Epidemia moderna: cerca de 20% das crianças têm problema de visão

Por: Catraca Livre

Quase 70% das crianças e jovens brasileiros fazem uso da internet ao menos uma vez por dia, segundo pesquisa promovida pelo Centro de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) contemplando a faixa etária entre nove e 17 anos. Tanta exposição levanta uma preocupação: os dispositivos eletrônicos estão contribuindo para o aumento da miopia entre as crianças.

De acordo com levantamentos do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), cerca de 20% das crianças em idade escolar apresentam algum problema de visão. Considerada a epidemia do século pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a miopia é a campeã.

O uso de celulares e computadores por mais de seis horas diárias é um dos fatores responsáveis pelo agravamento dessa patologia em crianças e adolescentes. Trata-se de uma “tendência do mundo moderno”, como explica ao Correio Braziliense o oftalmologista Luiz Felipe Diniz, do Hospital Brasileiro de Olhos (HBO).

O uso excessivo dos dispositivos eletrônicos compromete a visão de crianças e jovens.

É importante ressaltar que a Academia Americana de Pediatria (AAP), um dos órgãos referência mundial no campo da saúde infantil, orienta que o contato com qualquer tipo de tela não é recomendável a crianças menores de 18 meses.

Lucas tem nove anos e passa horas assistindo vídeos no Youtube. “Ele está com 3 graus de miopia no olho direito e 1,5 no esquerdo” – contou a mãe, Juliana Macedo. Na escola, ele começou a ficar em pé, perto do quadro, para conseguir anotar o que a professora escrevia. Por isso, é preciso ficar atento aos sinais que os filhos dão e procurar um especialista.

“Quando elas têm alguma dificuldade visual, costumam ter dores de cabeça, desinteresse pelo estudo e baixo desempenho escolar. Também ficam muito próximo da televisão e têm mania de franzir os olhos para enxergar”, descreve Juliana.

Hoje as crianças brincam pouco ao ar livre e acabam recorrendo aos dispositivos eletrônicos, o que pode contribuir para a epidemia dos problemas oculares. O oftalmologista Geraldo Canto, de Curitiba, explica:

“Um mecanismo de nossa visão, chamado de acomodação, nos permite olhar objetos distantes e focar com nitidez objetos próximos. Esse foco é feito com a contração do músculo ciliar, o anel no meio do olho para visão a distância. O excesso de esforço pode gerar fatores associados ao aumento da miopia.”

Estimativas apontam que até 2020, 28% da população brasileira será míope. Até 2050, o índice pode chegar a 51%, segundo a oftalmologista Renata Bettarelo para o Correio Braziliense. “Hoje, a taxa no Brasil gira em torno de 11% a 36%, mas a tecnologia tem contribuído para o aumento da doença”, alerta. O problema pode ser hereditário ou adquirido.

Cada vez mais as crianças recorrem às tecnologias pela falta de brincarem ao ar livre. Com isso, a saúde como um todo fica comprometida.
  • A MIOPIA

A miopia pode ter causa genética ou ambiental. Trata-se de um problema ocular em que se consegue ver perfeitamente os objetos de perto, mas as coisas mais afastadas podem aparecer desfocadas.

É importante que os pais levem as crianças ao oftalmologista cedo, ainda antes da alfabetização para que não interfira neste processo. A primeira consulta, de acordo com Geraldo Canto, pode ser feita entre seis meses e um ano de idade, quando já é possível verificar a existência de um grau mais elevado, diferença de visão entre os olhos, diferença de grau ou fixação do olhar.

Cerca de 20% das crianças em idade escolar apresentam algum problema de visão – a miopia é a campeã.

O médico ainda ressalta que nem sempre é preciso usar óculos quando a criança é muito nova: As pessoas muito jovens com graus baixos não costumam ter indicação, a não ser que exista alguma dificuldade visual ou estrabismo detectado no exame. No geral, recomendamos óculos quando elas têm miopia acima de 1,5 grau, hipermetropia acima de 3 graus e astigmatismo acima de 1,5 grau”.

  • DICAS PARA OS PAIS

• Fazer a criança realizar atividades em ambientes externos diariamente, por 40 minutos, no mínimo.
• Não aproximar demais dos olhos os celulares, tablets, computadores e livros — eles devem ser mantidos a 30cm da face, no mínimo.
• Não se debruçar sobre o objeto de leitura.
• Manter a tela do computador a 50cm da face, no mínimo.
• Fazer intervalos frequentes enquanto estiver utilizando esses objetos. A cada 20 minutos, retirar o olhar deles e focalizar objetos distantes, por cerca de 20 segundos.
• Uso de tablets e celulares por crianças de 2 a 5 anos não deve ultrapassar 1 hora por dia.

COM A PALAVRA, OS MÉDICOS

Fonte: Correio Braziliense | Luiz Felipe Diniz, médico oftalmologista

• As cirurgias refrativas para correção do grau são indicadas somente depois dos 18 anos, desde que a graduação já tenha estabilizado.
• Para evitar mais prejuízos à visão, a recomendação é, desde cedo, ensinar as crianças a fazerem intervalos de cinco minutos a cada hora na frente das telas.
• Reduza o brilho dos monitores. Ajuste-os procurando deixar a visibilidade agradável para a vista. Não deixe o fundo muito claro nem muito escuro.
• Monitores de cristal líquido cansam menos a vista do que os antigos, de tubo, pois já vêm com superfície antirreflexo e melhor definição de imagens.

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