Delivery de comida reverte dinheiro para ONGs que combatem a fome

Por: Redação Comunicar erro

Assustadores 13 milhões de brasileiros enfrentam insegurança alimentar grave. E na semana em que a ONU (Nações Unidas) faz o mundo refletir sobre o tema, uma iniciativa mostra que é possível, sim, ganhar dinheiro e transformar o mundo: em parceria com o Unicef (Fundo das Nações Unidas para Infância) e a AAO (Associação de Agricultura Orgânica), foi lançada em Curitiba o primeiro site de pedidos de comida com impacto social, o Rangri.

Flavio Masson, que teve a ideia de fundar o Rangri quando fazia um pedido de comida em Nova York
Flavio Masson, que teve a ideia de fundar o Rangri quando fazia um pedido de comida em Nova York

Com o slogan “A fome é uma só” e a proposta de matar duas fomes —a de quem pede comida e a de quem não tem o que comer ou sofre de desnutrição —, o delivery quintuplicou desde janeiro o número de estabelecimentos conveniados e obteve um aumento de 56% de clientes ativos. Grande parte do crescimento é atribuído à iniciativa de reverter metade da receita líquida da comissão de 10% sobre cada pedido para ONGs que combatem a fome e a desnutrição no Brasil.

A escolha da entidade fica a critério do consumidor. Atualmente, participam o Unicef, presente no Brasil desde 1950 para melhorar a vida das crianças, adolescentes e suas famílias; e a AAO, que atua há 24 anos em favor da saúde e da responsabilidade socioambiental, estimulando o consumo de produtos agrícolas cultivados com respeito ao meio ambiente, em solo vivo e saudável. A contribuição sai da receita do Rangri, sem nenhum acréscimo ao cliente, que paga apenas o valor do prato escolhido e da entrega, ou tem a opção de retirar no balcão.

“A fome e a desnutrição, além de serem problemas complexos que afetam diretamente a sobrevivência das pessoas, são um grande desafio criativo”, avalia Flavio Masson, que teve a ideia de fundar o Rangri quando fazia um pedido de comida em Nova York, onde mora há 16 anos. “E se toda vez que eu fizesse um pedido eu pudesse ajudar quem não tem o que comer. E se todo mundo fizesse a mesma coisa ao mesmo tempo, que impacto isso ia causar?”, questionou-se.

“Negócios de valor compartilhado, que unem a atividade empresarial e o impacto social, passaram a definir um novo conjunto de práticas de sucesso”, afirma o administrador André Masson, principal investidor-anjo. “O Rangri utiliza os conceitos mais atualizados existentes de sustentabilidade em negócios. Lucro não é entendido por nós como exaustão de recursos comuns, mas como otimização e maximização de resultados para acionistas e em benefício da sociedade em proporções iguais.”

Há dez anos à frente da 10012, empresa de design & tecnologia que fundou, Masson investiu metade da capacidade de produção de sua equipe em Nova York na criação do Rangri. “Aplicamos todos conhecimentos e insight que adquirimos incubando outras start-ups e desenvolvendo projetos para as marcas mais exigentes do planeta”, comenta, referindo-se a AOC, Kraft Foods, Nike e HBO, entre outras marcas globais.

Curitiba foi escolhida inicialmente para ser a cidade teste do Rangri e avaliar a interação dos consumidores com uma plataforma que tem uma proposta social. “É inédito no mundo combinar um site de delivery e de combate à fome. A hipótese principal, que estamos validando, é de que as contribuições das empresas no social são o melhor investimento em marketing”, afirma.

Masson diz que se envolveu da visão macro até pequenos detalhes de design. O logo do Rangri, por exemplo, é inspirado no tradicional “prato feito”: arroz, feijão, carne, alface, tomate e ovo. O ponto da letra “i”, vazio, representa a luta permanente contra a fome.  “Quando a fome acabar, pintamos o ponto “i””, projeta.

Por QSocial

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