quando nos mudamos de casa.

“Esses animais têm os tutores como uma referência muito grande e são totalmente dependentes deles, então, quando são abandonados, além dos riscos que correm na rua, eles terão a dor da perda”, explica Santos.

Ele afirma ainda que o abandono é uma experiência muito perturbadora, que pode gerar um grande trauma. “Muitos animais que já foram abandonados e são adotados novamente apresentam muito prematuramente essa sensação de que serão novamente abandonados. Alguns latem muito como uma forma de chamar atenção do dono para que ele volte para casa”, acrescenta.

E não são apenas os cães que sofrem. Embora tidos como dependentes, os gatos também são sensíveis a emoções. Lambeduras em excesso, perda excessiva de pelo, mordidas na perna do tutor, hábito de derrubar objetos ou se esconder pelos cantos da casa são demonstrações de que algo não vai bem.

“O gato demonstra emoções, mas as pessoas acham que não porque não dão a devida atenção a eles”, diz o especialista.

gato com dona
Crédito: Krblokhin/istockFelinos também são sensíveis a diferentes emoções

O sentimento de rejeição não é o único experimentado por eles. Várias espécies também vivenciam luto. Cães e gatos sentem não só a morte de seus tutores, como também a de seus semelhantes. Reação que também é, segundo pesquisadores, dividida por outras espécies, como chimpanzés, pássaros e elefantes.

No livro “O que Sentem os Animais”, a antropóloga americana Barbara J. King relata casos e mais casos comoventes de animais expressando pesar por companheiros e amigos mortos ou perdidos, como o caso de uma gata doméstica que perde sua irmã e passa semanas demonstrando profunda tristeza.

Em cada caso, King usa seu treinamento antropológico para interpretar e tentar explicar o luto e a dor desse animal, que segundo ela, não pode ser considerada menor do que a dor humana.

“Nós humanos lamentamos diferentemente dos outros animais: usando a linguagem, encenando rituais simbólicos como funerais, e com uma consciência aguda da nossa própria mortalidade. Os animais não fazem essas coisas, mas muitos outros amam e é do amor que a tristeza surge”, explica ela.

O pensamento de que animais são seres sem capacidades mentais ou emocionais vem de longe.  No século XVII, René Descartes, por exemplo, afirmava que os animais eram desprovidos de alma e não tinham sentimentos físicos ou emocionais e, por isso, poderiam ser submetidos a castigos excessivos, a trabalhos exagerados e à privação de comida e cuidados.

Contra essa ideia, se posicionava Jean-Jacques Rousseau, argumentando que os animais são seres sencientes e que não deveriam ser submetidos a maus-tratos.

E por que tudo isso importa?

A existência de milhares de estudos que vasculham as emoções dos animais e suas dores é importante para repensar nossa relação com eles, não negligenciá-los, nem abandoná-los à própria sorte.

Para a antropóloga Barbara King, quanto mais entendermos esses sentimentos, mais trabalharemos efetivamente em prol do bem-estar daqueles com quem dividimos o planeta.

Este conteúdo é apoiado pelo Carrefour, que – em parceria com a AMPARA Animal – está programando uma série de ações em prol dos animais em todo o país. Serão mutirões de castração, eventos de adoções em suas lojas, além de treinamento, capacitação e sensibilização dos funcionários e prestadores de serviço da companhia.

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