Ciência psicodélica: realidade ou utopia?

Desvendando os mitos de tratamentos com substâncias não convencionais no Festival Path 2019

O LSD (dietilamida do ácido lisérgico), a psilocibina (princípio ativo do chá de cogumelo), MDMA (metilenodioximetanfetamina), a ibogaína (princípio ativo da raiz da iboga), a quetamina e a ayahuasca são temas centrais de estudos médicos nos EUA, Europa e Brasil. O uso desses psicodélicos são uma esperança para doenças hoje consideradas incuráveis.

Mas, a falta de informação e o preconceito acerca das substâncias dificultam o aprofundamento dessa discussão tão pertinente. Esse é o tema central da palestra Ciência psicodélica: realidade ou utopia? no Festival Path 2019. Nela quatro pesquisadores e amantes do assunto vão elucidar os caminhos atuais da medicina psicodélica e refletir como ela pode, de fato, se tornar amplamente acessível. “Ainda não podemos dizer com certeza absoluta que a ayahuasca e as outras substâncias são totalmente eficazes para a cura das doenças. Para isso, mais estudos são necessários. Porém, já podemos antever resultados promissores”, afirma Luís Fernando Tofoli, psiquiatra e professor do Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatra da Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP e palestrante do Festival Path 2019.

Hoje a ciência caminha para desvendar os mistérios e esclarecer os efeitos (boa parte deles, positivos) em pessoas resistentes a tratamentos convencionais. Pesquisadores da UFRN (Universidade Federal de Rio Grande do Norte) e da USP (Universidade de São Paulo), por exemplo, descobriram que uma única dose da ayahuasca é suficiente para aliviar os sintomas de vítimas da depressão severa por até uma semana.

Crédito: Divulgação
Ayahuasca também conhecida como hoasca, daime, iagê, santo-daime e vegetal

A ayahuasca é resultado da combinação dos compostos presentes em duas plantas. A soma de seus efeitos é um estado que em alguns aspectos lembra uma meditação profunda, incluindo visões, embora em outros casos possa haver sintomas como vômitos e diarreia. “Os compostos da ayahuasca incluem a dimetiltriptamina, ou DMT, presente na planta denominada chacrona ou rainha, um poderoso psicodélico que age no sistema de neurotransmissores serotoninérgicos; e as beta-carbolinas, substâncias presentes do cipó mariri ou jagube, que permitem a absorção do cipó e parecem por si mesmas terem efeitos antidepressivos e induzir neurogênese”, conta Tofoli.

Já pesquisadores da UNIFESP descobriram que a Ibogaína, planta que te faz sonhar por até 12 horas, pode ser eficaz no tratamento da dependência química. Ainda não se sabe exatamente como ela atua no cérebro humano, mas dois fatos foram comprovados: a ibogaína estimula a produção de um hormônio que regenera o tecido nervoso e ainda atua como psicoterapia intensiva, fazendo com que o paciente veja imagens da própria vida quando a mente fica lúcida. Tal como se sonhasse de olhos abertos.

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Psicodélicos têm efeitos positivos no tratamento de doenças

Como os psicodélicos atuam no cérebro?

Os psicodélicos tradicionais são todos análogos da serotonina, então se ligam a receptores dessa substância. Os não tradicionais não atuam através da serotonina, como a sálvia, que se conecta através de receptores opióides e a quetamina, através de receptores glutamatérgicos. Mas o que tudo isso quer dizer, afinal? “A substância ingerida passa pelo sangue e depois de algum tempo chega ao cérebro, lá ela encontra proteínas localizadas na membrana do neurônio. Essa proteína passa a funcionar como uma enzima dentro do neurônio e isso deflagra mudanças instantâneas que podem durar dias, meses e até anos”, explica Sidarta Ribeiro, neurocientista e diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Os caminhos para legalização

Essas substâncias são super importantes na clínica psiquiátrica da depressão, do trauma, da ansiedade, incluindo a ansiedade terminal, aquela presente nas pessoas que estão com câncer. São substâncias que estão entrando pela porta da frente da medicina pelo imenso potencial terapêutico. Para Ribeiro, “A legalização para uso espiritual ou recreacional vai demorar um pouco mais, mas são substâncias ideologicamente seguras, não necessariamente do ponto de vista psicológico, pra isso é necessário preparação e cuidados da intencionalidade do terapeuta, então o caminho mais claro para a legalização é o da medicina”.

Luis Fernando Tofoli, Sidarta Ribeiro e ainda Alessandra Sussulino e André Negrão estarão presentes no painel “Ciência psicodélica: realidade ou utopia?” para fazer uma imersão no universo da ciência psicodélica e suas inúmeras formas de possíveis tratamentos. Então não fique de fora, garanta já seu ingresso para o Festival Path 2019.

UOL TAB apresenta Festival Path 2019
Ciência psicodélica: realidade ou utopia?

Quando: domingo, 2 de junho, das 11h45 às 12h45

Onde: Sala Ipiranga – Hotel Tivoli Mofarrej
Endereço: Alameda Santos, 1437, Jardim Paulista, São Paulo (SP)

Os ingressos para as palestras do Festival Path 2019 já estão disponíveis no site.

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