Como evitar que as redes sociais causem depressão em adolescentes

Elas devem ser uma extensão de experiências da vida real, e não ocuparem esse espaço como um mundo de fantasia

Por: Redação

Redes sociais. A princípio, o conceito sugere uma forma de interagir a distância, usando a internet. E fazer disso uma fonte de prazer e de fortalecimento de amizades. Porém, na prática, muitas vezes o que se percebe é algo bem diferente. Assim, especialistas passaram a alertar que há o perigo de que as redes sociais causem depressão em adolescentes e jovens.

Para que as redes sociais não causem depressão entre adolescentes, devem ser apenas uma extensão da vida real
Crédito: Nensuna/iStockPara que as redes sociais não causem depressão entre adolescentes, devem ser apenas uma extensão da vida real

Surge, então, a pergunta: por que isso acontece? E como evitar o problema?

“As redes sociais, quando utilizadas como meio exclusivo de tentativa de aceitação e interação social, podem sim corroborar com o início de sintomas depressivos na adolescência”, afirma a psicóloga Adriana Cabana, do grupo Prontobaby, instituição de saúde do Rio de Janeiro.

“Isso se dá pelo fato de as redes sociais serem encaradas como um modo de esconder ou omitir a realidade vivida na adolescência”, diz. “Trata-se de um momento de conflitos internos, da redescoberta do corpo e de outros tipos de relação de amor e de amizade.”

Ambiente de fantasia

Assim, quando o jovem cria um ambiente de fantasia em suas redes sociais, apartado de seus verdadeiros problemas, pode se ver envolto em sentimentos de frustração que culminem em um quadro depressivo.

Ao deparar-se com as páginas de universo idealizado de seus amigos nas redes, o adolescente pode pensar que seus problemas pessoais não são enfrentados pelos outros, que expõem só a parte mais “cor-de-rosa” de seus cotidianos.

Como, então, evitar que as redes sociais, em vez de possível causa de depressão, se tornem de fato um espaço saudável de convívio e trocas efetivas?

“As redes sociais precisam ser vistas como um modo de interação social saudável e não como uma afirmação da felicidade e da juventude”, ensina Adriana Cabana.

Dispensável e secundário

“Por vezes”, diz a psicóloga, “a busca pela fama e pela aceitação, que não se confirma, gera angústia e frustração, potencializando sentimentos de menos valia e baixa autoestima. Devemos tratar as redes sociais como algo lúdico, secundário às nossas vidas, como algo dispensável e nunca necessário à nossa existência.”

Que tal, então, usar as redes para compartilhar, por exemplo, fotos bacanas de lugares que visitou? Ou trechos de um livro que está lendo? Ou as imagens daquele jantar bacana em que você compartilhou momentos presenciais – e reais – com a turma?

As redes sociais, assim, funcionam melhor como extensão da realidade – e não como um simulacro dela. Menos selfies, quem sabe. E mais experiências que merecem ser divididas.

“Experimente trocar duas horas de navegação em sua rede social por um bom livro”, sugere Adriana Cabana. “A viagem será bem mais interessante.” E vai evitar que as redes sociais causem depressão em adolescentes e jovens.

Leia também: Vaginismo: trauma e formação religiosa rígida estão entre causas

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