Professor vira ‘youtuber’ e quebra barreira na escola pública
Atuação de professor é considerada exemplar pelo movimento Sou Responsável, campanha sem partidos, candidatos ou ideologia apoiada pelo Catraca Livre e pelo Instituto SEB
Tudo começou como uma experiência. De repente, porém, o professor de escola pública Pedro Real Neto se tornou um “youtuber” e começou a fazer sucesso em todo o país com seu canal Pô, Bichô! – Matemática.
Essa história faz parte da série para o movimento Sou Responsável, cuja meta é estimular o protagonismo dos brasileiros. Em pleno ano eleitoral, o Catraca Livre e o Instituto SEB de Educação decidiram apoiar essa campanha para ajudar o brasileiro a também ser parte das soluções, e não do problema.
O espaço no YouTube é reservado ao ensino e à troca de informações a respeito da disciplina que Real leciona em São Paulo. “Quando eu lancei o primeiro vídeo, num domingo, vi que muitas pessoas acessaram após a divulgação na minha página do Facebook”, relembra o professor. “Na segunda-feira, eu perguntei sobre o conteúdo e eles [os alunos] sabiam. Isso me causou um impacto! Até porque, se você dá uma lição de casa, tem muita restrição de eles fazerem, mas o vídeo eles assistiram.”
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No começo, há um ano e meio, Real tinha apenas um celular e um tripé para fazer as gravações –além da força de vontade. Mas, como os vídeos estavam chamando a atenção, ele persistiu e aliou o canal às suas tarefas diárias. Passou a utilizar uma metodologia invertida de estudo, exibindo no YouTube os tópicos que seriam abordados na aula seguinte.
A ideia é que os estudantes assistam ao canal e entendam a matéria com antecedência. Segundo Real, a aula passou a acontecer de forma mais fluida, com os alunos já preparados.“Quando o aluno vem com o conteúdo pré-estudado sobra mais tempo. Dá pra gente explorar mais assuntos”, explica o “youtuber”.
“Quando ele [o professor] chegou com esse novo método de estudo, eu pensei ‘esse professor deve estar viajando’”, conta o aluno Matheus Aurélio Oliveira de Carvalho, da E.E. Santos Amaro da Cruz. “Aí, depois que a gente viu que dava certo a atividade, eu me interessei mais sobre o novo método de estudo.”
A diretora da E.E. Santos Amaro da Cruz, Sonia Gomes Cruz, acredita que “disponibilizar o conteúdo programático das apostilas sem o uso da tecnologia desperta menos interesse dos alunos”. “Se a escola não estiver inserida dentro da tecnologia, há o perigo de nós formarmos alunos analfabetos digitais.”
O canal Pô, Bichô já extrapolou o YouTube e está presente em outras redes, como o Instagram e o site oficial.
Com informações da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo